
O caminho é banir celular nas escolas?
Ansiedade, depressão e dificuldade em se relacionar podem ser efeitos dos smartphones nas novas gerações
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A Stanway School, em Colchester, na Inglaterra, está ficando famosa pela série documental Swiped: a escola que baniu os smartphones. A série de dois capítulos é o registro de um experimento realizado por pesquisadores da Universidade de York e baseia-se em estudos anteriores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College London.
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Segundo esse estudo, há uma deterioração considerável na saúde mental das novas gerações no pós-Covid. O artigo, publicado na BMJ Mental Health, revela que quase metade dos adolescentes de 13 a 16 anos relataram sintomas de ansiedade excessiva (44,4%) e mais da metade mencionaram sintomas de depressão (55,6%). Outro estudo do Comitê de Educação da Câmara dos Comuns mostra um aumento de 52% no tempo de tela das crianças entre 2020 e 2022, com 25% das crianças utilizando seus dispositivos de maneira viciante.
O experimento realizado pela Stanway School em colaboração com a Universidade de York monitorou não apenas os efeitos sociais sobre os jovens, mas também os efeitos fisiológicos de um verdadeiro detox digital. Os alunos foram divididos em dois grupos voluntários: um deles ficaria 21 dias sem utilizar smartphone e o outro continuaria usando os smartphones normalmente.
No início do experimento os pesquisadores submeteram os dois grupos a uma série de testes que foram repetidos ao final do experimento. Durante os 21 dias, as mudanças comportamentais dos alunos foram cuidadosamente registradas. O objetivo era claro: identificar quais efeitos desistir do uso constante do telefone têm no cérebro.
Os testes incluíram tarefas cognitivas, testando atenção, tempos de reação e memória, além de medir o cérebro diretamente com eletroencefalograma. O monitoramento dos comportamentos foi feito por dois métodos. Primeiro, pela aplicação de questionários abordando temas como sonolência, humor, estresse, solidão, prazer escolar e conectividade social; o segundo, pela utilização de relógios de monitoramento de atividades capazes de medir a qualidade do sono, as atividade diárias e a variabilidade da frequência cardíaca.
Os resultados do estudo de York foram semelhantes àqueles apresentados pelos estudos do King's College London. Enquanto o primeiro demonstrava que o uso compulsivo de smartphones estava diretamente ligado à ansiedade, depressão e insônia, o último mostrou que a supressão do uso dos smartphones em crianças com 16 anos de idade teve efeitos positivos significativos no sono, nas habilidades cognitivas e no bem-estar geral dos participantes. Os alunos que participaram do experimento tiveram melhorias em sua atenção, tempos de reação e memória, além de relatos de menor estresse, solidão e maior satisfação escolar.
Esses estudos ajudam a destacar a importância de medidas para proteger os jovens do uso excessivo de smartphones e convidam pais e responsáveis a buscarem junto a seus filhos um equilíbrio que concilie os aspectos positivos e negativos da tecnologia. Não se trata de banir ou eliminar, como o nome do documentário e alguns ambientes sugeriram, mas de criar mecanismos que equilibrem o uso das tecnologias digitais com a saúde e a educação, como propõe a nova Lei nº 15.100, sancionada no início deste ano.