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Etiene Martins
Etiene Martins
Jornalista, pesquisadora das relações étnico-raciais e doutoranda em Comunicação e Cultura na UFRJ
ARTIGO

Após a Chegada 

Exposição de artista plástico mineiro tem dezenove pinturas e dois objetos que colocam em evidência a negritude africana e diaspórica

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"Após a Chegada" é o nome da exposição do artista plástico mineiro Will, que entra em cartaz no dia 11 de março na casa Fiat de Cultura em Belo Horizonte. Uma exposição com dezenove pinturas e dois objetos que colocam em evidência a negritude africana e diaspórica.



A partir do provérbio iorubá "Esú matou um pássaro ontem com a pedra que atirou só hoje", o artista Will cria um universo em suas pinturas. Territórios afro indígenas, Kemet “Egito antigo”, Bahia, sertões são as inspirações nesse novo trabalho que será exposto. Esú é o eixo central da série, sendo ele o orixá da comunicação, do movimento e dos caminhos. Will entende suas obras como afro-futuristas, em sua maioria geométricas, numa proposição de retomada de territórios.

 

 

Na capital mineira, Will tem investigado o Largo do Rosário, local que era habitado majoritariamente por pessoas negras. Onde originalmente estava a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. O artista convida o público a repensar e recriar um novo "envolvimento", um universo sem escravidão, onde corpos negros sejam protagonistas de sua própria história e ancestralidade. Seus trabalhos são elos de uma mesma corrente que nos leva ao processo violento da escravidão, ao mesmo tempo que o transforma.

 

 

Eu fui conversar com ele para conhecer um pouquinho desse artista que traz em sua exposição dezenove pinturas e dois objetos que impressionam. O dom para a arte foi notado pela mãe do Will ainda na infância quando ele tinha apenas cinco anos de idade. Na adolescência passou pelo polêmico pixo, mas foi na vida adulta frequentando a efervescência do baixo Centro de BH que iniciou a jornada profissional. Em 2014 começou a desenvolver suas primeiras pinturas.

 

Como as dificuldades são inúmeras para qualquer artista negro, fiquei curiosa para saber as alegrias que ele pôde vivenciar até aqui em sua trajetória. E ele traz a dimensão do fato de poder entender melhor a sua humanidade, a sua negritude através da pesquisa e do estudo que realiza para compreender a fundo a história negra que não lhe foi contada. Will também fala da alegria de amplificar o que acessou através da própria arte “mostrando para a sociedade a verdade e a beleza na nossa própria história”.

 

Para essa exposição, que tem a estreia agendada no dia 11/03, ele demonstra estar animado em ver esse encontro do público com sua obra. Para concluir essa breve conversa, pergunto de onde vêm as inspirações para retratar a negritude e ele responde exatamente assim: "Retrato a negritude no meu trabalho de diversas formas e aspectos, inicialmente é um meio de honrar os antepassados e pessoas invisibilizadas socialmente. Honrar também minha avó que é benzedeira. Há alguns anos atrás eu comecei uma pesquisa sobre práticas e saberes ancestrais, entrei para a umbanda, sou médium e desde então comecei a falar de território, práticas e saberes ancestrais e orixás".

 

"Justamente esses locais em que pessoas negras foram silenciadas e apagadas. Esse silenciamento e estigmatização me trazem muita raiva e uso essa raiva para ressignificar na minha arte esses lugares através de uma geometria afro futurista. Recrio através da ideia de resistência dos quilombos possíveis lugares para nós pessoas pretas, sem escravidão e racismo. Na minha arte o protagonismo é das pessoas pretas com o objetivo de seguir na luta anticolonial.”

 

No dia 11/03, das 19h30 até às 20h30, Will acompanhará o público presente na visita à exposição. A casa Fiat de Cultura fica localizada na Praça da Liberdade, 10. Ela está de portas abertas ao público de terça-feira à sexta-feira, das 10h às 21H, e aos sábados, domingos e feriados das 10h às 18h, exceto às segundas-feiras. Toda a programação é gratuita.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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