
Segue a sina. E o jogo
Bolsonaro ainda dá sinais de vida tão somente em decorrência de um governo Lula que se esvai em sua hemorragia
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Em sua estratégia eleitoral de cercar o maior número possível das 54 cadeiras do Senado Federal que estarão em disputa em 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue atropelando aliados para demarcar o território por todo o país. Foi a vez de Minas Gerais. Por aqui descarregou os seus feromônios, mandou vários recados aos integrantes mineiros do PL, em entrevista concedida ao canal do jornalista Léo Dias.
Disse que o PL de Minas não tem “bons nomes” ao Senado, dando a primeira rabanada sobre aqueles que lançaram o balão de ensaio. Atingiu o deputado federal Domingos Sávio, presidente do partido no estado; além do deputado federal Eros Biondini.
Aproveitando que já estava em campo farejando o território do segundo maior colégio eleitoral do país, Bolsonaro deu um puxão de orelha público no deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que em dobradinha com Biondini trabalha pela aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a idade mínima para a candidatura ao Senado de 35 anos para 30 anos.
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Nikolas Ferreira terá 30 anos em maio de 2026 e gostaria de concorrer ao Senado Federal: “Conversei com ele sobre isso: ‘não deixa a fama subir à cabeça’. Ele tem a cabeça no lugar”.
Ao lançar o carioca Paulo Guedes ao Senado por Minas, Bolsonaro apertou o cerco. Sem qualquer vínculo, identidade ou compreensão da cultura mineira, uma candidatura do gênero pode soar abuso da hospitalidade mineira. Contudo, embora a moda de forasteiros na política do estado, ao que tudo indica, tenha chegado para ficar, a avaliação de alguns políticos mineiros é de que, “noves fora”, Paulo Guedes não sairá por Minas.
No mesmo embalo em que mostrou as cartas para o Senado em Minas, Bolsonaro cuidou dos seus. Reiterou a distribuição das candidaturas de seus três filhos e da atual esposa, Michelle Bolsonaro, por diferentes unidades da federação: Eduardo Bolsonaro (PL) concorrerá ao Senado por São Paulo, Flávio Bolsonaro (PL) à reeleição pelo Rio, Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado pelo DF e o “04” (Renan Filho), atualmente vereador em Camboriú, disputará a Câmara dos Deputados. Pelo momento, não mencionou o filho Carlos Bolsonaro (PL), vereador no Rio. Deseja, pelo controle do Senado, concluir o que não conseguiu, em 8 de janeiro.
Bolsonaro ainda dá sinais de vida tão somente em decorrência de um governo Lula que se esvai em sua hemorragia. Além de não apresentar um projeto alternativo ao país, encontra grande dificuldade de governabilidade junto ao Congresso, o que tende a piorar, no contexto de inflação de alimentos – que não é exclusiva do Brasil.
Soma-se a essas situações, a atuação adversa dos algoritmos, a serviço da extrema direita global. Os setores empresariais brasileiros não querem saídas autoritárias. Sabem muito bem onde isso termina. Querem ver Lula pelas costas, mas desejam estabilidade institucional e previsibilidade para seus negócios.
Inelegível e com a corda no pescoço pela gravidade das denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro está fora das eleições de 2026, mas insistindo em se manter em cena para mostrar “quem manda” no campo da extrema direita e direita. Assim dificulta a consolidação de uma candidatura dos governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo) que transitam na órbita bolsonarista.
O cenário brasileiro é sombrio, assim como era o alemão. Lá, entretanto, o centro, que como aqui é de direita, chegou a uma maioria na reta final. Tal vitória deve-se, também, a um novo componente na política alemã, que em votos teve apenas 8,8% do eleitorado: Heide Reichinnek, de 36 anos, foi quem sacudiu a sociedade alemã, puxando grandes manifestações em denúncia à ascensão da extrema direita.
