Quem serão os próximos?
Alexandre de Moraes está no olho do furacão. Mas ali não pretende ficar sozinho. Novas revelações pipocam. Soube-se que o próprio André Mendonça teve um encontro com Vorcaro
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O Brasil está em chamas. O pivô: o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que impulsionou o Master com a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), vendidos com promessa de remuneração acima do mercado, amparados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os CDBs estavam lastreados em ativos de baixa liquidez, o que acionou o alarme ao Banco Central sobre a sua solvência. Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a sua liquidação extrajudicial. A medida resultou no maior ressarcimento da história do FGC, para 1,6 milhão de credores, estimado em R$ 41 bilhões.
A Polícia Federal avançou em investigações sobre fraudes financeiras, emissão de títulos sem lastro, transações simuladas. E o que encontrou foi uma ampla rede de influência, infiltrada em todos os Poderes da República, corrupção institucional e a atuação de um grupo, denominado “A Turma”, que se ocupava de atos de coerção, extorsão, espionagem ilegal e intimidação de adversários.
Para manter o esquema, Vorcaro despejava milhões em mimos às autoridades. Frequentaram a órbita de influência do ex-banqueiro, entre outros, os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA); o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL); o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa; ACM Neto e Antonio Rueda, respectivamente vice-presidente e presidente do União Brasil; Fábio Wajngarten, ex-ministro de Jair Bolsonaro; vários deputados federais do PP, do PL, do MDB. O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi exposto em áudios em que pedia a Vorcaro R$ 134 milhões para produzir o filme a ser exibido nesta campanha, com a biografia do pai, Jair Bolsonaro (PL). E ministros do STF: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques.
A um mês das eleições gerais, há mais razões para que a República balance. O ministro André Mendonça tornou públicos, esta semana, os detalhes da investigação da Polícia Federal sobre o relacionamento entre o colega de Corte, Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Não só pela gravidade das denúncias que se abatem sobre o relator dos processos sobre a tentativa de golpe de Estado. Mas também porque quem relata o Caso Master é André Mendonça, indicado para o STF por Jair Bolsonaro (PL), condenado e cumprindo a pena em prisão domiciliar.
Mendonça, que também é o relator do caso das fraudes do INSS, atropelou ritos para atirar Moraes à opinião pública. Mas se o teor das revelações é gravíssimo, igualmente foi a forma. Segundo manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet (também citado no relatório), além de dirigir investigações na fase pré-processual, função atribuída à polícia Judiciária e ao Ministério Público, André Mendonça determinou individualmente o aprofundamento das apurações sobre outro integrante do STF, sem passar pelo plenário, instância responsável por conduzir investigações envolvendo integrantes da Corte. Ali, Mendonça declarou guerra a Alexandre de Moraes.
O confronto transborda para a Polícia Federal. Daniel Vorcaro concedeu depoimento sigiloso no gabinete de André Mendonça, em 27 de agosto, em nova tentativa de sua defesa de obter uma delação premiada. O pivô do escândalo atacou a Polícia Federal e o diretor-geral, Andrei Rodrigues, acusando-os, sem apresentar fundamentos, de terem promovido intimidações e tortura psicológica sobre ele.
Alexandre de Moraes está no olho do furacão. Mas ali não pretende ficar sozinho. Novas revelações pipocam. Soube-se que o próprio André Mendonça teve um encontro com Vorcaro, em 14 de março de 2025, em São Paulo, no instituto Iter, fundado pelo magistrado. Em pouco mais de dois anos, o Iter firmou 28 contratos com órgãos públicos, que totalizaram R$ 10,7 milhões.
Em decorrência da repercussão negativa, Mendonça informou nesta quarta-feira, 3, que ele e a esposa cederam as suas cotas sem contrapartida financeira. Ainda ontem, foram divulgados áudios em uma interação triangulada entre André Valadão, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e Daniel Vorcaro, delação premiada assinada por Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, com a PGR apresentou extratos de pagamentos destinados ao Havengate Development Fund, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses teriam sido determinados por Vorcaro sob justificativa de patrocinar o filme Dark Horse. Foi a segunda delação fechada no caso do Banco Master pela PGR. A primeira, com o ex-dono da gestora de fundos Reag, o empresário João Carlos Mansur, tira o sono da Faria Lima.
Unanimidade
O registro da candidatura do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos), que tentava retornar ao Congresso Nacional por Minas Gerais, foi indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) na tarde desta quinta-feira, 3. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O relator do caso, Sálvio Chaves, foi seguido por unanimidade na Corte. Apesar da decisão, o candidato pode continuar fazendo campanha enquanto tramitar o processo na Justiça Eleitoral, inclusive com inserções no horário eleitoral gratuito.
Pacto
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aderiu nesta quinta-feira, 3, ao Pacto Nacional pela Paz e Tolerância nas Eleições 2026, iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reúne instituições públicas, organizações da sociedade civil e representantes religiosos em ações destinadas a preservar o diálogo e a convivência democrática durante o processo eleitoral. O acordo pretende contribuir para eleições livres, seguras e legítimas, com respeito à dignidade humana e às liberdades de consciência, crença, expressão e participação política. A iniciativa também busca valorizar a pluralidade de opiniões como elemento da vida democrática.
Ditadura das redes
Em discurso em plenário nesta quinta, 3, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reclamou do ambiente político hostil, promovido por parlamentares nas redes sociais. Alcolumbre afirmou que gostaria de responder pessoalmente às ofensas que recebe, mas a responsabilidade institucional do cargo exige contenção. Em crítica aos colegas, que segundo ele, utilizam vídeos de confronto e ataques a outros senadores para obter curtidas e dividendos eleitorais, chegou a afirmar que o país vive uma "democracia com característica de ditadura na rede social".
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Lindão, não!
O deputado Nikolas Ferreira (PL) rebateu nesta quinta-feira, 3, as acusações de proximidade com Daniel Vorcaro e contestou a interpretação dada a áudios de conversas entre os dois: em vídeo, disse nunca ter usado o termo “lindão” para se dirigir ao banqueiro. Segundo ele, os aúdios não demonstram uma relação próxima entre eles. A manifestação ocorre após o vazamento, pelo portal ICL, de um mensagem de áudio de março de 2025, na qual Nikolas apresentou a Vorcaro o advogado e ex-assessor de seu gabinete Thiago Rodrigues de Faria, que buscava tratar de um ativo minerário
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