Anna Marina*
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ANNA MARINA

O divertido e fascinante mundo dos leilões

A disputa deve gerar intensa montanha-russa emocional, impulsionada pela combinação de arte, finanças e psicologia. É adrenalina pura

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Dei uma pausa no tema das métricas para a longevidade porque soube que hoje vai ter um leilão de arte especial. Não quis deixá-lo passar em branco, pois os lotes são realmente especiais. Mas não foi só pela qualidade do que será leiloado. Acho leilão uma coisa interessante, com o poder de mexer não só com quem está interessado em arrematar alguma obra, mas com as pessoas que estão ali apenas assistindo.

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Já participou de um leilão de arte? Eu já.

Comecei indo a leilões organizados por meu saudoso colega José Maurício Vidal Gomes em benefício da Jornada Solidária. Ficava admirada com a força e o dinamismo do leiloeiro Marco Antônio Ferreira. Ele dominava o salão, prendia a atenção das pessoas e conseguia vender todas as peças. O mais legal era quando havia disputa acirrada.

Eu era apenas espectadora, mas mesmo assim o coração disparava. Ficava eletrizada, olhando para a plateia e para o leiloeiro ao mesmo tempo, tentando ver quem “duelava” com quem. Ficava imaginando o que aqueles participantes sentiam.

Imagino que a disputa deve gerar intensa montanha-russa emocional, impulsionada pela combinação de arte, finanças e psicologia. É adrenalina pura, mas acredito que a experiência se desdobra em várias fases. Antes do lance, há a mistura de euforia e nervosismo, porque o participante precisa ter atenção e foco. Diante do valor da obra, ele calcula mentalmente seu limite máximo.

Depois, ele parte para o “combate”. Durante a disputa, deve haver grande aumento de estresse e excitação quando os competidores elevam o valor do lance. O desejo de vencer é intensificado pela presença de outros interessados.

À medida que a disputa avança, o participante começa a sentir que a obra já é sua por direito, o que torna a ideia de desistir psicologicamente dolorosa. Quando o martelo bate, o vencedor deve sentir a liberação imediata de dopamina porque foi o vitorioso.

Prefiro os leilões presenciais, mas tenho de concordar que pregões virtuais facilitaram muito a vida dos colecionadores e amantes das artes, pois podem ter acesso a grandes oportunidades sem precisar se deslocar ou ter representantes. Eles mesmos podem participar e viver todas essas emoções.

Hoje, o mineiríssimo Daniel Rebouço – que fez sua formação como grande conhecedor de arte aqui em Belo Horizonte, agora se tornou leiloeiro e trabalha na Blombô Galeria, em São Paulo – fará, às 20h, leilão presencial e virtual, na capital paulista, da importante coleção particular de uma família carioca.

Serão 55 lotes, excepcional conjunto que reúne nomes fundamentais da arte brasileira, como Candido Portinari, Emiliano Di Cavalcanti, Judith Lauand, Tomie Ohtake, Antonio Henrique Amaral, Beatriz Milhazes, Alberto da Veiga Guignard, Manabu Mabe, Siron Franco, Vik Muniz, Sérgio Camargo, Bruno Giorgi, Abraham Palatnik e o argentino Julio Le Parc, entre muitos outros.

Os leilões de arte começaram na Europa nos séculos 15 e 16, impulsionados pelo Renascimento. Inicialmente, obras e livros raros eram vendidos em tavernas ou cafeterias. A prática se profissionalizou no século 18, com a fundação de gigantes do mercado: a Sotheby's, em Londres, e a Christie's.

A partir da década de 1990 e se consolidando nos últimos anos, os leilões migraram fortemente para a internet, com plataformas digitais estruturadas que permitem lances em tempo real do mundo todo.

O valor máximo em leilões foi atingido em 2017, quando “Salvator Mundi”, obra atribuída a Leonardo da Vinci, foi arrematada por US$ 450 milhões nos EUA.

Mais informações sobre o leilão de hoje no site blomboleiloes.com.br

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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