Como deixar de viver pela aprovação alheia
Reduzir a própria autoestima a métricas digitais é como construir a identidade sobre areia movediça. Romper com esse ciclo é difícil e exige consciência
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É impressionante ver como as pessoas estão, cada dia mais, precisando de curtidas e comentários nas redes sociais para se sentirem bem. A cada post que fazem, uma expectativa. A cada curtida, uma breve sensação de reconhecimento.
Mas, quando os amigos não curtem, isso causa uma estranha sensação, como se os amigos não estivessem te vendo ou achando legal o que está fazendo ou dizendo. O que deveria ser apenas interação está se transformando, para muitos, em termômetro de valor pessoal.
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Estamos vivendo em uma época em que a aprovação ganhou números visíveis. Seguidores, visualizações e compartilhamentos mostram ou “comprovam” que você tem relevância. Mas reduzir a própria autoestima a métricas digitais é como construir a identidade sobre areia movediça. Oscilações são inevitáveis — e, com elas, vêm frustrações, comparações e inseguranças.
O desejo de aceitação é humano. Pertencer a um grupo sempre foi importante para o bem-estar emocional. O problema é quando a necessidade de pertencimento se transforma em dependência. Quando opiniões são moldadas para evitar críticas. Quando decisões são tomadas pensando mais na repercussão do que na convicção pessoal. Quando a autenticidade é sacrificada em nome da aprovação.
Redes sociais
Isso se tornou mais evidente depois das redes sociais, que geraram uma exposição constante. A vida passa a ser uma vitrine: só existem momentos felizes, conquistas, opiniões cuidadosamente editadas. Pouco espaço sobra para vulnerabilidades reais. A comparação se torna quase inevitável e, geralmente, injusta. Comparamos nossa vida real com o teatro ensaiado e maquiado da vida dos outros.
A pessoa passa a agir em função da expectativa externa e perde contato com seus próprios valores. A ansiedade aumenta. O medo da rejeição paralisa. A necessidade de agradar impede posicionamentos claros. Isso é tão perigoso que, aos poucos, vai criando uma forma moderna de autoabandono.
Romper com esse ciclo é difícil e exige consciência. O primeiro passo é reconhecer o impacto emocional das interações digitais. Se o humor depende do engajamento, é sinal de alerta. Se críticas virtuais têm poder desproporcional sobre o seu dia, é hora de reavaliar prioridades. Autoconhecimento é uma ferramenta essencial para recuperar autonomia.
Limites
É preciso estabelecer limites. Reduzir o tempo nas redes, silenciar notificações e evitar checagens compulsivas são atitudes simples, mas eficazes. Mais importante é fortalecer a autoestima fora das redes. Passar a ter relações presenciais, fazer coisas que não dependam de plateia ajuda.
É importante entender e aceitar que desagradar faz parte da vida e da maturidade. Não existe unanimidade. Tentar ser aprovado por todos é impossível e pode te levar a perder sua personalidade. A crítica construtiva gera crescimento. Quando destrutiva, deve ser filtrada — não internalizada.
Parar de viver para a aprovação dos outros não é ignorar opiniões ou rejeitar feedbacks. É considerar pontos de vista sem abrir mão da própria essência. Entender que o seu valor pessoal não está nas mãos dos outros.
Nenhum comentário positivo compensa a perda de identidade. A aprovação mais importante vem da consciência. É nesse ponto que a vida deixa de ser espetáculo para voltar a ser experiência.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
