Paulo Galvão
Paulo Galvão
Jornalista formado pela PUC Minas
DOIS TOQUES

Nosso futebol tem de evoluir

Ao menos o Cruzeiro saiu com a vitória, retribuindo o apoio recebido da China Azul, esta, sim, autora de grande espetáculo no Gigante da Pampulha

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Que o futebol jogado na Europa é muito mais técnico do que o praticado na América do Sul não há dúvida. Mas desde a última terça-feira (28/4) isso ficou ainda mais escancarado. Quem viu, à tarde, Paris Saint-Germain 5 x 4 Bayern de Munique, pelas semifinais da Liga dos Campeões, e à noite acompanhou Cruzeiro 1 x 0 Boca Juniors, pela terceira rodada do Grupo D da Copa Libertadores, pode facilmente ter concluído que eram esportes diferentes ou, ao menos, o mesmo esporte praticados por atletas de categorias diferentes.

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No Parque dos Príncipes, franceses e alemães mostraram como deve ser uma partida de alto nível. As duas equipes buscaram o gol o tempo todo, jogando de forma coordenada e criando grandes jogadas, que deixaram as defesas adversárias em maus lençóis.

Houve alternância no placar desde o começo do jogo e ninguém desistiu de alcançar os objetivos. Melhor para quem gosta do esporte bretão, que pode se divertir a valer, principalmente os que não torcem para nenhum dos dois – estes sofreram e comemoraram durante os cerca de 100 minutos de bola rolando.

Já no Mineirão, apenas um time quis jogar, o Cruzeiro. Ficou muito claro que o Boca veio a Belo Horizonte para impedir que isso ocorresse e por pouco não conseguiu. Não fosse a insistência celeste e a ousadia do técnico Artur Jorge, os visitantes teriam voltado a Buenos Aires com um ponto valioso na bagagem.

Os xeneizes passaram quase o jogo inteiro tentando desestabilizar psicologicamente os cruzeirenses. Para isso, apelaram para entradas ríspidas, empurrões, trombadas e até tapas, quase sempre sob a complacência do árbitro uruguaio Estebán Ostojich.

Com o apito final e o triunfo celeste, os argentinos decidiram partir para agressões, até por também terem sido provocados por cruzeirenses, como fez Matheus Pereira. O que era ruim ficou pior.

É impossível que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não tome uma atitude. Até quando será conivente com o antijogo, com a catimba, com a violência? Continuará permitindo que a falta de espírito esportivo avacalhe seu produto? Ou acha que alguém fora do continente pagará para ver algo tão grotesco? Se nada for feito, temo pelo que possa ocorrer na partida da quinta rodada do Grupo D, marcada para 19 de maio, em La Bombonera.

Ao menos o Cruzeiro saiu com a vitória, retribuindo o apoio recebido da China Azul, esta, sim, autora de grande espetáculo no Gigante da Pampulha. Mas até na arquibancada houve o que lamentar, com um torcedor do Boca sendo conduzido à delegacia por atos racistas – o que não é privilégio sul-americano, mas uma chaga em vários países do mundo.


Melancólico

Não tenho informações de bastidores sobre a crise entre o Atlético e o maior ídolo do clube na década, Hulk, que está entre os melhores e mais decisivos jogadores da história do Galo. O certo é que tudo vem sendo conduzido de forma muito ruim pelas partes.

Até onde sei, o atacante deseja se transferir para outro clube com o objetivo de prolongar a carreira. Já a diretoria atleticana gostaria que ele se aposentasse com a camisa alvinegra e assumisse algum cargo na agremiação, tudo isso entre os próximos meses de dezembro e janeiro.

São visões diferentes de futuro, ambas legítimas. O que precisam é chegar a um acordo o quanto antes. Se isso já tivesse sido feito, o vexame do último domingo (26/4) teria sido evitado: ou Hulk não teria feito parte dos relacionados para o jogo com o Flamengo ou teria integrado a lista e justificado sua ida até a Arena MRV, ainda que para ficar no banco de reservas. Entrar no ônibus da delegação, desembarcar sorridente, com direito a imagem exibida no telão do estádio, e ser cortado já no vestiário e com o nome na súmula não fez o menor sentido.

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Uma pena que uma história tão bonita termine assim. Não diminuirá em nada o que o super herói conquistou com a camisa do Galo, como o triplete alvinegro de 2021, mas deixará uma mancha na vitoriosa passagem.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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