Incertezas de uma disputa e a prudência como estratégia
Ainda à espera do alarme da propaganda eleitoral gratuita que se iniciará nesta sexta, 28, a primeira grande movimentação do eleitorado tende a ocorrer na semana que vem
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Com poucos dias de diferença entre os levantamentos de campo, DataFolha (18 e 20.08) e Quaest (21 e 24.08), convergem em alguns aspectos; divergem em outros. O primeiro e mais óbvio: o senador Cleitinho (Republicanos) lidera a corrida com algo entre 18 e 20 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Se as eleições fossem hoje, teria presença assegurada no segundo turno. Apesar disso, é uma eleição que está aberta. Cinco candidatos, com trações e recursos distintos concorrem pela segunda posição.
O deputado federal Patrus Ananias (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT) estão em situação de empate técnico. Para Patrus converge o eleitor de esquerda e potencialmente, com o apoio explícito do presidente Lula (PT), poderá herdar um quinhão mais expressivo desse eleitorado. Alexandre Kalil conta com o seu recall em uma gestão municipal bem avaliada e com a popularidade dos títulos que conquistou no Galo. Mas, neste momento, diferentemente das eleições à Prefeitura de Belo Horizonte de 2016 e de 2020, o desempenho de Kalil é afetado pela presença de Patrus, em torno de quem gravita o eleitorado de esquerda.
Com 4% das intenções de voto no Datafolha e 5% na Quaest, Gabriel Azevedo (MDB) está em situação de empate técnico com Flávio Roscoe (PL), que oscilou de 4% para 3% entre as duas pesquisas. Roscoe tende a se beneficiar da associação com o bolsonarismo e, apesar das defecções que vem registrando entre lideranças do partido que migram para a campanha de Cleitinho, aposta que se beneficiará de alguma transferência adicional de votos que lhe permita competir pela vaga do segundo turno.
O desempenho do governador Mateus Simões (PSD) é o ponto alto da divergência entre as duas pesquisas. No Datafolha Mateus registra 4% das intenções de voto em situação de empate técnico com Roscoe e Gabriel. Na Quaest ele quase dobra o desempenho, registrando 7% das preferências e ameaçando Patrus e Kalil que no Datafolha, concorriam entre si distantes oito pontos percentuais de Mateus, Gabriel e Roscoe. Na Quaest, embora o governador esteja em situação de empate técnico com Gabriel, também está encostado, no limite da margem de erro, com Alexandre Kalil (PDT). Por seu turno, Kalil está empatado com Patrus, mas está à frente de Gabriel.
É sempre bom lembrar que as margens máximas de erro dos levantamentos de survey – nos dois casos de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95% – são aplicáveis às estatísticas de 50%. Para as demais estatísticas, as margens de erro devem ser calculadas individualmente e serão sempre menores. Datafolha e Quaest também apresentam diferenças na identificação dos indecisos: nessa ordem, 13% e 19%.
Ainda à espera do alarme da propaganda eleitoral gratuita que se iniciará nesta sexta, 28, a primeira grande movimentação do eleitorado tende a ocorrer na semana que vem. E como governador Mateus Simões terá a larga fatia de um terço do tempo de antena, é esperado que ganhe impulso. Em princípio, junto aos indecisos. Como o seu campo político está congestionado à direita com Cleitinho e Roscoe, Mateus precisará tornar o discurso menos ideológico e mais programático para tentar repetir o que em campanhas passadas foi chamado, em Minas, de “Lulécio”, “Dilmasia” e “Luzema”.
Sem ter conseguido montar um palanque com Cleitinho, o PL se cerca em Minas como pode: vai trabalhar para impulsionar Roscoe ao segundo turno. Se Roscoe não vingar, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já fincou um pé na canoa de Cleitinho. Com a estrada da corrida mineira aberta, a depender de quem encontrará no segundo turno, para Cleitinho a melhor estratégia é manter alguma ambiguidade em relação à sucessão presidencial. Embora tenha declarado voto em Flávio Bolsonaro, talvez lhe convenha alguma inspiração literária ao estilo “tão perto, tão longe”. A incerteza é o módulo principal da sucessão mineira. Até por isso, a prudência ruidosa tende a se tornar a melhor estratégia.
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Margens de erro
Com 11% das intenções de voto na mais recente Quaest, a margem de erro de Patrus Ananias é de 1,6 ponto percentual para mais ou para menos. Alexandre Kalil tem 10% das intenções de voto em margem de erro estimada de +/- 1,5 ponto percentual. Com 7% das intenções de voto a margem de erro de Mateus Simões é de +/- 1,3 ponto percentual. Gabriel tem 5% das intenções de voto. A margem de erro estimada para a estatística dele é de +/- 1,1 ponto percentual. Com 3% das preferências, a margem de erro de Flávio Roscoe é de +/- 0,9 ponto percentual.
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