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Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

O abre-alas planetário

Governistas batem cabeça até compreender que, para além de um governo sem marca e politicamente enfraquecido, está a dinâmica comunicacional da tecnopolítica

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O mundo anda violento, conturbado, intolerante e tomado por carnificina em guerras mais ou menos periféricas. Num leito de hospital, um papa humanista, símbolo da humildade de Francisco, pacifista, defensor de valores cristãos universais é o feixe de luz deste planeta sombrio. Faz o contraponto espiritual à ideologia nacionalista, xenófoba, manipuladora da fé, que apregoa a lei do mais forte, sob o manto do moralismo. Tudo isso enfiado no caldeirão de uma ideologia que se diz defensora da civilização “cristã”. Enquanto o papa Francisco luta para se recuperar, uma perversa rede digital dissemina informações falsas sobre o seu estado de saúde.

 

 

Tal cenário é o pano de fundo de um mundo afundado em guerra híbrida, brutalmente dividido em torno de grandes e pequenas questões, que atravessam países, estados, congressos, assembleias, câmaras municipais e instituições. Não apenas nos Estados Unidos, mas na Europa e no Brasil, a política segue conflagrada. O governo Lula luta contra taxas de aprovação sofríveis sem saber para que lado atirar.

 

Governistas batem cabeça até compreender que, para além de um governo sem marca e politicamente enfraquecido, está a dinâmica comunicacional da tecnopolítica. A centralidade das comunicações foi deslocada e está sob comando de algoritmos. Mas não só Lula e o campo progressista estão em apuros, sob o temor da ascensão da extrema direita em 2026, num eventual segundo mandato com maior voracidade e ímpeto para completar o que foi iniciado sob o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

As instituições democráticas estão na alça de mira. O empresariado brasileiro e os políticos de centro já compreenderam que essa instabilidade institucional não interessa ao país. Bolsonaro tem a corda no pescoço, ao centro de uma conspiração golpista. Segue ansioso por manter sob a sua rédea curta o domínio do campo da extrema direita e da direita que a orbita, invocando a intervenção no Brasil pelos Estados Unidos, pelas big techs, seja lá por quem o livre de seus malfeitos.

 

 

A turbulência política global e nacional transborda sobre as sucessões estaduais. Em Minas Gerais, a sucessão de Romeu Zema (Novo) está confrontada pelo clássico problema: embora razoavelmente bem avaliado, lança sobre a candidatura do vice-governador Mateus Simões (Novo) – ainda pouco conhecido do eleitorado e mais técnico do que carismático – a aposta de que o Palácio Tiradentes conseguirá impulsioná-lo ao segundo turno.

 

Simões está sob a ameaça da divisão de seu campo com a candidatura do senador Cleitinho (Republicanos), que carreará o PL e a narrativa bolsonarista ao mesmo barco. Simões tem também à sua frente os potenciais candidatos Alexandre Kalil (sem partido), ex-prefeito de Belo Horizonte, carismático, mas ainda sem estrutura de campanha.

 

E também o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que virá com o impulso do eleitorado de centro-direita, centro e de esquerda, respaldado pelo governo federal, que precisará se recuperar para tornar-se cabo eleitoral de peso. A depender de como evoluirão as candidaturas, a esquerda que Simões tanto critica poderá lhe ser necessária em algum cenário prospectivo.

 

Apesar dos muitos conflitos e dilemas, por alguns dias crianças, mulheres, homens, trans, não binários, agêneros, fluidos, bigêneros, poligêneros, neutros, andróginos... tomarão as ruas.

