Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
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Eleição tem neste momento um favorito, mas está longe de ser encerrada

Desde quinta-feira, 8, foram sucessivas e muito expressivas manifestações de rua em favor de Lula, além do crescente engajamento digital.

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Em 2 de novembro de 1948, os Estados Unidos foram às urnas para eleger o Presidente da República. O presidente Harry Truman, vice que havia assumido em 1945 após a morte de Franklin D. Roosevelt, tentava a reeleição pelo Partido Democrata. Enfrentava o republicano Thomas Dewey, governador de Nova York, que liderava todas as pesquisas com folga. Era tida como tão certa a vitória de Dewey, que os institutos de pesquisa pararam de ir a campo semanas antes do pleito. Os jornais prepararam as capas sobre o novo presidente. Truman adotou uma estratégia agressiva e incansável de viagens de trem pelo interior do país - chamada Whistle-Stop Tour. Atacava o Congresso e mobilizava a base trabalhadora. Na noite da eleição, o jornal Chicago Daily Tribune imprimiu a edição matutina com a manchete "Dewey Defeats Truman". Quando a apuração terminou, Truman foi reeleito com folga. Posou para uma das mais icônicas fotos da história das eleições: sorriso vitorioso empunhando o jornal com a famosa “barrigada”.

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No Brasil há uma coleção de histórias de viradas eleitorais. Tantas que as velhas raposas da política mineira repetiam a máxima, quando o clima do “já ganhou” tomava conta das equipes de campanha: “eleição e mineração, só depois da apuração”. Com a advertência, pretendia-se conter a imagem de arrogância daqueles que já partilhavam o governo antes da garantia de vitória.

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A disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, deixou algumas lições ao anedotário da política mineira. O candidato Marcio Lacerda, que era do PSB, foi lançado como expressão de uma improvável aliança no âmbito nacional, em que tucanos e petistas polarizaram a disputa: Fernando Pimentel (PT), então prefeito de Belo Horizonte em final de mandato se aliou ao governador Aécio Neves (PSDB) em apoio a Lacerda, um outsider da política eleitoral. O principal adversário dele era Leonardo Quintão, deputado federal filiado ao antigo PMDB. Foi uma campanha ao estilo montanha-russa.


Desconhecido do eleitorado, já na primeira semana de exibição do horário eleitoral gratuito Lacerda disparou à frente com mais de 30 pontos. Quintão era um candidato carismático. Com uma mensagem de “bom moço”, à medida em que foi se tornando conhecido, cresceu, ameaçando a esperada vitória de Lacerda no primeiro turno. Abertas as urnas, a surpresa: Lacerda obteve 43,59% dos votos válidos; Quintão encostava com 41,26%. Na primeira pesquisa de intenção de voto após o pleito, o Datafolha registrou, na campanha de segundo turno, Quintão à frente com 47% das intenções de voto, contra 37% de Márcio Lacerda. Com amplo emprego de recursos de propaganda negativa contra Quintão, Lacerda desconstruiu a imagem do adversário. O final é conhecido. Lacerda foi eleito com 59,12% dos votos válidos.


Em 2026, a política cedeu lugar à tecnopolítica. É um contexto comunicacional completamente diferente, pouco transparente e centralizado em algoritmos. Mas, algumas lições das eleições passadas seguem importantes. Flávio Bolsonaro (PL) virou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula (PT), uma distância de 1,87 ponto porcentual. Ganhou musculatura na última semana com a antecipação do voto útil de eleitores que, em princípio, haviam escolhido uma das candidaturas que se apresentaram como terceira via.


A euforia tomou conta da campanha de Flávio Bolsonaro, que na primeira semana agregou apoios de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). O Centrão – PP, União e Republicanos – que foi engolido pelo bolsonarismo no Congresso Nacional, embarcou no jogo. A expectativa de poder antecipou a partilha do futuro governo. Discute-se quem irá presidir a Câmara, o Senado, as indicações do Supremo Tribunal Federal (STF), os ministérios.


Embora Flávio Bolsonaro siga favorito liderando numericamente as pesquisas, há sinais que merecem atenção. A militância não só da esquerda, mas de segmentos do centro e da direita tradicional que temem a excessiva concentração de poder em um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), se mobilizou. Desde quinta, 8, foram sucessivas e muito expressivas manifestações de rua em favor de Lula, além do crescente engajamento digital. Duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira, 13, têm potencial para ligar o alerta na campanha de Flávio Bolsonaro. A PoderData/Aya mostra que as intenções de voto de Lula avançam nos últimos cinco dias, encurtando de seis para dois pontos a distância entre Lula e Flávio. A BTG Pactual/Nexus aponta Flávio com 52% e Lula com 48%, quatro pontos de diferença numa disputa em que cada voto subtraído de um lado conta como dois. Nesta quarta, 14, haverá Quaest. E, na quinta, 15, Datafolha. A eleição tem neste momento um favorito, mas está longe de ser encerrada.

Salários janeiro

O governo de Minas formalizou nesta terça-feira, 13, a intenção anunciada pelo governador Mateus Simões (PSD) de pagar os salários do funcionalismo referente a dezembro de 2026 até 6 de janeiro, dia da posse do governador eleito, Cleitinho (Republicanos). O anúncio havia sido feito por Mateus depois de uma rusga com o adversário pelas redes sociais: Cleitinho criticou a situação fiscal de Minas, com previsão, para 2027, de um déficit de R$ 10,5 bilhões na Lei Orçamentária Anual. Segundo o governo, o 13º salário também será pago integralmente ainda neste ano, em data a ser divulgada.

Fora do debate

Em coletiva de imprensa nesta terça, 13, o senador Flávio Bolsonaro informou que não participará do debate eleitoral promovido pela Band, marcado para domingo, 18. Flávio Bolsonaro também assinalou que a sua equipe de comunicação ainda avalia se ele estará presente no último encontro antes do segundo turno, organizado pela Globo, dia 23. A ausência de Flávio não implica necessariamente o cancelamento do debate. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite que emissoras de rádio e televisão, diante da desistência de um dos participantes, transformem a programação em uma sabatina com o candidato presente, neste caso, Lula.

Sem confronto direto

Flávio e Lula não se enfrentaram em debates no primeiro turno. Flávio não participou de nenhum, condicionando sua presença à de Lula, apontado por ele como seu principal rival. O presidente, por sua vez, preferiu utilizar os horários reservados aos encontros para conceder entrevistas a podcasts.

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MDB rachado

A executiva nacional do MDB formalizou nesta terça-feira, 13, o apoio de 17 dos 27 diretórios estaduais do partido à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. Os outros dez diretórios, concentrados nas regiões Norte e Nordeste, declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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