
Nem todos os caminhos levam a Roma
Em Minas, o PSD são vários. Além de vocalizar a defesa do governo Lula, Alexandre Silveira faz oposição e enfrentamento ao governo de Romeu Zema
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Impulsionada pelo empresariado paulista e partidos de sua base de sustentação, à medida que ganha consistência para 2026 a candidatura ao Palácio do Planalto do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), alguns dilemas se antecipam ao PSD mineiro. Em São Paulo, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, secretário de Governo e Relações Institucionais, é o principal articulador político de Tarcísio de Freitas. Se, em princípio, Kassab defendia a candidatura de Tarcísio para o Planalto em 2030 – e articulava para ser o seu vice na chapa à reeleição de 2026 –, agora, reconsidera.
Além da incerteza em relação à recuperação da avaliação positiva do governo Lula, Kassab não ignora a pressão de atores políticos e econômicos que querem, com ou sem intervenção de Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio candidato ao Planalto. No vácuo prospectado pela ausência de Tarcísio, Kassab estaria na lista, que já tem vários nomes que se apresentam para concorrer ao governo paulista.
O apoio de Kassab a uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio deslocaria o frágil equilíbrio político do PSD, que escreve história mantendo, em longas travessias, um pé em cada canoa. São três ministérios no governo Lula, entre os quais Minas e Energia, comandado pelo mineiro e secretário geral do PSD, Alexandre Silveira. Se em São Paulo não há dúvida de que, em tal cenário eleitoral, o partido estaria fechado com a candidatura de Tarcísio de Freitas, em Minas Gerais, o quadro seria bem mais complexo. Em São Paulo, o PSD integra um só grupo político, de oposição ao governo Lula, seja por via do governo do estado, seja por via do governo de Ricardo Nunes (MDB), prefeito que Kassab ajudou a reeleger.
Mas, em Minas, o PSD são vários. Além de vocalizar a defesa do governo Lula, Alexandre Silveira faz oposição e enfrentamento ao governo de Romeu Zema (Novo). Já o senador Rodrigo Pacheco, pelo momento no PSD, mantém próxima interlocução com o presidente Lula – que gostaria de vê-lo candidato ao governo de Minas. Numa linha “soft power”, Pacheco evita o confronto aberto com Zema e seu governo. Por outro lado, a maior parte da bancada estadual do PSD, de dez deputados, está confortável na base legislativa de Romeu Zema. O presidente estadual do partido, Cássio Soares, é o líder do bloco governista
“Minas em Frente”
Ainda sem definições em Minas do PSD para 2026, Cássio Soares não descarta a interlocutores uma aproximação com a candidatura do vice-governador Mateus Simões (Novo), na hipótese de o senador Rodrigo Pacheco não concorrer ao governo do estado. Ao longo de 2024, houve conversas que sondaram eventual filiação de Mateus Simões ao PSD, uma legenda mais estruturada, da direita democrática, com maior facilidade para a construção de alianças do que o partido Novo – muito próximo do bolsonarismo. Pelo momento, tais conversas estão pausadas. Uma candidatura de Tarcísio de Freitas ao Planalto tende a favorecer esse cenário.
Cássio Soares também esteve à frente das articulações nacionais com Kassab que viabilizaram a candidatura à reeleição de Fuad Noman (PSD) em Belo Horizonte. Quando o PSD de Brasília decidiu respaldar Fuad Noman, Rodrigo Pacheco trouxe o União para a aliança, pela indicação do vice na chapa, Álvaro Damião (União). Também Alexandre Silveira entrou fortemente na campanha. Mais recentemente, em dezembro, por ocasião da eleição da presidência da Câmara Municipal, Cássio Soares integrou o grupo no entorno de Fuad que defendeu um acordo entre o governo municipal e o secretário de Estado da Casa Civil, Marcelo Aro (PP), para a eleição de Juliano Lopes (Podemos) para a presidência do Legislativo.
Sob a sombra de 2026, contudo, naquele momento, o PSD mineiro mostrou as suas fissuras: Alexandre Silveira se opôs à articulação, entendendo que o recém-eleito governo estaria sob a influência de Marcelo Aro – que integra o grupo de Romeu Zema, é candidato ao Senado e estará em um campo político adversário. Diferentes lideranças do PSD mineiro, distintas pernas e muitas canoas. A legenda vislumbra, assim, à frente de sua enseada, destinos para todos os gostos.
Teste da base
Depois de reconstituir a sua base de apoio na Câmara Municipal, o prefeito em exercício de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), colheu vitória significativa na sexta-feira. Com apoio de 27 dos 41 vereadores, manteve veto do Executivo a uma emenda à lei orçamentária de autoria de Wagner Ferreira (PV), que determinava convocação pela prefeitura de 600 guardas municipais aprovados em concurso de 2019. A nomeação custaria R$ 44,7 milhões aos cofres da PBH. O veto se justifica: a emenda extrapolava o limite de 30% do orçamento previsto. “Aos poucos, vamos mostrando que o melhor para Belo Horizonte é a construção através do diálogo”, declarou Álvaro Damião. (Alessandra Mello)
Acordo
Ao encaminhar o voto para a manutenção do veto do Executivo, o líder do governo, Bruno Miranda (PDT), considerou legítima a mobilização dos concursados aprovados, que acompanharam a votação das galerias. Ressalvou, contudo, que a LDO estabelece regras em consonância com a Constituição Federal que não foram observadas no texto. O vereador Cleiton Xavier (MDB) informou em plenário o acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte para a formação de uma mesa de negociação que irá formatar um cronograma de nomeações até dezembro deste ano. (AM)
LED na Praça Sete
Agora é lei. O Diário Oficial do Município (DOM) publicou nesse sábado a sanção do Executivo à proposição que permite a instalação de painéis luminosos de LED na Praça Sete. O projeto foi aprovado na Câmara Municipal e apelidado de ‘Times Square’ da Praça Sete. A lei acrescenta artigos ao Código de Posturas, aumentando “áreas de promoção da cidade”. O segundo artigo da lei cria a “área de promoção da cidade - Praça Sete de Setembro” para promover a modernização da paisagem do local “de modo harmônico com o processo histórico de ocupação da região, marcado pela presença de edificações de todas as épocas do desenvolvimento urbano do município”.
Esfinge
O senador Rodrigo Pacheco (PSD) retorna de férias com a família nesta segunda-feira. Tem encontro marcado com o presidente Lula, que aguarda dele algumas sinalizações. A começar se tem interesse em assumir um ministério. E, adicionalmente, se gostaria de concorrer ao governo de Minas em 2026.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.