 

 

A alegria será o reino. Dos céus, a astrofísica comandará outro espetáculo. Nesta sexta-feira, quando a penumbra encobrir a composição do espalhamento de cores vibrantes deixadas pelo rastro do sol, entrará em cena o desfile planetário. Sem fantasias e a olho nu, a folia de Saturno, Mercúrio, Netuno, Vênus, Urano, Júpiter e Marte se mostrará à Terra. É uma rara parada, alinhada em eclíptica. Novo desfile do gênero em nosso sistema solar ocorrerá apenas em 19 de maio de 2161. Nenhum de nós estará aqui para acompanhá-lo. Por isso, hoje, ao cair da noite, a política pode esperar. O universo chama. Já na virada da madrugada, sob a proteção dos planetas, a luz encantará as ruas de Belo Horizonte. Então, brilha!

 

Na folia

 

O prefeito em exercício, Álvaro Damião (União), vai pôr o pé na folia. Sairá no bloco Volta Belchior. Não estará sozinho. É grande o time de vereadores que vão engrossar o carnaval de rua todos os dias: Juliano Lopes (Podemos), presidente da Câmara Municipal; Cida Falabella (Psol), Iza Lourença (Psol), Juhlia Santos (Psol), Pedro Rousseff (PT), Pedro Patrus (PT), Luiza Dulci (PT), Bruno Pedralva (PT), Marcela Trópia (Novo), Helton Junior (PSD) e Cláudio do Mundo Novo (PL), entre outros.


Crush

 

Primeira folia como vereador eleito, Pedro Rousseff abriu o carnaval nas suas redes anunciando apoio a quem estiver precisando de ajuda para encontrar um crush. Pousou ao lado da placa: “Ministro do namoro”, indagando: “Carnaval tá começando! Precisa de ajuda para achar um crush?” Sobrinho neto da ex-presidente Dilma Rousseff, Pedro quer dedicar o seu mandato à internacionalização de Belo Horizonte, atraindo empresas capazes de promover desenvolvimento tecnológico, revitalização das áreas do centro e espaços públicos para o florescimento do comércio, bares, restaurantes e da vida noturna.

 


Fora de combate

 

Depois de sair em vários blocos do pré-carnaval, o líder do governo, Bruno Miranda (PDT), vai viajar com a família. Já o vereador Bráulio Lara (Novo) aprecia a folia, mas está se recuperando de uma cirurgia.

 

Nova lei

 

Depois de profunda pesquisa e imersão na realidade e circunstâncias de todos os atores envolvidos no carnaval de rua de BH, foi aprovado o Projeto de Lei 969/24, conhecido como Lei Geral do Carnaval. “Ela organiza essa festa que é a maior manifestação popular de Belo Horizonte. Reconhecemos o caráter do carnaval em suas muitas especificidades, democrático, de livre trânsito, com pautas de direitos humanos e que luta contra o racismo”, afirma Cida Falabella, relatora do grupo de trabalho que propõe o projeto, integrado também pelas vereadoras Marcela Trópia (Novo) e professora Marli (PP) e pelo vereador Petro Patrus (PT). “A lei veio organizar o que já acontece, garantindo carnaval plural, sem cordas, sem abadá e sem monopólio”, acrescenta Cida. A matéria ainda não foi para sanção, porque segue na Comissão de Legislação e Justiça para a redação final.

 

As pautas

 

São pautas prioritárias do governo Zema na Assembleia Legislativa, apresentadas pelo secretário de Governo, Marcelo Aro (PP), ao presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB): a proposta de emenda à Constituição (PEC) que barra consulta popular para privatização da Copasa e da Cemig e a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que inclui a preparação de outras empresas estatais para federalização. Ainda apostando que derrubará os vetos de Lula ao Propag, contudo, o governo Zema ainda não sabe precisar as condições exatas em que fará a adesão.

 

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Solta a voz

 

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Ramom Tácio de Oliveira, performou uma apresentação musical no Centro Cultural da Justiça do Trabalho, a convite da presidente do Tribunal Regional do Trabalho, desembargadora Denise Alves Horta. Ramom, que compõe e canta, inovou em sua posse e em outras solenidades em que foi homenageado, levando o violão e pedindo o microfone.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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