Lamentações e batismos das novas alianças
Para a campanha de Mateus Simões, Cleitinho é o principal adversário e o maior obstáculo para avançar no eleitorado bolsonarista
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De toda a movimentação partidária que agitou a Semana Santa, vieram da disputa ao Senado os lances com maior potencial para impactar a sucessão ao governo de Minas. Diferentemente do que havia sinalizado, o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), deixou o Novo para se filiar à legenda do irmão.
E o fez ao mesmo tempo em que Cleitinho deu indicações de que Gleidson poderia concorrer não para deputado federal – como espera o Republicanos, agora também de Eduardo Cunha. Mas antes, Gleidson avalia concorrer ao Senado. Tal reposicionamento sinaliza para a candidatura de Cleitinho ao governo de Minas, ainda não confirmada.
Com a “perda” de Gleidson, filiados ao Novo desmancharam-se sobre o muro das lamentações, em mensagens de grupo fechado, porque contavam com os votos do político popular para puxar uma bancada federal de novistas que falam para a elite.
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Segue, no Novo, choro livre, no mínimo da ordem de quem não está entendendo o cenário que se projeta na sucessão ao governo de Minas. Sentido algum haveria no acordo entre Novo e Gleidson, para que permanecesse na legenda “liberado” para apoiar Cleitinho, em detrimento da campanha à reeleição do governador Mateus Simões (PSD).
Sob a perspectiva da campanha de Mateus Simões, Cleitinho é seu principal adversário político, quem, de fato, constitui o obstáculo para que o governador projete o crescimento de sua campanha com o voto bolsonarista.
Que benefício teria Gleidson no Novo, legenda que agora orbita o PSD de Mateus Simões no estado? No Republicanos é atribuído ao senador Carlos Viana e ao governador Mateus Simões, parte da exposição negativa na CPMI do INSS, atingiu o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), presidente do partido em Minas, aliado de primeira hora de Cleitinho.
Para o Republicanos, Mateus Simões e o Novo são uma só coisa: adversários, de quem esperam chumbo. Até por isso responderam com o conhecido beijo da Sexta Feira Santa. A filiação na Quarta-Feira Santa do senador e candidato à reeleição Carlos Viana ao PSD, que deixou o Podemos, foi outro movimento com impacto na disputa ao governo de Minas.
O Podemos é uma legenda controlada pelo grupo político de Marcelo Aro (PP), também pré-candidato ao Senado Federal. Carlos Viana já havia recebido o convite para se retirar do Podemos e buscava destino, com grande dificuldade, para concorrer à reeleição.
A presença de Viana no PSD, à revelia de Marcelo Aro, é indicação de que na leitura de alguns integrantes do grupo político do governador, a Federação União Progressista não é presença garantida no campo de alianças de Mateus Simões, apesar de o senador do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarar em contrário.
Antonio de Rueda, presidente nacional do União tem outra posição. A Federação União Progressista tem diante de si três caminhos mais prováveis do que o apoio a Mateus Simões: aderir à campanha de Rodrigo Pacheco (PSB), caso esta se confirme, como gostaria Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional; apoiar Cleitinho, com a indicação a uma das vagas ao Senado; e por fim, manter-se sem coligação formal para a disputa ao governo de Minas, lançando apenas a chapa ao Senado Federal.
A política, dizem alguns, não é para amadores. Vida que segue sob batismo de novos lances da realpolitik que renasce na Páscoa.
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Domingos Sávio
O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, vai anunciar nesta quarta-feira, 8 de abril, na sede do partido em Brasília, a pré-candidatura do deputado federal Domingos Sávio ao Senado Federal por Minas Gerais. Lideranças nacionais da legenda irão participar, entre elas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Paz
O presidente estadual do PSD, Cássio Soares, considera “pacificado” o estranhamento entre Marcelo Aro (PP), ex-secretário de estado de Governo, e o governador Mateus Simões (PSD) decorrente da filiação do senador Carlos Viana, ao PSD. Segundo Cássio, o estresse inicial está superado. “O compromisso da Federação União Progressista é com Mateus Simões, e Marcelo Aro terá uma das vagas ao Senado”, afirmou. Cássio Soares acredita que o PL vá seguir seu caminho solo, com candidatura própria.
Emendas
O deputado João Magalhães (MDB) foi eleito presidente da comissão especial criada na Assembleia para analisar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 61/26, que altera percentuais do Orçamento destinados às emendas parlamentares.
De autoria coletiva de 59 parlamentares, a PEC altera trechos do artigo 160 da Constituição Estadual, reduzindo de 2% para 1,55% da Receita Corrente Líquida (RCL) do exercício fiscal anterior o montante de recursos destinados às emendas parlamentares individuais. Ao mesmo tempo, a PEC amplia de 0,0041% para 0,75% da RCL o percentual de recursos destinados às emendas de blocos e bancadas.
Competência da União
O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a obrigatoriedade de empresas a incluir, nos rótulos de produtos para animais, informações sobre canais públicos de denúncia de maus-tratos a animais. Trata-se de tema de competência da União, conforme entendeu a maioria dos ministros, em julgamento ao final de março, embora tenha sido objeto do projeto de lei nº 1.215/2023, de autoria da deputada Chiara Biondini (PL), aprovado e sancionado sob a forma da Lei 25.414/2025, pelo ex-governador Romeu Zema (Novo). A ação foi proposta pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).
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Regras nacionais
Para a maioria dos ministros, o estado de Minas Gerais ultrapassou seus limites ao criar uma exigência adicional para os rótulos: já existem regras nacionais sobre o que deve constar nas embalagens, e que mudanças nesse tipo de informação precisam ser definidas de forma uniforme em todo o país.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
