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Anna Marina
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ANNA MARINA

O trânsito caótico de Belo Horizonte e suas peculiaridades

As "soluções" que os engenheiros da extinta BHTrans implantaram em alguns trechos da cidade tiraram de nós o prazer de fazer piadas com nossos irmãos portuguese

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O trânsito de Belo Horizonte está cada dia pior. O excesso de veículos nas ruas é um dos problemas, mas que a extinta BHTrans deu uma mãozinha bem grande nessa história, ah... isso ela deu. As “soluções” que seus engenheiros implantaram em alguns trechos da cidade tiraram de nós o prazer de fazer piadas com nossos irmãos portugueses, porque superaram em muito os motivos das piadas.

 


Trombaram no meu carro na semana passada. Eu estava passando pelo cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua dos Inconfidentes, perto do Corpo de Bombeiros, e uma camionete furou o sinal da avenida e me pegou em cheio, me jogando sobre o canteiro central. Mas isso é outra história. O fato é que estou andando de taxi ou de aplicativo, e sempre converso com os motoristas. Sou sanguínea.

 


Ontem pela manhã, a caminho do jornal, sugeri que ele não descesse a Avenida Nossa Senhora do Carmo porque vive congestionada, e para completar, os sinais da pista marginal – a que pegaríamos – não são sincronizados. Bastou para começar a conversa sobre a incompetência da BHTrans, que mesmo extinta e hoje ocupada pela Sumob, ninguém sabe ou não tem interesse em saber, e continua xingando a antiga autarquia.

 


“Eles não conseguem sincronizar nenhuma das grandes avenidas, nem ouso falar da cidade toda. E, com isso, paramos a cada dois sinais”, disse o motorista. É a mais pura verdade. Com isso, o trânsito não flui e com a quantidade de carros, o congestionamento é certo.


Mas o que eu acho surtado e surreal é o que fizeram no trecho da Avenida Carandaí, entre Alameda Ezequiel Dias e Avenida Afonso Pena. Uma mão inglesa que desce, a mão do outro lado desce, mas vem uma no meio que sobe, cortando a mão inglesa por quem vem da Afonso Pena. Juro, parece que quem inventou isso tinha fumado maconha estragada e quem aprovou tinha tomado chá de cogumelo. Porque só numa viagem muito louca para fazer aquilo. Os motoristas têm que ficar espertos para não trombar e não errar o rumo, e os pedestres, se bobearem serão atropelados e gravemente, porque o transito ali é pesado.

 


É, como diriam os mais antigos, a verdadeira ideia de jerico. E disse isso ao motorista, no que ele me corrigiu prontamente. “A senhora não conhece jerico, é dos bichos mais espertos que tem. De bobo, não tem nada. Ele sente uma cobra a metros de distância e empaca, e você pode cortar ele na espora, que ele não sai do lugar.”


Foi aí que descobri que jerico é o asno, não fazia ideia. E o apelido pegou por causa da teimosia do bicho, que por não obedecer recebeu o nome popular de burro. Só que ele na verdade está preservando tanto sua vida quanto a do dono. O que significa que burro mesmo é quem está em cima dele, que não entende seu animal. E o motorista continuou: “O cavalo continua, só quando está perto da cobra é que assusta e aí empina e acaba jogando o dono no chão, e os dois correm o risco de serem picados”. Aprendi mais uma e com isso não posso mais usar esse ditado.

 


Agora me digam, em uma cidade que tem uma “solução” dessas no trânsio, a gente pode rir de alguém? Só se primeiro a gente rir de nós mesmos. (Isabela Teixeira da Costa /Interina)

 

 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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