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Angela Mathylde
COMPORTAMENTO E SAÚDE MENTAL

Terceira Guerra Mundial ou guerra da saúde mental?

Reflexão sobre como a crise global de saúde mental se tornou uma "guerra silenciosa" que desafia a humanidade no século XXI

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*** Profa. Dra. Ângela Mathylde Soares, PhD em Saúde Mental e Neurociências Cognitivas, Neurocientista, Psicanalista e Psicopedagoga

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Há alguns anos, o mundo acompanha os conflitos armados, tensões geopolíticas e crises humanitárias que reacendem um medo antigo: a possibilidade de uma terceira guerra mundial. Contudo, enquanto o olhar da humanidade se volta para os campos de batalha visíveis, uma outra guerra silenciosa avança dentro das casas, nas escolas, nos ambientes de trabalho e, sobretudo, dentro da mente das pessoas: a guerra da saúde mental.

Os relatórios recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que os transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade mundial. Ansiedade, depressão, esgotamento emocional e solidão se tornaram experiências cada vez mais frequentes em diferentes faixas etárias.

A pandemia da COVID-19 ampliou esse cenário, porém, o fenômeno já vinha se consolidando muito antes. A vida contemporânea impõe ao cérebro humano uma combinação inédita de fatores de estresse: excesso de informação, insegurança econômica, isolamento social, hiperconectividade digital e mudanças rápidas na estrutura das relações sociais.

Do ponto de vista neurobiológico, o organismo humano foi programado para resposta imediata a um ataque, uma ameaça física e/ou um evento isolado. Entretanto, o estresse crônico, prolongado por meses ou anos, provoca efeitos muito mais complexos.

Quando o cérebro permanece em estado contínuo de alerta, os sistemas hormonais ligados ao estresse — especialmente o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal — permanecem ativados por tempo prolongado. A situação compromete a memória, concentração, regulação emocional e até a saúde física. É como se o corpo estivesse preparado para lutar ou fugir permanentemente.

Assim, não é exagero afirmar que muitas sociedades vivem um cenário de fadiga emocional coletiva. Os adolescentes relatam níveis crescentes de ansiedade. Os adultos enfrentam exaustão psicológica. Os idosos lidam com solidão e sensação de invisibilidade social. Infelizmente, não se trata de fragilidade individual, mas de um fenômeno cultural, social e neurobiológico.

Talvez o grande desafio dessa época não seja apenas evitar guerras entre nações, e sim aprender a proteger algo igualmente valioso: a saúde mental. O processo requer políticas públicas, educação emocional, fortalecimento de vínculos sociais e acesso ampliado a cuidados psicológicos e psiquiátricos. A situação ainda exige mudança cultural para reconhecer que cuidar da mente não é luxo, mas necessidade.

A história mostra que guerras deixam cicatrizes profundas nas sociedades. Porém, a guerra silenciosa da saúde mental é ainda mais devastadora quando ignorada.

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Talvez a verdadeira vitória da humanidade no século XXI não seja conquistada com armas ou fronteiras, mas a capacidade de construir uma cultura de cuidado, escuta e equilíbrio emocional. Porque, no fim das contas, preservar a saúde mental é uma das maiores estratégias de paz que a humanidade já conheceu.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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