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Bebel Soares
Bebel Soares
PADECENDO

Mãe de videogame

Como pais e mães, nosso papel é orientar, definir limites, conversar sem julgamento, especialmente ouvindo o que eles têm a dizer

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Quando nossos filhos eram crianças, a gente ouvia que “filho é igual videogame, cada fase é mais difícil”. Amigas, fizemos uma leitura equivocada dessa frase, e só agora me dei conta disso. A gente se imagina jogando videogame e passando as fases, à medida que vamos treinando e nos aperfeiçoando. Só quando a gente entra na fase “mãe de adolescente” é que a gente descobre que não somos as jogadoras, nós somos o monstrinho do jogo, cujos jogadores estão tentando abater - as mães de videogame.

 
A geração dos nossos filhos não é pior do que as anteriores, só é desafiadora para nós, porque têm muitos elementos novos que não fazem parte do nosso repertório. A começar pela internet e pelas redes sociais (ou seriam antissociais?). No geral, cada nova geração vai parecer pior. Para os nossos avós, a nossa era terrível; imagina o que era, para eles, mulher fazer sexo antes do casamento? Para os nossos pais, beijo sem estar namorando, ter mais de um parceiro sexual, mesmo que seja namorado, antes do casamento. Isso porque não se casar nem era uma opção.

 


A gente lidava com a sexualidade assim: ou você gosta de homem, ou você gosta de mulher. Ou seja. Você era hetero ou homossexual. E ser homossexual já era difícil de aceitarem, havia toda aquela dificuldade para “sair do armário”, todo aquele medo do julgamento. O que poderia existir para além disso sempre foi tabu e, por isso, sempre foi reprimido.

 


Agora, eles ampliaram o repertório e a gente tem que lidar com uma sigla gigante LGBTAPN+ e quase ninguém consegue, ou tenta, sequer decorar o que é cada letra dessas. A sigla que abrange pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuais, pan, não-binárias e mais. Ser homossexual já não é uma questão para a maioria. O casamento entre pessoas do mesmo sexo agora é permitido por lei, assim como casais do mesmo sexo têm seus próprios filhos.


Então, os jovens foram descobrindo que existe mais sobre a sexualidade. Freud nunca disse que a sexualidade era binária. Talvez sejamos bissexuais que, por questões culturais, reprimimos o desejo que é considerado inadequado. Tabus são proibições sociais que definem comportamentos considerados impróprios ou inaceitáveis. Adolescentes questionam o mundo, questionam normas, rompem tabus.

 


Eles querem experimentar como seres humanos, seres eróticos. Os tabus que estão em nós geram esse conflito que está presente entre todas as gerações. Para além da questão do desejo, temos a questão do respeito, dos limites. Nesse caso, nossa geração de pais precisa fazer um “mea culpa”: somos uma geração permissiva demais, que tem dificuldade de estabelecer limites, que deixa crianças serem educadas com celular na mão, vendo conteúdo inadequado para a idade, sem nenhuma supervisão. Filhos educados por youtubers sem educação. E, mesmo aqueles que passaram a infância ilesos, sem acesso ou com acesso restrito a esses conteúdos, hoje têm que conviver com aqueles que tiveram como exemplo os péssimos exemplos.

 


Isso vai se refletir no convívio social, no bullying e no cyberbullying. Para quem está tentando descobrir a própria identidade - esse “quem sou eu no mundo” -, buscando referências na construção do “EU”, o jogo é cruel.


Como pais e mães, nosso papel é orientar, definir limites, conversar sem julgamento, especialmente ouvindo o que eles têm a dizer, porque eles têm muitas dores. Tem dia que a gente vai dormir com aquela sensação de “Game Over”, sentindo que a gente foi abatido no final; em outros, a gente vai sentir que conseguiu jogar junto e vencer os monstros. E que continuem os jogos!

 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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