Assim ela foi, pelo momento, contida no chamado cordão sanitário. Bem, lá eles conhecem bem de perto o que é o totalitarismo e isso ajuda. No Brasil, a nave segue seu curso sem comandantes e sem rumos, no policromático espectro das legendas nacionais. O corolário de ser periférico economicamente é ser marginal na política.
Em seu tempo
Em quatro reuniões com o prefeito em exercício, Álvaro Damião (União), os sete vereadores do PT e do Psol – que o apoiaram no segundo turno das eleições à Prefeitura de Belo Horizonte – ainda não conseguiram acertar como será a participação na administração municipal. Por um lado, o PT tem tido o cuidado de indagar: “Em que secretarias o prefeito gostaria de ter o PT?” Mas, por outro lado, com Fuad Noman (PSD) ainda internado e afastado da cena política, Álvaro Damião tem pedido tempo, na expectativa do retorno do titular. Não deseja tomar nenhuma decisão sem consultar Fuad Noman antes. PT e Psol querem integrar o governo. Mas, até que a relação esteja formalizada, ainda não se consideram na “base” do governo no Legislativo municipal.
Na pauta
A agenda do presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), a ser tratada com o prefeito em exercício, Álvaro Damião, está pronta. Além da renovação dos contratos de concessão de ônibus, que vencem em 2028 e já será discutida no Legislativo, em comissão constituída, temas prioritários apontados pela Câmara para conversar com a PBH são os seguintes: a população em situação de rua, a Lagoa da Pampulha, o plano diretor e a mobilidade urbana. “O novo ramal do metrô até o Barreiro tem inauguração prevista em 2027. É importante conversarmos se vale a pena manter o projeto do BRT na Amazonas, já anunciado pelo governo municipal, previsto para ficar pronto em 2028”, diz Juliano Lopes.
Liderança
Em seu sexto mandato parlamentar, o deputado federal Mário Heringer (PDT-MG), que é presidente estadual do PDT, assumiu a liderança da bancada da legenda na Câmara dos Deputados, em substituição ao gaúcho Afonso Motta. São 18 parlamentares pedetistas.
“Não nos representa”
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) contesta a decisão da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) – que tem atuação restrita a São Paulo – de conceder o título de “Economista do Ano” ao presidente da Argentina, Javier Milei. O argentino enfrenta grave denúncia de fraude financeira envolvendo criptomoedas. O Cofecon ressalta, também, que a OEB é uma entidade privada que reúne um pequeno grupo de cidadãos, economistas ou não, e não tem qualquer atribuição normativa, fiscalizatória ou representativa sobre a profissão de economista. “Nos termos da legislação vigente no Brasil (Lei 1.411/1951), cabe exclusivamente ao Conselho Federal de Economia e aos Conselhos Regionais de Economia a regulamentação e fiscalização do exercício da profissão no país, incluindo o registro profissional obrigatório para o desempenho da atividade”, assinala a entidade.
Pedágios
A Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia fará nesta quinta-feira audiência pública para discutir o plano de concessões das rodovias pertencentes ao Vetor Norte da região metropolitana e o seu impacto para a população dos municípios envolvidos. O requerimento foi do deputado Mauro Tramonte (Republicanos). O Vetor Norte abrange 123,4 quilômetros de rodovias, incluindo trechos das MG-424 e LMG-800. As obras afetarão 13 municípios, com previsão de instalação de 12 praças de pedágio. Estão previstos investimentos de R$ 4,4 bilhões. O leilão deve ocorrer entre o fim de abril e o início de maio. A perspectiva de cobrança de pedágio está provocando forte reação na Câmara Municipal de BH e na Assembleia Legislativa, com abaixo-assinado em curso.
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E mais pedágios
Em 12 de março, também a Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social irá promover audiência pública para debater os impactos da instalação das 12 praças de pedágios para as rodovias MG-010, MG-424 e LMG-800, ao longo do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com valores que podem ultrapassar R$ 20 diariamente. O requerimento foi dos deputados Lohanna (PV) e Betão (PT).
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.