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Renato de Faria
Renato De Faria
Filósofo. Doutor em educação e mestre em Ética. Professor.
FILOSOFIA EXPLICADINHA

Sociólogo de Ibirité também lança candidatura: menos coach e mais boteco

Em um país onde a seriedade é um meme e o meme é política pública, o Sociólogo de Ibirité tem grandes chances

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Senhoras e senhores, preparem seus celulares e atualizem seus Reels, pois temos um novo presidenciável na parada: ele, o iluminado, o profético, o quase-mito — O Sociólogo de Ibirité. Depois de Gustavo Lima (que confundiu o bar com o Planalto) e Felipe Neto (que, entre um vídeo e outro sobre shampoo de cachorro, descobriu que também sabe governar o Brasil), era uma questão de tempo até que o intelectual do asfalto quente da Região Metropolitana de BH resolvesse anunciar sua candidatura. E como todo bom profeta do caos, ele fez isso da sacada de um bar, segurando um copo de 51 e um exemplar amassado de “A Sociedade do Espetáculo” como se fosse a Constituição.

Gui Débord, o francês que não viveu para ver o TikTok, já previa: o mundo se tornaria um imenso palco, e os atores? Todos nós — inclusive (e principalmente) os que não decoraram suas falas. A política brasileira, essa tragicomédia tropical, virou reality show com filtro de beleza, onde o que conta não é o plano de governo, mas o carisma de stories e o engajamento do tweet.

 

 

O Sociólogo de Ibirité, cujo nome verdadeiro ninguém sabe — uns dizem que é Valdemar de Foucault, outros juram que é Pierre da Cana— já lançou seu plano de governo: “Abolir o Congresso e substituir por um grupo de WhatsApp com administradores rotativos”. A proposta já angariou apoio de milhares de seguidores e três ex-BBBs. “Chega de oligarquias políticas! Agora é só printar o que o povo quer e mandar pro grupo”, disse o candidato, enquanto fazia um dueto no Kwai com uma senhora que dançava funk conscientização.

 

Na pasta da Educação ele pretende implantar a disciplina de “Análise Crítica de Memes” no Ensino Médio, porque depois das Metodologias Ativas tudo está permitido! Além disso, professores com Phd em ironia terão bônus salarial. Todo vestibular deverá incluir uma questão interpretativa sobre a música “Evidências”.

Na Economia ele irá trocar o termo “austeridade fiscal” por “chatice neoliberal”, além de implantar um imposto progressivo para os coaches empresários que usam a frase “comecei com 10 reais”. Para a Segurança Pública a promessa é de que toda viatura policial seja equipada com livros de sociologia básica e fones com podcast do Mano Brown.

Pensando nas Relações Internacionais, sua grande proposta será um acordo de paz entre Brasil e Argentina via um campeonato de truco filosófico, além da indicação de Gil do Vigor para a ONU, no cargo de Ministro do Vigor Global. Na Saúde, a pasta irá investir na distribuição de Rivotril, cafeína e terapia gratuita com Psicanalistas Lacanianos via teleatendimento 5G.


Tendo como vice Dona Marlene do CRAS, o apoio do Zé do Armazém, dois filósofos cancelados e um rapper underground, ele não para por aí: entre suas promessas estão “proibir a palavra meritocracia em público”, “introduzir o funk como disciplina obrigatória na Base Nacional Comum Curricular” e “instaurar o Ministério do Lacre, com sede em Copacabana”.

É claro que, num país onde a seriedade é um meme e o meme é política pública, o Sociólogo de Ibirité tem grandes chances. Afinal, se a realidade é uma farsa, por que não eleger o palhaço mais consciente?

Gui Débord, se me ouve do além, saiba: teu espetáculo virou rave, com trilha sonora de piseiro e coreografia de indignação cronometrada. A política brasileira já não precisa de ideologia — só de Wi-Fi e um bom editor de vídeo.

E cá entre nós, entre um Felipe Neto querendo salvar a educação e um Gustavo Lima querendo cantar no púlpito da ONU, eu confio mais em quem sabe fazer uma boa análise da desigualdade enquanto toma uma pinga com torresmo. Pelo menos o Sociólogo de Ibirité não promete revolução: ele só quer likes, uma bolsa de estudos em Cuba (com escala em Cancun), e talvez, só talvez, um ministério que una Marx, Memes e Mandioca.

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Fiquem atentos: o debate do primeiro turno será no TikTok Live, com mediação do Zé do Caixão via IA. Preparem os filtros — e os antidepressivos.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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