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Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Inteligência artificial contra a burrice natural

O ato pela anistia fracassado de Bolsonaro e a fuga de Eduardo Bolsonaro injetam ânimo até numa esquerda que tinha, de certa maneira, abandonado o governo Lula

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Com uma extrema direita assim, a esquerda é desnecessária. O bordão continua atual. A política brasileira segue tendo como força motriz erros absurdos de seus principais atores. A mais recente linha do tempo: o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chama as mulheres do PT de “incomíveis”. Declaração bestial, que confirma e reforça a imagem de misoginia de quem fala. O presidente Lula (PT) dá o “troco”: apresenta a nova ministra das Relações Institucionais, a deputada federal Gleisi Hoffman (PT-PR), parlamentar experiente e combativa em seu campo político, como “uma mulher bonita”. Erro ainda mais grotesco, sobretudo sob o crivo do eleitorado de esquerda. Lula foi salvo pelo infeliz deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), em sua postagem ainda mais estúpida, tomando para si ribalta de Lula e de Bolsonaro.


Se na política miúda, a coisa desce a níveis tão deploráveis, na macropolítica anda pior. O governo Lula atravessa o seu inferno de impopularidade. O presidente, percebendo que com a sua política de conciliação nacional não iria a lugar algum, a não ser em direção a um final melancólico, arrebata a sua principal bandeira – a do crescimento – e retoma as suas aparições públicas.


A extrema direita, que até então detinha o monopólio da oposição, ao invés de sapatear sobre a maior debilidade do governo, a inflação, decide ir à praça pública expor o seu caráter antidemocrático: quer a anistia dos envolvidos (leia-se de Bolsonaro) pela tentativa de golpe de Estado. Ato fracassado, pífio em público, anuncia assim a sua fragilidade, ao vivo e em cores. Os discursos de palanque reforçam ao Supremo Tribunal Federal (STF) a percepção de que ou as cabeças dos envolvidos serão cortadas ou a representação das instituições democráticas acabarão guilhotinadas.


Mais precavido foi o governador Romeu Zema (Novo). Não foi ao ato. Depois de tanto errar ao não adotar uma postura de direita moderada, agora tem um novo mote para se agarrar junto à narrativa antipetista. Já Tarcisio de Freitas (Republicanos), que se apresentava como moderado com o propósito de atrair investimentos federais e se capitalizar como sucessor da extrema direita órfã de Bolsonaro e como nome da direita, comete o erro crasso de ir a um fracassado ato público.


Tarcísio compromete as suas relações com o STF e demonstra que a lealdade a Bolsonaro é, para ele, superior aos valores democráticos. O país pede, nas urnas, um candidato de centro, e aquele que até então mais se esforçava para se parecer com isso – apesar das muitas escorregadelas de ethos bolsonarista – segue agindo como se fosse uma marionete de um acusado de tentar o golpe de Estado Brancaleone.


Mas se Lula e seu governo ainda não empolgam – mas pode melhorar com o lançamento de projeto de justiça tributária, de isenção tributária da cesta básica e outras inúmeras propostas de apelo popular –, agora é a vez do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que pleiteava a presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Licencia-se do cargo e foge para os Estados Unidos, a menos de uma semana de o STF analisar a denúncia contra o seu pai, que poderá tornar-se réu. No imaginário popular, quem foge é bandido. Foi o bolsonarismo que ajudou a difundir a percepção popular do “bandido bom é bandido morto”.


O ato pela anistia fracassado de Bolsonaro e a fuga de Eduardo Bolsonaro injetam ânimo até numa esquerda que tinha, de certa maneira, abandonado o governo Lula à sua própria sorte. Um erro aqui e outro pior acolá. Os remanescentes da “velha” política já viram páginas mais gloriosas no Brasil. Bolsonaro, o original, que era chamado “baixo clero” no Congresso Nacional, arrancava gargalhadas.
Os “novos” políticos produzem risos e ainda mais. Que o diga o senador Magno Malta (PL-ES), no palanque de Copacabana. Será capaz a tecnopolítica – pai e mãe da extrema direita –, agora catapultada pela inteligência artificial, manter a cria viva em seu estado de natureza?

 

 

Tapete vermelho

Ainda em fase de discussão para a formação da superfederação PP-União, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, já convidaram o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o deputado federal Luiz Fernando Faria (PSD) para filiarem-se a uma das duas legendas. União é o caminho mais provável para Pacheco.

 

 


Japão

O senador Rodrigo Pacheco deve integrar a comitiva da visita de Estado do presidente Lula ao Japão, entre 24 e 27 de março. A missão terá viés comercial. Os países organizam um fórum empresarial em Tóquio. Autoridades japonesas esperam que mais de 100 executivos de empresas brasileiras, entre elas a Embraer e a JBS, integrem a delegação que acompanhará o presidente.

 

 


“Vitória”

Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) celebraram a decisão de requerer ao STF a apreensão do passaporte do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em vídeo postado nas redes, ambos consideraram a licença de Eduardo Bolsonaro uma “vitória”, pois impedirá que ele ocupe a Comissão de Relações Exteriores, função que, na avaliação deles, facilitaria a articulação do parlamentar com a extrema direita norte-americana para desestabilizar as instituições brasileiras. Ambos haviam entrado com representação contra Eduardo Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República (PGR) acusando-o de crimes contra a soberania nacional e as instituições brasileiras. A PGR se manifestou ao STF contra a apreensão do passaporte do parlamentar.

 


Guerra cultural

Em levantamento dos projetos em tramitação na Câmara Municipal, a vereadora Cida Falabella (Psol) identificou 13 matérias classificadas no campo da guerra cultural. Entre eles, está o projeto que proíbe o funk nas escolas, o projeto de transfobia nos esportes, dando “autonomia” às entidades desportivas de adotarem o sexo biológico como critério para a participação em eventos esportivos. E o projeto que transforma conselheiros tutelares em “fiscais culturais”, permitindo o livre acesso para “fiscalização” a eventos, shows e espetáculos.

 

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