Anna Marina*
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ANNA MARINA

Bariátrica a partir dos 14 anos: novos critérios e desafios

Dados recentes indicam que cerca de 25% dos adultos no Brasil já apresentam obesidade, refletindo um desafio para a saúde pública

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Dr. Sallet, especialista em cirurgia bariátrica e metabólica, apresenta trabalhos científicos e discute, em Belo Horizonte, avanços como cirurgias revisionais, novos critérios de indicação e protocolos para uma recuperação mais segura

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Apesar do crescente uso das canetas emagrecedoras, a obesidade continua avançando no Brasil e no mundo. Segundo projeções do Atlas Mundial da Obesidade para 2026, estima-se que aproximadamente 20% da população adulta global está obesa.


No Brasil, a tendência de crescimento é maior: dados recentes indicam que cerca de 25% dos adultos já apresentam obesidade, refletindo um desafio para a saúde pública.


É neste contexto que o cirurgião do aparelho digestivo Dr. José Afonso Sallet, médico-diretor do Instituto de Medicina Sallet, com mais de 25 anos de experiência na área, traz à capital mineira temas de extrema relevância para o futuro da saúde, durante o 26º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, que começou na última quarta-feira (30/9) em BH e termina nesta sexta (2/10).


Quem me segue sabe que fiz a cirurgia bariátrica com o dr. Marcos Martins da Costa há quase 10 anos, com grande sucesso. Todos os meus problemas de saúde acabaram e recomendo a cirurgia para todos que precisam.


Dr. Sallet participa de mesas de discussão e apresenta cinco trabalhos científicos relacionados à segurança cirúrgica e à recuperação ultrarrápida. Além disso, o médico coloca em evidência a adolescência sob a lupa da cirurgia bariátrica. Afinal, em quais situações uma intervenção cirúrgica pode fazer parte do tratamento de um adolescente com obesidade grave?


Para o especialista, a discussão exige ir além do peso corporal. “A bariátrica moderna não é mais sobre o tamanho da balança, mas sobre o controle metabólico e a qualidade de vida a longo prazo. Ver pacientes mais jovens buscando suporte ou pacientes já operados necessitando de revisão exige que a conduta médica seja estritamente técnica, individualizada e focada em acompanhamento multiprofissional contínuo”, ressalta.


A atualização das regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), publicada em 2025, passou a reconhecer a cirurgia para pacientes com 14 anos ou mais em casos de obesidade grave, com IMC superior a 40, associada a complicações clínicas, mediante avaliação de equipe multidisciplinar e consentimento dos responsáveis. Para adolescentes, a norma também considera aspectos como maturidade psicológica e fisiológica, capacidade de compreender riscos e benefícios e suporte familiar.


Outro tema de impacto é a mudança nos critérios de indicação para adultos. A Resolução CFM nº 2.429/2025 passou a considerar pacientes com IMC entre 30 e 35 para cirurgia quando apresentam determinadas doenças associadas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave com lesão de órgão-alvo, apneia do sono grave, doença hepática gordurosa com fibrose, refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica e osteoartrose grave. A norma reforça, ainda, que a cirurgia integra um tratamento multidisciplinar e que o acompanhamento após o procedimento é fundamental.


As cirurgias revisionais também ganham espaço. Reganho de peso, refluxo, alterações anatômicas, complicações ou resultados insatisfatórios podem levar pacientes que já passaram por uma bariátrica a necessitar de uma nova intervenção. A avaliação desses casos exige investigação individualizada e domínio de diferentes técnicas, como bypass gástrico e sleeve.


Outro destaque do congresso será a discussão sobre segurança cirúrgica e protocolos de recuperação acelerada, como o ERAS (Enhanced Recovery After Surgery). A estratégia reúne medidas aplicadas antes, durante e depois da cirurgia, com o objetivo de reduzir o impacto do procedimento, favorecer a recuperação e diminuir o tempo de internação quando houver condições clínicas para isso.


O encontro deve reunir mais de 1,7 mil profissionais de saúde, 218 palestrantes nacionais e internacionais e uma programação com 223 aulas, conferências, debates e atividades científicas sobre os avanços no tratamento da obesidade.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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