
Dificuldades de cadeirante
Circular com outra pessoa definindo seu caminho é uma tortura. Eu, pelo menos, fico com a visão prejudicada. Mas é melhor assim do que ficar parada
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Gosto muito de passar de um ano para o outro e, no terceiro mês de 2025, é uma verdadeira maravilha estar vencendo o calendário na minha idade. Se bem que, depois de cair e quebrar a coluna duas vezes, reparo feito com cimento, esteja agora enfrentando um período de cadeira de rodas que é um sufoco.
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Na semana passada, como tive de sair na cadeira, com acompanhante, aproveitei para ir ao supermercado. Não comprei nenhuma novidade, que não cheguei a ver. Esse é, aliás, o lado negativo da cadeira de rodas. Circular com outra pessoa definindo seu caminho é uma tortura. Eu, pelo menos, fico com a visão prejudicada. Mas é melhor assim do que ficar parada.
O caso real é que a coluna, prejudicada pelas quedas, ficou perfeita com o cimento. Mas uma dor crônica me impede de fazer muita coisa que gostaria. Como sempre circulei para tudo quanto é lado, sozinha, fico meio agoniada de ficar dependendo de outra pessoa para poder circular.
Passa sempre pela minha cabeça a vontade de procurar um médico que resolva minha dificuldade, mas não sei qual. Meus médicos “de cabeceira”, como se dizia antigamente, estão longe de se meter numa especialidade que não é a sua.
Aliás, depois que li a matéria da revista “Veja”, gostaria de saber quando é que posso tomar essas injeções novas contra o diabetes e quando é que elas chegam por aqui. Amigos meus que têm experimentado essa injeção nova para emagrecer contam que, muitas vezes, se a gordura não é muita, é melhor ficar gordo. Ela custa os olhos da cara, mais de R$ 1 mil cada uma.
Outro problema que complica minha situação atual de cadeirante são as escadas. Não existe por aqui nenhuma cadeira de rodas que suba escadas e, se não estou muito enganada, elas existem fora daqui. Outro drama que sinto é não poder viajar.
Atualmente, procuro rever meu julgamento de pessoas que via circulando pelas ruas do mundo de cadeira de rodas. Antes assim do que ficar lamentando não poder viajar. Fico pensando que, atualmente, as agências de turismo organizam excursões para tudo e todos – só ainda não vi nenhuma para cadeirantes.
Para aplacar meus desejos de andar e viajar, restam alguns programas de TV. O jeito que tem é fazer deles a saída de uma situação da qual espero ficar livre bem antes do que os médicos preveem.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.