Anna Marina*
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ANNA MARINA

Dança ajuda pacientes de Parkinson

Aprender coreografias impulsiona mudanças estruturais no cérebro, atingindo território neuroprotetor que o medicamento de reposição de dopamina não alcança

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Apesar de tremores causados pela doença de Parkinson incomodarem muito, o problema maior é o travamento involuntário dos movimentos. Estudos apontam que a dança beneficia os pacientes de maneiras que vão além do que a medicação sozinha pode alcançar.

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A médica neurologista Fiona Gupta, diretora da Divisão de Distúrbios do Movimento da New York Neurology Associates, explica que a medicação controla sintomas, mas a dança pode ajudar a reconfigurar vias neurais compensatórias.

Dançar combina movimento físico, desafio cognitivo, processamento musical, ritmo, envolvimento emocional e interação social de uma forma que exercícios genéricos não conseguem.

A eficácia da dança depende do papel da música. Estímulos auditivos externos ajudam a pessoa com Parkinson a melhorar a velocidade da caminhada e o comprimento da passada.

Em nível biológico, a música desencadeia respostas emocionais positivas ligadas à ação da dopamina no sistema de recompensa do cérebro. Isso é relevante na doença de Parkinson, caracterizada pela perda de células produtoras de dopamina no cérebro. O tango melhora o equilíbrio e a mobilidade geral; programas de dança mista reduzem o congelamento da marcha, um dos sintomas mais incapacitantes da doença.

Aprender novas coreografias parece impulsionar mudanças estruturais no cérebro, particularmente nos gânglios da base, que é a rede de estruturas responsável pelo controle do movimento, a mais diretamente afetada pelo Parkinson. Isso pode ajudar o cérebro a reaprender a observar e imitar o movimento, construindo vias alternativas que compensam as danificadas, explica a doutora Gupta. Trata-se do território neuroprotetor que medicamentos de reposição de dopamina não alcançam.

David Leventhal é um dos professores que criaram o programa Dance for Parkinson, no Mark Morris Dance Group, no Brooklyn, em Nova York, em 2001.

Depois de ministrar a primeira aula, ele percebeu que a combinação de dança e música poderia transformar a experiência física e emocional do aluno com Parkinson em apenas uma hora.

A proposta era abordar a pessoa como um todo, em vez de focar apenas nos sintomas. Os benefícios se estendem também a cuidadores e familiares.

A aula começa com os participantes sentados, para que todos possam se aquecer e se movimentar sem se preocupar com o equilíbrio. Depois, eles passam para exercícios em pé, movimentos com apoio em cadeiras, exercícios na barra ou deslocamentos e coreografias em grupo, dependendo de sua capacidade e conforto, com opções para exercícios sentados sempre disponíveis.

Sessões mais singulares combinam movimento expressivo, ritmo e improvisação acompanhados por música cuidadosamente selecionada. A atmosfera é tão importante quanto o movimento. As sessões transmitem sensação de conexão e apoio mútuo.

Segundo especialistas, o objetivo nunca é a perfeição, mas ajudar as pessoas a se movimentarem com mais confiança, imaginação, musicalidade e alegria, ao mesmo tempo em que constroem laços sociais fortes.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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