Anna Marina*
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SAÚDE

Dormir até mais tarde no sábado e domingo não apaga a semana de cansaço

Sono irregular aumenta os riscos de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e transtornos de humor

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Chega a sexta-feira e pensamos que no fim de semana vamos tirar a barriga da miséria: “No sábado e domingo, vou dormir sem hora para acordar”. Crentes que se acordarmos meio-dia ou uma da tarde todo o cansaço da semana vai embora. Mas será que duas manhãs de descanso conseguem compensar uma semana inteira de noites maldormidas?

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A resposta é simples: ajudam, mas não resolvem.

A ciência chama o fenômeno de jet lag social, termo que descreve o conflito entre o relógio biológico e a rotina imposta pelos compromissos da vida moderna. Não é preciso viajar para outro país nem atravessar fusos horários. Basta dormir pouco durante a semana e mudar completamente os horários de sono no fim de semana para que o organismo sinta os efeitos disso.

O relógio biológico, que está no cérebro, coordena uma série de funções essenciais. Ele regula a produção de hormônios, controla a temperatura corporal, influencia o metabolismo, determina os momentos de maior disposição e prepara o corpo para dormir. Esse sistema funciona melhor quando recebe sinais constantes. Horários regulares de dormir e acordar ajudam o organismo a manter o equilíbrio.

O problema é que a rotina da maioria das pessoas está longe da regularidade. Muitos acordam antes do horário em que o corpo naturalmente despertaria. Dormem tarde, porque precisam concluir tarefas, estudar, cuidar dos filhos ou simplesmente demoram a “desligar os plugs” após um dia intenso. O resultado é a dívida de sono, que vai aumentando silenciosamente.

Quando chega o sábado, o organismo tenta recuperar o prejuízo. Dormir algumas horas a mais realmente reduz a sensação de fadiga. O humor melhora, a atenção aumenta e o corpo parece agradecer. Mas a recuperação é apenas parcial. Diversos estudos mostram que noites consecutivas de privação de sono afetam memória, concentração, tempo de reação, criatividade e capacidade de tomar decisões.

Outro efeito importante surge na segunda-feira. Quem dorme até muito tarde no sábado e no domingo costuma ter dificuldade para pegar no sono na noite de domingo, começando a semana cansado. É justamente por isso que o termo jet lag social faz tanto sentido.

Pesquisas associam o sono irregular ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e transtornos de humor. Hormônios relacionados à fome e à saciedade também sofrem alterações quando dormimos pouco.

O cérebro paga um preço elevado. Durante o sono, ocorrem processos fundamentais de consolidação da memória, organização das informações aprendidas ao longo do dia e eliminação de resíduos produzidos pela atividade cerebral. Quando o processo é interrompido repetidamente, o rendimento intelectual diminui.

Dormir mais no fim de semana não é errado. Pelo contrário. Mas especialistas recomendam que a diferença entre o horário de acordar durante a semana e nos fins de semana seja, de preferência, inferior a duas horas. Dessa forma, o relógio biológico poderá permanecer mais sincronizado.

Em vez de compensar o sono perdido, talvez a pergunta seja outra: por que estamos acumulando tantas horas de cansaço durante a semana? A resposta passa por exigências do trabalho, excesso de estímulos digitais, longas jornadas e dificuldade de estabelecer limites nesta sociedade conectada 24 horas por dia.

Dormir bem não elimina todos os problemas da vida moderna, mas melhora significativamente nossa capacidade de enfrentá-los. O descanso adequado fortalece o sistema imunológico, protege o coração, favorece o equilíbrio emocional e melhora a qualidade de vida em todas as idades.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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