
Ampla composição de interesses pela governabilidade
Álvaro Damião enterra os desacertos e enfrentamentos com o grupo político de Lopes, comandado por Marcelo Aro (PP)
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO

Quando Juliano Lopes (Podemos), presidente da Câmara Municipal, assumir nesta segunda-feira (7/4) a Prefeitura de Belo Horizonte em substituição ao prefeito Álvaro Damião (União), que estará em viagem ao Peru, estará em curso mais do que um simples ato institucional sucessório de rotina.
Nesse gesto, Álvaro Damião enterra os desacertos e enfrentamentos com o grupo político de Lopes, comandado por Marcelo Aro (PP), secretário de Estado de Governo. É parte de uma ampla composição conduzida pelo Executivo junto a amplo espectro ideológico de partidos representados no Legislativo municipal, que estará representada no primeiro, segundo e demais escalões da Prefeitura de Belo Horizonte.
Nessa composição, pelo momento, ganha maior centralidade na máquina de governo o centro, a centro-direita, a direita e legendas como o PL e o Novo, que não apoiaram a chapa Fuad Noman-Álvaro Damião no segundo turno. Ao mesmo tempo, há tendência de descolamento do novo governo da centro-esquerda e da esquerda, que trabalharam pela reeleição de Fuad Noman no segundo turno e apoiaram Álvaro Damião contra o grupo de Marcelo Aro na eleição para a presidência da Câmara Municipal. Esse movimento traduz uma tendência que poderá se confirmar ou não em 2026, a depender do desempenho do governo Lula e, adicionalmente, do posicionamento do senador Rodrigo Pacheco (PSD) na disputa ao governo de Minas em 2026.
Leia Mais
Do PL, nesta quinta-feira (3/4), ganhava força o nome da vereadora Marilda Portela para substituir Josué Valadão, que deixou a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. Mas a ideia não agradou ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Ganhou força o nome de André Reis, secretário municipal de Política Urbana. A pasta era, em princípio, reivindicada pelo PT. Vereadores do PL, assim como do Novo, também têm encaminhado pedidos de nomeação para cargos comissionados no Executivo, com o argumento de que não haveria razão para fazer oposição a este novo governo que se forma.
As indicações dos vereadores Cláudio do Mundo Novo (PL) e Marilda Portela em regionais onde concentram votação –ambos eram da base de Fuad Noman – foram exoneradas no processo de sucessão da Mesa Diretora, mas já haviam sido recontratadas nos primeiros meses de governo.
Por seu turno, o grupo político de Marcelo Aro teria apresentado, por meio da deputada federal Nely Aquino (Podemos), o pleito pelas secretarias de Esportes e a Coordenadoria de Vilas e Favelas. Contudo, a informação não foi confirmada por Juliano Lopes, quem irá conduzir o diálogo do grupo com o prefeito.
Nos comandos das secretarias da Saúde e da Fazenda não havia, até esta quinta-feira, intenção de mudanças. Mas eram estudadas alterações à frente das secretarias de Obras, de Política Urbana e Habitação – reivindicação antiga da indústria da construção civil da capital, para qual é cotado Leonardo Castro, atualmente secretário-adjunto de Governo –, nas secretarias de Mobilidade, de Planejamento e de Educação – nesse caso, por óbvio e decorrente da Operação Overclean da Polícia Federal, em sua terceira fase, que teve por alvo o até então secretário Bruno Barral (União), realizada nesta quinta-feira em que Álvaro Damião foi empossado na Câmara Municipal.
A exoneração de Barral foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do Município. Ele assumiu em abril de 2024, indicado por ACM Neto em acordo nacional fechado entre União e PSD para formalizar o núcleo da coligação de reeleição de Fuad Noman.
Dentre todas as mexidas, a que se julgava mais provável é aquela que possivelmente não ocorrerá. Diferentemente de Daniel Messias, chefe de gabinete de Fuad Noman, que deixou o cargo nesta segunda-feira (31/3), ao que tudo indica, Jorge Luiz Schmitt Prym, secretário-geral do município, braço direito do falecido prefeito, permanecerá no governo. Além de ter boa interlocução com Marcelo Aro, Prym mantém articulação afinada com os concessionários de transporte da capital e com outros segmentos do empresariado local.
Ao elaborar sobre o amor e o ódio nas interações das pessoas, Sigmund Freud considerou que falar de um era também falar do outro, já que ocorrem de maneira simultânea, desde seu processo de constituição psíquica à sua relação social ao longo da vida. Entretanto, para políticos profissionais no exercício de sua atividade, não há amor ou ódio. Há interesses. Tudo mais, são narrativas.
Me liga
Depois de afirmar que as portas do governo de Minas estarão abertas para Álvaro Damião, o governador Romeu Zema (Novo) declarou: “Se você não tiver o meu telefone, eu já te passo agora”. Anotou em um papel e entregou ao prefeito.
Lágrimas
Juliano Lopes foi surpreendido com o anúncio de Álvaro Damião de que assumirá interinamente a Prefeitura de Belo Horizonte, nesta segunda-feira (7/4), por cinco dias. Durante entrevista ao EM Minas, da TV Alterosa, que vai ao ar neste sábado (5/4), às 19h30, o presidente da Câmara Municipal se emocionou ao contar que foi criado pela mãe, Sônia Maria, hoje aos 78 anos, com quem toma café da manhã todos os dias. Em sua passagem pela PBH não será diferente, informa ele. Ao falar de seu projeto político, Juliano Lopes afirmou que pretende concorrer a deputado estadual em 2026.
Disputa interna
Edinho Silva, candidato de Lula à presidência nacional do PT, estará neste domingo, em Contagem, em encontro do PT de Minas. É esperada a presença de lideranças nacionais da legenda, inclusive de Zé Dirceu.
Livro
Recém-filiado ao PT a convite de Lula, o ex-deputado estadual e sociólogo João Batista dos Mares Guia entregará, em mãos, a Edinho Silva cópia de seu texto “O PT e a democracia, as eleições de 2024 e as eleições de 2026”, em que propõe que a legenda adote internamente a perspectiva do orçamento participativo para a definição de 50% das emendas parlamentares impositivas. “Esses recursos seriam administrados por um comitê técnico, que receberia projetos dos diretórios municipais em conexão com movimentos sociais”, afirma João Batista, indicando que se inspirou em modelo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.