
Celular: uma bomba-relógio na mão de uma criança
Crianças e adolescentes estão reaprendendo a se comunicar olhando olho no olho
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO

Entregar um celular na mão de uma criança, dar um celular para uma criança e deixá-la mergulhada naquela tela por horas, sem supervisão, é como entregar para ela uma bomba-relógio. Essa bomba vai explodir, só não se sabe se a explosão se dará na infância ou na adolescência.
Você deixaria sua filha, seu filho, sua neta, seu neto, solto no meio da Praça Sete, Região Central de Belo Horizonte? Certamente não, porque ali você sabe que existem muitos perigos; a criança pode ser atropelada, sequestrada, molestada etc. Mas quando você entrega um celular para uma criança, com acesso à internet, ela está sujeita a muitos perigos, embora você possa não fazer ideia disso.
Você deixaria sua criança consumir álcool, drogas, fumar cigarro? Obviamente que não, você também sabe dos riscos. Na internet, a criança não vai usar drogas, nem beber álcool, nem fumar um cigarro, também não será atropelada ou sequestrada. Mas correrá outros riscos, tão graves quanto esses.
Naquela telinha, eles conseguem acessar pornografia, a mais nojenta possível, e tem crianças de 8 anos se viciando nisso. Nesse aparelhinho inofensivo, eles aprendem sobre autolesão, sobre formas de tirar a própria vida. Ali, eles sofrem ou praticam cyberbullying. Já existe até o crime de estupro virtual, sim, abusos também ocorrem online. Acessam jogos de apostas online, e se viciam. A dependência em apostas é equivalente à dependência em drogas.
Não por acaso, a lei que proíbe o uso de celular nas escolas foi aprovada. O objetivo do PL 4.932/2024 é proteger a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes. O resultado já está sendo visto, crianças e adolescentes estão reaprendendo a se comunicar olhando olho no olho. No recreio agora eles brincam e interagem, se movimentam, socializam. Outra vantagem da proibição é que o argumento “ah, mas todos os meus colegas têm celular” acaba. A criança sem celular deixa de ser exceção e vira regra. Agora, pelo menos no ambiente escolar, eles estão protegidos.
- Relato de professor: a sala sem celular
- Nativos digitais e analfabetos sociais: o celular e a sala de aula
Eu sei que em casa às vezes é difícil. A mãe, sempre sobrecarregada, tem um milhão de coisas para fazer e acaba recorrendo ao celular. Que tal trocar a telinha do aparelho pela tela da TV, colocar um filme adequado para a faixa etária para a criança assistir? Isso garante a sua horinha de paz, e você sabe o que a criança está consumindo. Dos males, o menor. As mães separadas se queixam que na casa dos pais os filhos não têm regras, usam celular quando querem, passam horas em jogos violentos no videogame. Outras mães se queixam de que alguém da família deu um celular para a criança sem o seu consentimento.
Querida família, o uso de celulares causa alterações no humor, prejuízos na autoestima e isolamento social, além de tudo o que já descrevi acima. Se vocês querem o melhor para as crianças, repensem! Se você quer o bem de uma criança, não deixe ela ter um celular, nem mesmo ficar pegando o seu celular emprestado. Se nós, adultos, que vivemos uma infância e adolescência sem internet, já sucumbimos ao vício em telas, imagine o estrago que isso pode fazer para pessoas cujo cérebro ainda está se desenvolvendo? Quem ama, limita.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.