
Entre montanhas e cenários eleitorais
Com apoio de Zema, vice-governador Mateus Simões (Novo) se posiciona entre Pacheco e Cleitinho na disputa pelo Palácio Tiradentes
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Se no plano nacional, o cenário eleitoral de 2026 ainda se apresenta movediço, em Minas Gerais, a sucessão de Romeu Zema (Novo) se delineia com alguma nitidez em torno de três candidaturas majoritárias – a do senador Cleitinho (Republicanos), a do vice-governador Mateus Simões (Novo) e a do senador Rodrigo Pacheco (PSD) – e uma quarta, ainda a depender da futura filiação partidária do ex-prefeito Alexandre Kalil, está indefinida.
Entre todos os possíveis cenários, até aqui, a articulação entre PL e Republicanos em torno de Cleitinho está mais avançada. Se por um lado os novos liberais irão indicar o vice, por outro, há quatro potenciais candidatos ao Senado Federal: o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), que vai se licenciar da Câmara dos Deputados para organizar a futura candidatura, além dos deputados federais Domingos Sávio (PL), presidente estadual do partido, e Eros Biondini (PL).
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Mais recentemente, tem sido cogitado ao Senado Federal também o deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos). Como cada chapa pode lançar até duas candidaturas ao Senado, a composição do PL com o Republicanos tem mais nomes do que vagas para a chapa majoritária.
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Dentro da estratégia nacional de Jair Bolsonaro de “blitzkrieg” sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), não só em Minas, mas em todas as unidades federativas, o “test drive” definidor das indicações do campo para concorrer ao Senado será a intensidade da disposição individual de candidatos se lançarem, caso eleitos, à cruzada pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Sobretudo, Alexandre de Moraes, e Flávio Dino são os alvos preferenciais, a esta altura, também da extrema direita global. Nesse campo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), atualmente com 28 anos – que pode se beneficiar de alteração da Constituição para reduzir de 35 para 30 anos a idade mínima de candidatura ao Senado – e o deputado estadual Bruno Engler (PL) provavelmente serão os puxadores de voto mineiros da extrema direita para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
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Atualmente no PSD, mas circulando com desenvoltura pelo União e pelo MDB, o senador Rodrigo Pacheco é a candidatura de centro-direita com potencial para abarcar o espectro eleitoral à esquerda. São possibilidades para candidaturas ao Senado Federal, além de Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia, os deputados federais Mário Heringer (PDT) e Reginaldo Lopes (PT) e o deputado estadual João Vítor Xavier (Cidadania).
A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), é cotada para concorrer também ao Senado, mas igualmente considerada para ser candidata a vice na chapa. Contudo, o dilema se deixará a prefeitura para concorrer em 2026 ainda não está posto para ela.
Com o apoio do governador Romeu Zema, Mateus Simões é o nome anunciado ao Palácio Tiradentes que se coloca ideologicamente entre a candidatura de Rodrigo Pacheco e a de Cleitinho. Nesse grupo político, para o Senado Federal, e com organização avançada, está posta, até aqui, uma única candidatura, a do secretário de Estado de Governo e articulador político do Executivo, Marcelo Aro (PP).
Há possibilidades e desafios para esse campo, que sai na corrida eleitoral com a força da máquina do estado, mas buscando o seu espaço político entre o campo da extrema direita e a centro-direita, que carreará o apoio da esquerda.
Em que pese as variáveis da tecnopolítica a conformar as disputas eleitorais, um governo bem avaliado, com estrutura e capilaridade para interagir com as prefeituras, segue como ativo importante. Como desafio político de Mateus Simões, neste momento, está a divisão do campo da direita.
Entre as grandes e médias legendas sem candidatura própria, o União e o PT tendem a Rodrigo Pacheco, o PP, a Mateus Simões. E o MDB tem no presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite, uma liderança em ascensão, o caminho de 2026 ainda em aberto.
Dom Mol
Será em 10 de maio a posse de dom Joaquim Giovani Mol Guimarães como bispo coadjutor da Diocese de Santos, em São Paulo. Ex-reitor da PUC Minas, dom Mol era bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte. O pedido para a transferência foi apresentado ao papa Francisco por dom Tarcísio Scaramussa, que comanda a diocese, responsável por nove municípios da Baixada Santista, entre eles, Peruíbe, Cubatão, Guarujá, São Vicente e Praia Grande. Dom Tarcísio irá completar 75 anos no próximo 19 de setembro, idade em que, de acordo com o Código de Direito Canônico, o bispo diocesano apresenta a renúncia do ofício ao papa. Dom Mol irá sucedê-lo.
Carreira
Sintonizado com o magistério do papa Francisco, licenciado em filosofia e mestre em teologia, dom Joaquim Mol foi professor e pesquisador da PUC Minas entre 1990 e 2022, instituição que comandou como reitor por 15 anos, entre 2007 e 2022. Também lecionou no Instituto de Filosofia e Teologia Santo Tomás de Aquino, ISTA (1990-2005), no Instituto Marista de Ciências Humanas (1992-1995) e no Instituto Regional de Pastoral Catequética. Foi fundador e coordenador do Instituto Superior de Pastoral PUC Minas, Ispal (1998-2011) e da Revista Horizonte, de estudos de Teologia e Ciências da Religião da PUC Minas. Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Mol presidiu a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação, de 2011 a 2015 e também a Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, de 2015 a 2023.
Cidadão honorário
O jurista e professor Hermes Vilchez Guerrero, diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) será homenageado na Assembleia Legislativa, em 17 de março, com o título de cidadão honorário. O requerimento é de autoria do deputado estadual Roberto Andrade (PRD).
Direitos da natureza
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa considerou constitucional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/23, que atribui à natureza direitos inerentes à sua existência. A deputada Leninha (PT) é a primeira signatária; outros 25 parlamentares assinam a proposta, que impõe ao poder público e à sociedade o dever de defender a natureza e zelar por sua proteção e recuperação. Os parlamentares autores justificam que a legislação brasileira está centrada nos seres humanos, sendo necessário incluir no ordenamento jurídico “o bem-estar da Terra” e de todos os seus componentes não humanos, em consonância com iniciativas de outros estados brasileiros e com precedentes internacionais, especialmente do Equador, da Bolívia e da Nova Zelândia.
Comissões extraordinárias
A Assembleia Legislativa terá quatro comissões extraordinárias, com atuação por um ano e possibilidade de prorrogação dos trabalhos por até mais um ano. São elas as comissões de Educação Profissional e Tecnológica; de Defesa da Habitação e da Reforma Urbana; de Prevenção e Enfrentamento ao Câncer; e de Turismo e Gastronomia.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.