Durante muito tempo, estar solteiro foi associado à ideia de espera
O principal é a forma como cada indivíduo encara sua situação; uma visão mais positiva da solteirice favorece a disposição para ampliar os horizontes pessoais
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A pessoa sem parceiro era vista como alguém que ainda não tinha encontrado a companhia ideal ou que estava em uma espécie de intervalo até o próximo relacionamento.
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Um novo estudo apresenta uma visão diferente sobre essa fase da vida. A pesquisa aponta que estar solteiro(a) pode representar uma oportunidade importante de crescimento pessoal, especialmente quando é encarada como um período de descobertas, autonomia e novas experiência
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O trabalho foi publicado na revista Personality and Social Psychology Bulletin e analisou a relação entre a maneira como pessoas solteiras enxergam sua condição e diferentes indicadores de bem-estar. Os pesquisadores investigaram um conceito chamado “potencial de expansão pessoal na solteirice”.
Em termos simples, trata-se da percepção de que estar sem um relacionamento pode abrir espaço para experimentar coisas novas e desenvolver diferentes aspectos da própria identidade.
A ideia de expansão pessoal já era bastante estudada dentro de relacionamentos amorosos. Pesquisas anteriores mostravam que parceiros podem estimular um ao outro a conhecer lugares, aprender habilidades, mudar hábitos e experimentar novas atividades.
O novo trabalho amplia essa discussão ao perguntar se processos semelhantes também podem acontecer quando a pessoa está solteira. Pesquisadores fizeram três estudos com cerca de 600 participantes, com idades entre 17 e 76 anos, nos Estados Unidos e no Canadá.
Os resultados indicaram uma associação consistente entre uma visão mais positiva da solteirice e maior disposição para buscar experiências capazes de ampliar os horizontes pessoais.
Entre essas experiências estavam viajar, experimentar restaurantes diferentes, praticar esportes, aprender novas habilidades e participar de atividades desconhecidas. A novidade é que as pessoas apresentaram maior satisfação com a condição de estarem sozinhas. Elas demonstraram menor medo de permanecer solteiras e relataram níveis mais elevados de autonomia, competência e conexão social.
Os resultados não indicam que pessoas solteiras sejam mais felizes do que pessoas que mantêm relacionamentos amorosos.
A principal questão está na forma como cada indivíduo vê e sente sua situação. Essa diferença de percepção pode influenciar diretamente a maneira como a pessoa vive o cotidiano. Indivíduos com maior autoestima e maior satisfação com a própria solteirice tendiam a enxergar mais possibilidades de crescimento.
Pessoas mais ansiosas com a possibilidade de permanecer solteiras eram menos propensas a perceber esse potencial.
Estar solteiro não significa viver isolado. Amigos, familiares, colegas e grupos sociais podem desempenhar papel fundamental na criação de novas experiências. Até 82% das atividades consideradas capazes de promover expansão pessoal foram realizadas com amigos ou familiares.
Uma viagem sozinho, um curso, um novo hobby ou uma atividade esportiva podem ampliar conhecimentos e modificar a maneira como uma pessoa enxerga a si mesma. O conceito de expansão pessoal está ligado a novas experiências, perspectivas, competências e possibilidades de identidade.
Ninguém precisa gostar de estar solteiro, nem deve ser convencido de que precisa abandonar o desejo de construir uma relação. O ponto central é reconhecer que diferentes fases da vida podem oferecer diferentes oportunidades.
Em vez de perguntar apenas quando chegará o próximo relacionamento, talvez algumas pessoas possam perguntar o que ainda podem descobrir sobre si mesmas enquanto ele não chega.
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Essa mudança de perspectiva pode transformar a solteirice de um período de espera em uma etapa ativa da vida. E, para quem souber aproveitá-la, ela pode se tornar uma oportunidade de crescimento que não depende de ter alguém ao lado.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.