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Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
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Para resultados diferentes, melhor fazer diferente

Bolsonaro afirma ser o único candidato à Presidência, mas está inelegível e responde a grave acusação

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Em sua saga por impor ao país uma pauta que interessa exclusivamente a si e àqueles diretamente envolvidos na tentativa de golpe de estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) joga com os governadores presidenciáveis. Ora esvazia o primeiro; ora infla o segundo; ora ignora o terceiro. Pretende assim manter viva a chama de tolos – aquela que se deseja tanto, que contrariamente a todas as evidências, se insiste em acreditar. A bola da vez foi Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, nome do establisment para ser o candidato à Presidência da República do campo da direita. Bolsonaro percebe que está  perdendo o controle desse processo: não terá força política para se insurgir contra as forças econômicas e de mercado que catapultam Tarcísio de Freitas. Terá alcançado muito se conseguir indicar, em tal chapa, um de seus familiares como vice.
 
O ex-presidente tenta frear tanto ímpeto em favor de Tarcísio de Freitas. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, declara: “Tarcísio é uma excelente pessoa, fenomenal gestor e um muito bom, bom, não vou falar excepcional, um bom político, assim como tem outros nomes pelo Brasil. O Zema tem uma pessoa que fez uma boa gestão lá, o Caiado, o Jorginho Mello, outras pessoas que não estão no cargo executivo, mas despontam. Bons parlamentares por aí”.
Bolsonaro lança, assim, ao governador mineiro Romeu Zema (Novo) e ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União) “migalhas” de atenção: afinal o mineiro anda fazendo o “dever de casa”, inclusive defendendo a “anistia” aos envolvidos na tentativa de golpe, ainda sequer condenados. Bolsonaro também quer todos os governadores de oposição empenhados com suas respectivas bancadas na Câmara dos Deputados na cruzada pela anistia. E de preferência no palanque deste domingo, em São Paulo, depois do fracasso da mobilização do Rio de Janeiro. Após os afagos a Zema e a Caiado, são palavras do próprio expoente da extrema direita no Brasil:  “Agora, dentro do PL, devidamente autorizado pelo Valdemar Costa Neto, o candidato sou eu”.
 
 
Bolsonaro diz que ele é o candidato à Presidência da República. Ele é o plano “A”, “B”, “C” e assim por diante. Mas o ex-presidente está inelegível. É também réu de grave acusação por tentativa de golpe de estado, com chance não desprezível de ser condenado e preso. Mas talvez o ex- presidente queira vender ao meio ambiente político a ilusão de que em 2026, sob a presidência de Kassio Nunes Marques e vice-presidência de André Mendonça, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  vá reverter a sua condição. Ainda que seja remotíssima a chance de tal ocorrer, Bolsonaro lança a dúvida para manter o campo da direita sob suspense.
 
Nesse delirante caminho, segue a outra pedra. A do STF. Por isso, agita-se pela anistia. E quer empurrar governadores de direita que se creem democratas – até aqui orbitam a extrema direita, mas cautelosos em abraçar a cartilha completa – para o palanque daqueles que articularam um golpe de estado no Brasil. Aos golpes, a história ensina, seguem-se os regimes de exceção que recrudescem com o tempo em resposta à resistência democrática que se insurge. Se esses governadores acham que se dariam bem em uma ditadura comandada por Bolsonaro, basta que releiam com atenção a história do udenista Carlos Lacerda.
 
 
Quando admite que poderá ser preso, Bolsonaro se torna sensível. Falar da família e falar de si, lhe comove profundamente. Mas a dor alheia, costumava produzir-lhe gargalhadas em tempos da COVID-19, em particular quando imitava pacientes sofrendo com a falta de ar. Por tudo o que já se viu da trajetória de Jair Bolsonaro, sabe-se que além da falta de empatia, outra característica que ali sobra é a deslealdade com aliados.
 
Em seu inferno astral político, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) manifesta a sua decepção com o abandono do ex-amigo, neste momento em que foi declarada inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e está prestes a ser condenada à prisão pelo STF: “Mas acho que não só eu como outras pessoas também perderam a amizade do presidente no momento que precisaram”.
 
 
Zambelli tem razão. A lista é longa:  Gustavo Bebianno, Luciano Bivar, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, General Santos Cruz, Delegado Waldir, Wilson Witzel ...  Nem tudo vale a pena por um espólio, que inevitavelmente terminará no colo de um dos governadores da direita. Equilíbrio e demonstração de estabilidade institucional é o que a elite empresarial do país deseja.
 

Cronologia do TSE

 

A presidente do TSE, Cármen Lúcia, encerrará o seu mandato em 25.08.2026. Assumirá a presidência para o próximo biênio, Nunes Marques. Além de André Mendonça, que será vice-presidente, Cristiano Zanin será o terceiro ministro do STF no TSE. Ao todo, a Corte tem sete ministros titulares: três do STF, três do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados indicados pelo STF.
 

G10 metropolitano

 

O prefeito de Nova Lima e presidente da Granbel, João Marcelo Dieguez (Cidadania) defende a criação de um grupo com as 10 maiores cidades da RMBH para trabalhar questões territoriais transversais – como o transporte público e a segurança pública. “Estamos discutindo que esse grupo de trabalho das grandes cidades seja criado no âmbito Granbel. Podemos também promover o grupo com as cidades menores. É natural que entre os 34 municípios que integram a região metropolitana sejam formados grupos segundo afinidades com temas”, afirma.
 

BH deve puxar

 

A proposta é de que o G10 seja formado por BH e pelos sete municípios que têm fronteira com a capital – Contagem, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Santa Luzia, Sabará, Nova Lima, Brumadinho e Ibirité –, além de Lagoa Santa e Betim. “Belo Horizonte deve alavancar essa proposta”, afirma João Marcelo, que obteve do prefeito Álvaro Damião (União) sinalização positiva em mais de uma ocasião. A questão mais premente é o transporte metropolitano, afirma João Marcelo. “Se nós prefeituras nos articularmos, ficaremos numa posição mais forte em relação ao governo do estado, que tem de ser sensibilizado para a necessidade dessa integração”, afirma ele.
 
Sai PV, entra PSDO novo vice-líder de Álvaro Damião na Câmara Municipal será o vereador Helton Junior (PSD). Ele substituirá o vereador Wagner Ferreira (PV), suspenso do PV nesta terça-feira, depois de formalizar aliança com o grupo comandado pelo secretário de estado de governo, Marcelo Aro (PP), que se intitula  "Família Aro". Em esforço para manter a base no Legislativo, Álvaro Damião reconduziu dois indicados de Wagner Ferreira, na regional Venda Nova, que haviam sido demitidos em fevereiro.
 

Demissão

 

O chefe de gabinete de Fuad Noman, Daniel da Cunha Messias Roque apresentou nesta terça-feira comunicado de demissão a Álvaro Damião (União).
 

 

Usinas da Cemig

 

A Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa ouvirá Marco Soligo, vice-presidente da Cemig, em audiência pública nesta quarta-feira, por requerimento dos deputados Ricardo Campos (PT), professor Cleiton (PV) e Arnaldo Silva (União). A comissão pede esclarecimentos sobre a venda de usinas da estatal. Em fevereiro, a Cemig formalizou a venda de três hidrelétricas e uma pequena central hidrelétrica, localizadas em Uberlândia (Triângulo Mineiro), Águas Vermelhas (Norte de Minas), Juiz de Fora e Manhuaçu (Zona da Mata), à empresa Âmbar Hidroenergia, do grupo J&F. O lote foi arrematado por R$ 52 milhões, mas a venda ainda precisa da aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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