A fuga de Flávio e a aposta de Tarcísio
Com a fuga aos Estados Unidos, em acerto com o governo Donald Trump, Flávio perde ainda mais protagonismo
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Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, que tinha expectativa de ser o candidato à Presidência da República em 2026 – e era de longe o preferido da Faria Lima, de setores produtivos, da direita pragmática e dos pastores políticos –, reconheceu a vitória eleitoral do presidente Lula (PT) e abraçou o discurso da conciliação nacional. Conciliação que, numa democracia, não significa adesão. Significa oposição responsável ao adversário – e não inimigo – vencedor do pleito. Normal e necessário numa democracia. É assim que Tarcísio de Freitas lança a pedra fundamental de sua candidatura para 2030. Não quer a sua digital em DNA que sugira golpismo, em irresponsáveis denúncias de “fraude” eleitoral.
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Em vídeo postado por volta das 14h40 desta terça, 27, quando já se sabia que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) evadiu-se do país em autoexílio nos Estados Unidos, Tarcísio de Freitas deixou o seu recado. Acenou à massa de eleitores que apoiaram os movimentos de rua em apoio a Flávio Bolsonaro, agradecendo o empenho durante a campanha. E a eles sinalizou que, agora, a vida segue. “A eleição passou”, disse.
2030 é logo ali. É pouco provável que o presidente Lula (PT), reeleito, tenha, pela idade – fez 81 anos nesta mesma terça –, projeto para uma nova corrida eleitoral à Presidência da República. O campo não bolsonarista não tem sucessor natural. Foi ele formado, neste segundo turno, pela esquerda, pelo centro e pela direita, unidos aos movimentos estudantis, artistas e um amplo espectro de eleitores que se juntaram em torno de Lula como um dique de contenção à eleição de Flávio Bolsonaro. Isso não significa que os movimentos em apoio a Lula não queiram mudanças, nem, tampouco, um apoio incondicional ao “Lula 4”. Há mudanças a serem feitas e, a esta altura, Lula está ciente delas. Se para 2030 Lula se disporá a construir a sua própria sucessão, com nomes que transbordem a bolha e tenham potencial para ampliar a mensagem, não se sabe.
Em contraposição, no campo bolsonarista, sobram aspirantes. Flávio Bolsonaro, apesar dos expressivos 59,8 milhões de votos neste segundo turno – bloco que converge os bolsonaristas convictos, mas, e sobretudo, um maior contingente de antipetistas – com a derrota eleitoral, já não seria o primeiro da fila. Lá já está Tarcísio. Agora com a fuga aos Estados Unidos, em acerto com o governo Donald Trump, Flávio perde ainda mais protagonismo.
Depois de hesitar em reconhecer a vitória de Lula – o que dá margem a novas dúvidas sobre o compromisso dele com as regras do jogo democrático –, passa a imagem de um político que não enfrenta as adversidades. Repete o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que viajou aos EUA após perder as eleições para Lula, a quem se recusou passar a faixa presidencial. Flávio foi aconselhado a não deixar o país em reunião na tarde de segunda-feira, 26, com os principais nomes da sua campanha, no escritório de um de seus advogados. A leitura política prevalente era de que seria improvável eventual prisão do senador, que é alvo de dois inquéritos da Polícia Federal: isso abriria margem para o discurso da perseguição política, o que seria ruim para a imagem de Lula no exterior.
Os aliados de Flávio Bolsonaro têm certa razão. Flávio é investigado pelo financiamento do filme “Dark Horse”, com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em outro inquérito, a Polícia Federal também investiga as relações de Flávio e o advogado Willer Tomaz, em suspeita de lavagem de dinheiro por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. O timing é tudo na vida. E o ministro Alexandre de Moraes, que foi fundamental em conter a tentativa de golpe de Estado e julgar os envolvidos, parece ter perdido essa noção. O momento em que decidiu tomar os passaportes de Flávio renderá uma crise política e uma narrativa de vitimização.
Não foi uma reeleição fácil para Lula. E o STF contribuiu para as dificuldades. Lula conquistou novo mandato empurrado por aqueles que foram às ruas e integraram o “exército Janones” das redes, um método que já inspira, em vários países, partidos e movimentos políticos que lutam contra a ascensão da alt-right. Todos esses que lutaram poderiam estar usufruindo, neste momento, desta conquista. Mas agora escutam o novo bumbo da Suprema Corte.
Apoio
O Bloco Democracia e Luta, formado pelo PT, PV, PCdoB, Rede e Psol, declarou, nesta
terça-feira, 27, apoio à candidatura de Doorgal Andrada (PP) à presidência da Assembleia do biênio 2027-2028. A decisão foi tomada após reunião entre as deputadas e os deputados da atual e da próxima legislatura, conduzida pelo líder do bloco, deputado Ulysses Gomes (PT), que já vinha dialogando com Doorgal nas últimas semanas. Ulysses retirou a sua candidatura para apoiá-lo. Os parlamentares do bloco assinalaram a expectativa de uma presidência aberta ao diálogo com todas as bancadas e comprometida com o respeito às prerrogativas parlamentares e ao papel fiscalizador da Assembleia.
Consenso
Com este apoio, Doorgal Andrada consolida a própria candidatura de consenso para a sucessão de Tadeu Leite (MDB), atual presidente da Assembleia. Não haverá disputa.
Planejamento
O ex-prefeito de Betim e deputado estadual eleito, Vittorio Medioli (PL), foi convidado pelo governador eleito Cleitinho (Republicanos) para ser o seu secretário de Planejamento e Gestão. O convite foi revelado por ele, em entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira, 27. Vittorio Medioli integra a equipe de transição de Cleitinho. Segundo informou, o novo governo tem planos para o Rodoanel da Região Metropolitana de Belo Horizonte, já que o traçado do projeto original proposto pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) é inviável.
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Cidades cortadas
Vittorio Medioli declarou ter feito grande investimento para demonstrar ao ex-governador Romeu Zema a inadequação de um projeto que corta ao meio as cidades de Ibirité, Betim e Contagem, com uma linha de pedágio. “Quem vai pagar pedágio para entrar e sair? É inviável, um absurdo. Tivemos várias reuniões mostrando que não dá. Foram seis anos com esse ‘lero-lero’ e não deu em nada”, afirmou.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.