Os clubes e SAFs continuarão "aviõezinhos" das bets?
Nós – um NÓS bem grandão – todos estamos viciados e/ou cúmplices de uma droga super potente chamada bets
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Quando o assunto são as drogas (lícitas ou ilícitas) e vício provocado por elas é desonesto tratá-lo com meias verdades, procrastinação ou soluções paliativas; porque, para combater seus efeitos nefastos, sejam eles gravíssimos, como a falência estrutural das famílias, ou irreversíveis, como o suicídio, é preciso honestidade moral, senso de urgência e coragem.
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Se de um lado a decisão do presidente da República em dar um basta na escalada das bets e outros jogos onlines de azar no Brasil está provocando a reação adversa dos grandes conglomerados/facções e outras estruturas que enriquecem desenfreadamente a partir desse modus operandi das apostas online, de outro, ela FINALMENTE convocou toda a sociedade brasileira – principalmente a parcela que ama o futebol – a uma reflexão coletiva urgente e que já deveria ter sido deflagrada há muito tempo.
Fato é que não cabe mais nos isentarmos, nos alienarmos ou fugirmos de uma realidade vergonhosa. Nós – e aqui um NÓS bem grandão para não me isentar de culpa ou de necessidade de tratamento – todos estamos viciados e/ou cúmplices de uma droga super potente chamada bets.
Você (e eu) podemos até ter vestir a fantasia de “babaca” para nos prestarmos ao papel de concordar com o ex-ministro da Economia Entreguista, Paulo Guedes, e repetir: “deixa cada um se f*der do jeito que quiser”. Mas isso não passaria de canalhice (minha e sua), pois mesmo que não sejamos viciados em apostas, mesmo que não tenhamos ninguém nas nossas famílias destruído moral e financeiramente, ao consumirmos o futebol brasileiro capturado pelas bets, sem nenhum senso crítico, nós somos, sim, financiadores desses conglomerados/facções que, a partir dele, lucram bilhões com o vício dos apostadores.
Faz parte da identidade brasileira a paixão pelo futebol. E mais ainda, o amor eterno pelo nosso time do coração. É exatamente aí, no “amor eterno” que acabamos sendo massa de manobra para estruturas pseudo-econômicas perigosíssimas, como as bets.
Esses conglomerados/facções usam essa nossa “fraqueza” (o amor eterno pelo time do coração) para lucrarem a qualquer custo – mesmo que esse custo signifique suicídios, falências ou famílias destruídas. O capitalismo predatório nunca se importou com as consequências (“deixa cada um se f*der do jeito que quiser”).
E não vão parar. Será com a tática de usar inescrupulosamente “o amor eterno dos brasileiros pelos times do coração” que eles tentarão – mais uma vez – usar o torcedor de futebol como refém e escudo para não perderem suas “bocas” de vender papelotes online.
Foi vergonhoso assistir ao Cruzeiro e tantos outros clubes centenários do Brasil se prestando ao papel de “aviõezinhos” desses conglomerados/facções que multiplicam seus lucros a partir do vício nas apostas online, no momento em que cederam suas redes sociais e seus departamentos de comunicação para viralizar a tática covarde de disseminar o medo.
“Se as bets acabarem, será o fim do futebol.” Essa falsa e antiética tática midiática não é nova. Ao contrário, é só uma adaptação do “se essa mineração não for aprovada do jeito que está, os empregos vão acabar”; “se não for autorizado o uso de mais agrotóxico e o desmatamento, vai faltar comida no mundo”. O modus operandi canalha do “semeie o medo e colherá seus privilégios”.
A verdade que se escancara nesse momento é que a maior paixão nacional se tornou refém das bets, uma estrutura economicamente e moralmente predatória que se sustenta no vício, na dependência química e no “deixe cada família brasileira se f*der como quiser” para multiplicar os lucros de seus conglomerados/facções.
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O mestre Nelson Rodrigues já dizia: “no futebol, o pior cego é o que só vê a bola”. Chegou a hora dos presidentes dos clubes e donos das SAFs se posicionarem publicamente e responderem se permitirão que “os times dos nossos corações” continuem sendo “aviõezinhos” das bets ou se buscarão formas de ajudar suas torcidas e o futebol brasileiro a se livrarem dessa devastadora dependência química das apostas online.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.