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Motivos pelos quais seu IPTU pode ter ficado mais caro em 2026

Seu imóvel tem CPF e isso pode afetar o preço do IPTU. Veja prazos e se vale a pena pagar adiantado ou parcelar.

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Por Isabel Gonçalves 

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Imagine que você finalmente comprou sua casa dos sonhos por um preço ótimo. Mas para ficar perfeito, ainda era preciso alguns ajustes e você partiu para a reforma. O valor do imóvel aumentou, e o IPTU também. Isso tudo porque a Receita Federal cruzou os dados do seu imóvel com a prefeitura da cidade e o cartório. 

Esse aumento não aconteceu por acaso. Aos poucos, a forma como os imóveis são “enxergados” pelo poder público está mudando. Com mais troca de informações entre Receita Federal, cartórios e prefeituras, muitos dados que antes ficavam desatualizados estão sendo corrigidos. Vem entender como isso funciona. 

O que é IPTU e como ele é calculado? 

O IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) é um tributo municipal cobrado anualmente de quem é proprietário de um imóvel. Embora seja um imposto antigo e conhecido, a forma como ele é calculado ainda gera muitas dúvidas e é justamente aí que começam as surpresas no valor final.

O valor do IPTU representa uma alíquota definida pela prefeitura sobre o valor venal da sua casa. O valor venal é uma estimativa sobre quanto vale o imóvel. Ele não é exatamente o valor de mercado, mas deveria se aproximar dele. 

Essa estimativa considera fatores como localização, tamanho do terreno, área construída, padrão da construção e infraestrutura do entorno. Por isso, o que importa não é o quanto você pagou no imóvel, mas sim quanto ele valeria em um anúncio imobiliário.

Por que meu IPTU ficou mais caro? 

Quando o IPTU sobe, a reação mais comum é pensar que a prefeitura aumentou o imposto. Em muitos casos, porém, a alíquota continua exatamente a mesma. O que muda é a base de cálculo.

Exemplo real:

Imagine um apartamento de 70 m² em um bairro tradicional da cidade. No cadastro da prefeitura, esse imóvel tem um valor venal de R$300 mil. Com uma alíquota de 1%, o IPTU anual fica em R$3 mil.

Mas nos últimos anos o bairro mudou: ganhou estação de metrô, comércio novo, ruas revitalizadas. No mercado imobiliário, apartamentos semelhantes já estão sendo anunciados por R$450 mil. Quando a prefeitura atualiza o cadastro e aproxima o valor venal dessa nova realidade, ele passa, por exemplo, para R$420 mil.

A alíquota continua a mesma, em 1%. O que muda é a base de cálculo. O IPTU sobe para R$ 4.200 por ano

O “CPF do imóvel” e o cruzamento de dados

O Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), é um identificador único criado pela Receita Federal em 2021 para reunir todas as informações de um imóvel em um sistema nacional. Ele foi implantado inicialmente nas capitais e a partir de 2025 passou a ser identificador único nacional e obrigou a integração dos dados. 

Na prática, ele permite que dados da Receita, dos cartórios e das prefeituras conversem entre si.

Com esse cruzamento, informações como: valor declarado na compra, registros em cartório, dados do Imposto de Renda e características do imóvel, como reformas feitas, passam a ser usadas para atualizar o valor venal. Se esses dados indicam que o imóvel vale mais do que o registrado no cadastro municipal, o IPTU sobe, mesmo sem mudança na legislação.

Fim de descontos, isenções ou mudanças no perfil do imóvel

O IPTU também pode ficar mais caro quando:

  • há reajuste anual na alíquota 

  • o imóvel deixa de ter isenção (por renda, idade ou valor)

  • o uso do imóvel muda, por exemplo, de residencial para comercial

  • a região se valoriza com novas vias e obras públicas, expansão do comércio, melhorias no transporte e na infraestrutura

Prazo de pagamento IPTU 

O IPTU é um imposto anual, mas o calendário de pagamento varia de cidade para cidade. Em geral, os boletos começam a ser enviados no início do ano e o contribuinte precisa escolher entre pagar o imposto à vista ou parcelar ao longo dos meses seguintes. Veja o prazo em algumas cidades: 

Confira os prazos de pagamento do IPTU 2026 nas principais cidades do Brasil.
Confira os prazos de pagamento do IPTU 2026 nas principais cidades do Brasil. Reprodução Educando Seu Bolso

Vale a pena pagar adiantado o IPTU?

A maioria dos municípios oferece desconto para quem paga o IPTU à vista nos primeiros meses do ano, normalmente de 7%. Esse abatimento pode variar bastante, mas costuma ser uma das poucas formas de reduzir o valor final do imposto.

Para quem tem reserva financeira, pagar à vista pode ser vantajoso. Já para quem não tem fôlego no orçamento, o desconto não compensa o aperto no caixa.

O que acontece se não pagar IPTU? 

O não pagamento do IPTU traz consequências que vão além do acréscimo de juros e multa. A dívida pode ser inscrita na dívida ativa do município, dificultar a emissão de certidões negativas e, em casos extremos, resultar em execução fiscal.

Além disso, débitos de IPTU costumam acompanhar o imóvel, o que pode gerar problemas na venda ou transferência da propriedade. Isso porque a inadimplência desse imposto não se limita a encargos financeiros: ela pode desencadear protestos em cartório, ações judiciais de cobrança, penhora de bens e, em situações mais graves, a perda do imóvel em leilão.

Conclusão: mais transparência, mais imposto? O que muda para o bolso do contribuinte

O IPTU não é um imposto novo e não houve uma mudança radical nas regras do jogo. O que mudou foi a qualidade das informações usadas. Com sistemas mais integrados, o poder público consegue enxergar melhor aquilo que antes ficava diluído entre cartórios, Receita Federal e prefeituras, reduzindo a distância entre o valor registrado do imóvel e o quanto ele realmente vale. Para o poder público, isso significa mais transparência e menos brechas. Para o contribuinte, um choque de realidade e de orçamento.

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A boa notícia é que entender como o imposto funciona devolve parte do controle ao proprietário. Além de tudo, acompanhar prazos de pagamento para aproveitar o desconto à vista e fugir das multas é importante. O IPTU pode até não ficar mais barato, mas a informação continua sendo a melhor ferramenta para proteger seu bolso e planejar melhor os custos de ter um imóvel.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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