Disputa para a Presidência da Assembleia já começou
Com tal composição e sendo egresso do Legislativo, Cleitinho tem condições para construir uma base de apoio na Casa que lhe dê sustentação para os anos difíceis que virão
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Mal se fecharam as urnas do primeiro e único round para o governo de Minas, e na Assembleia Legislativa os deputados estaduais reeleitos já se organizam para o segundo round. Para além da acirrada disputa à Presidência da República – que na prática mobiliza deputados estaduais da Frente PT, PV e PCdoB e do PL –, os parlamentares estão de olho na sucessão do presidente Tadeu Leite (MDB) na próxima legislatura. Eleito para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tadeu não concorreu à reeleição. Avalia seguir à frente da Casa pelo menos até dar posse ao governador eleito, Cleitinho (Republicanos), em 6 de janeiro.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
No momento, há nove parlamentares em movimento que podem pleitear a candidatura. No PL, legenda que conquistou 21 cadeiras, quatro nomes despontam: Bruno Engler, que teve 675.940 votos e foi, pela segunda vez consecutiva, o mais votado da Casa; Sargento Rodrigues, atual presidente da Comissão de Segurança Pública, que iniciará o seu oitavo mandato; Gustavo Santana, reeleito para o quarto mandato; e Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim e ex-deputado federal por quatro mandatos, agora eleito para o seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa.
São ainda possíveis candidaturas: o líder do governo, João Magalhães (PSD), veterano que estará em seu quarto mandato consecutivo; Doorgal Andrada (PP), reeleito para o terceiro mandato e atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça; Nayara Rocha (PP), vice-líder do governo, reeleita para o segundo mandato; Ulysses Gomes (PT), líder do bloco de oposição formado pelas federações PT-PV-PCdoB e Rede-Psol, reeleito para o quinto mandatoseguido; e Tito Torres (PSD), que iniciará em 2027 seu quarto mandato.
Liderança de consenso na Casa, Tadeu Leite terá peso na condução de sua própria sucessão. A julgar pelo perfil mais programático e institucional que Tadeu imprimiu no comando do Legislativo estadual, candidaturas de parlamentares de perfil marcantemente ideológico tendem a sair em desvantagem nesta corrida. A eleição da Mesa Diretora é um processo legislativo interno sobre o qual o governador eleito também exerce influência. Não é determinante, como se viu na primeira legislatura do segundo governo Romeu Zema (Novo). Em fevereiro de 2023, Tadeu Leite foi eleito com o apoio do PT, do PL e de legendas de centro, que se juntaram para derrotar a articulação de Zema em torno do deputado Roberto Andrade (PRD), que havia sido líder do governo. Ao perceber que Tadeu Leite ganhava força, Zema desistiu para não perder.
Apesar do conturbado histórico de relacionamento entre Zema e o Legislativo estadual, governadores tendem a se envolver na eleição da Mesa Diretora. A máxima da política é a de que governador não elege o presidente da Assembleia, mas veta. O governo Cleitinho, que se desenha a partir dos 23 nomes anunciados da equipe de transição, terá um perfil que vai mesclar quadros técnicos com uma composição política multipartidária – reunindo, até este momento, do PL ao PSB, passando pelo Republicanos, União Brasil e MDB.
Com tal composição e sendo egresso do Legislativo, Cleitinho tem condições para construir uma base de apoio na Casa que lhe dê sustentação para os anos difíceis que virão, na gestão de um estado que abre 2027 com um déficit estimado em R$ 10,5bilhões, segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) para o exercício de 2027. A isso se soma a dívida pública de Minas, que alcança R$ 208,10 bilhões – dos quais R$ 187,51 bilhões são com a União e integram a renegociação do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Leia Mais
Na transição
O governador Mateus Simões (PSD) comunicou ao presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB) que irá ficar um mês fora, a partir do final de outubro. Isso significa que caberá a Tadeu Leite, quem assumirá interinamente o governo, conduzir parte das reuniões entre as equipes de transição do governo Cleitinho e atual gestão, que se estenderão entre 23 de outubro e 23 de novembro.
Convite
Cleitinho convidou Tadeu Leite para integrar a sua equipe de transição e o futuro governo. Mas Tadeu já foi nomeado para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 29 de junho deste ano. A publicação no “Diário Oficial do Estado” foi feita no dia seguinte. Tadeu poderá seguir até o final de seu mandato, em 31 de janeiro de 2027. De acordo com as novas regras previstas pela Lei Complementar Estadual nº 182/2026 (originada pelo PLC 76/25), elaborada pelo TCE e aprovada pelo Legislativo, os nomeados devem tomar posse no prazo de 30 dias contados da publicação do ato de nomeação, admitida prorrogação, por ato do presidente do Tribunal, por períodos sucessivos de até 30 dias, mediante solicitação fundamentada do nomeado.
Aperto
O desembolso do governo de Minas para o pagamento das despesas ligadas ao Propag em 2027 será de cerca de R$ 4,56 bilhões, aí incluídas as parcelas mensais que o estado quitará com a União e o aporte no Fundo de Equalização Financeira (FEF), criado para compensar estados com boa situação fiscal ante o governo federal. As informações integram o Ploa de 2027 que foi encaminhado pelo governo do estado para a Assembleia.
6 por 1
O Senado Federal retoma nesta terça-feira, 13, a discussão da PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada semanal de trabalho e a garantia de dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A proposta, conhecida como PEC do fim da escala 6x1, está prevista para as 16h, durante a quarta sessão de discussão em primeiro turno. De acordo com a pauta oficial do Senado, a quinta e última sessão de discussão está programada para quarta-feira, 14. Isso não significa que a proposta será votada ou aprovada nesta semana, mas o encerramento desta fase abre caminho para votação.
Centrão engolido
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Com o crescimento do PL e encolhimento das cadeiras do Centrão no Congresso Nacional, se eleito, Flávio Bolsonaro (PL) já avisou que não irá apoiar em 2027 a recondução do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e, no Senado, do presidente Davi Alcolumbre (União-AP). PL, PP, União e Republicanos conversam para o apoio ao candidato neste segundo turno da sucessão presidencial. Para o Senado, o grupo ligado a Flávio Bolsonaro trabalha pela eleição do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha dele. Para a Câmara dos Deputados, o PL deixará o Centrão discutir internamente um nome para suceder Hugo Motta, desde que sob influência da bancada do PL
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.