
Em busca de convergências, no estado pêndulo
Pacheco retoma sua agenda,ainda sem definição se irá integrar o governo Lula, o que seria forte indicativo de que concorreria ao governo de Minas
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO

Quatro dias depois de ter visitado o assentamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, no Sul de Minas, onde assinou sete decretos de interesse social para fins de reforma agrária, Lula retorna nesta terça-feira, com agenda centrada em setores produtivos centrais da economia mineira. Visitará pela manhã o Polo Automotivo Stellantis – o maior da América Latina –, prestigiando a inauguração do centro de desenvolvimento de produtos de mobilidade híbrida-flex.
À tarde, seguirá para Ouro Branco, onde participará da inauguração da expansão da planta da Gerdau Brasil, um investimento de R$ 1,5 bilhão destinado à ampliação da produção de aço ao mercado brasileiro – especialmente setores de máquinas e equipamentos, além do automotivo. Em busca da popularidade que já esteve mais alta, Lula percorrerá o Brasil. E neste itinerário, Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, foi o estado pêndulo que deu lhe a vitória em 2022.
Pensando em 2026, para além de anúncios de investimentos sociais, em infraestrutura e apoio à produção industrial, Lula tem um desafio maior em Minas. Se no campo da extrema direita e “direita radical” sobram palanques na disputa ao governo de Minas em condições de respaldar a candidatura presidencial, no campo da direita, da centro direita, do centro e da esquerda, um único nome, neste momento, unifica um amplo leque político-partidário: o senador Rodrigo Pacheco (PSD).
De retorno das férias ao Brasil, Pacheco retoma hoje a sua agenda. Ainda sem definição se irá integrar o governo Lula, o que seria forte indicativo de que concorreria ao governo de Minas. Se Pacheco se lançar ao Palácio Tiradentes, agregará um largo leque de legendas no estado, entre as quais o MDB de Tadeu Martins Leite, presidente da Assembleia Legislativa e liderança política em ascensão. A essas legendas deverão se unir partidos de porte pequeno-médio, como o Cidadania, além das siglas de centro-esquerda, como PT, PDT, PSB e de esquerda, como Psol e Rede.
Se o cenário eleitoral mineiro com a candidatura de Rodrigo Pacheco é aquele perseguido por Lula, o contrafactual é mais complexo. Há nomes que podem ser lançados ao Palácio Tiradentes, entre os quais Tadeu Martins Leite seria aquele de maior proximidade a Pacheco e com potencial para ampliar alianças. Mas há aí outra interrogação: o projeto político do presidente da Assembleia passa pela candidatura em 2026 ao Palácio Tiradentes?
Já Alexandre Silveira, com um perfil político mais combativo – faz o enfrentamento, o que também tende a ser menos agregador – seria também candidatura alternativa desse campo político. Maior liderança no exercício de mandato executivo de grande cidade do PT de Minas, a prefeita de Contagem, Marília Campos, é também nome considerado: reelegeu-se em primeiro turno, reunindo em coligação 14 partidos políticos, da direita à esquerda; assim confinou a oposição à candidatura do deputado federal Júnio Amaral (PL) em coligação com o Novo.
Diferentemente da eleição municipal, contudo, em que Marília, num governo bem avaliado, foi hábil em se esquivar de temas que atiçam a polarização política, na eleição estadual, por vir casada à disputa nacional, essa é mágica mais desafiadora. O PT poderá encontrar, nessa hipótese, mais dificuldade para ampliar a coligação na disputa ao governo de Minas.
Das candidaturas que encabeçam as chapas ao governo de Minas, se desdobram as candidaturas ao Senado Federal. Elas se reforçam. Em contrapartida, uma cabeça de chapa nesse campo com menor potencial agregador tenderia a desestimular candidaturas mais competitivas ao Senado. Há deputados federais nesse campo político com reeleição garantida que sonham com o Senado Federal.
Mas, até onde se sabe, nenhum deles tem interesse em se lançar a uma aventura. Esta é a charada mineira para Lula resolver. E o presidente conhece bem a política. Sabe que os rios correm para o mar, assim como as forças convergem aos governos em alta. O inverso também é verdadeiro.
Nem tanto ao mar...
Quem apostar no afastamento político entre o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), poderá se decepcionar. Em posições institucionais diferentes – Rodrigo Pacheco foi presidente do Congresso Nacional até 1º de fevereiro –, não apoiaram os mesmos nomes para agências reguladoras e o conselho da Petrobras. Pacheco levava o olhar do Senado, Silveira, do Executivo. Nesse sentido, andaram se estranhando.
... nem tanto à terra
Entretando, tais disputas entre Silveira e Pacheco não se transferem ao projeto político de 2026, garantem interlocutores. Estarão juntos. Seja no PSD, seja em outra legenda, se entenderem que o projeto nacional do partido entrará em choque com o projeto político mineiro de seu campo político.
Imortal
O médico especialista em ginecologia e mastologia Henrique Salvador, presidente do Conselho de Administração da Rede Mater Dei de Saúde, tomará posse nesta sexta-feira (14), como titular da cadeira nº 61 da Academia Nacional de Medicina (ANM). A cadeira tem como patrono Luís da Cunha Feijó, conhecido como o primeiro praticante da cesariana no Brasil. Salvador se tornará imortal da instituição. A sessão solene será realizada na sede da academia, no centro do Rio de Janeiro.
Reconhecimento
A outorga do título de honorário da Academia Nacional de Medicina é um reconhecimento a profissionais da saúde cujas trajetórias contribuem para a medicina e são consideradas de efetivo valor para a humanidade. “Estou muito honrado em receber esse reconhecimento, pois é algo que almejava há algum tempo. E, após apresentar meu memorial científico, contando com o trabalho desenvolvido no serviço de mastologia da Rede Mater Dei, entre outras realizações, fui eleito por meio de uma votação expressiva para ocupar a cadeira 61”, disse Salvador.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
STM
A ministra Maria Elizabeth Rocha, de 65 anos, única mulher a integrar o Superior Tribunal Militar (STM) – instituição fundada em 1808, por dom João – será também a primeira a presidi-lo. A posse será nesta quarta-feira (10). O STM é composto por 15 ministros, sendo três almirantes da Marinha, quatro generais do Exército e três brigadeiros da Aeronáutica. Completam a corte cinco integrantes civis: três advogados, um juiz auditor e um membro do Ministério Público da Justiça Militar. Maria Elizabeth foi nomeada para o STM em 2007. No Dia Internacional da Mulher, Lula indicou a advogada Verônica Sterman para a vaga de ministra. Após a sabatina no Senado, quando tomar posse, será a segunda mulher a ocupar o cargo na história da corte.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.