
Novos tempos e seus significados: festa de 15 anos ainda encanta as jovens
Em carta junto do convite, mãe da aniversariante revela: 'Nossas filhas começam a dançar a valsa meninas e terminam moças'
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A sociedade está mudando, e sem dor. A não ser das pessoas que amam um casamento na igreja para poderem se embonecar bem, ou outros acontecimentos que sempre significam festa, algumas de maior luxo. Casamento na igreja está cada vez mais distante, mas algumas cerimônias no civil ainda rendem celebrações pomposas, geralmente organizadas por famílias muito ricas.
Soube, dia desses, de uma festa fora da cidade para 200 pessoas, cujos anfitriões assumiram tudo, do transporte dos convidados aos buffets de doces e salgados, mais bebidas, é claro. Porém, o normal são cerimônias mais fechadas, com poucos convidados.
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Dia desses, recebi convite para uma festa de 15 anos, acompanhado de carta da mãe da aniversariante, que transcrevo a seguir:
“Minha geração não faz festa de 15 anos. Por isso, sempre vi com muita curiosidade o movimento das meninas de hoje em torno dessa celebração. Mais surpresa ainda fiquei quando minha filha disse que gostaria de comemorar os dela.
Ao me envolver com os preparativos da festa, aprendi uma lição: festa de 15 anos não é só da filha. É da mãe também.
O grande momento, todos sabemos, é a valsa. Ao pensar nela, descobri, de repente, o que para muitas mães está claro há muito tempo: a valsa é a magia. O rito de passagem. O momento Cinderela, em que tudo se transforma. Não por acaso, ela deve ocorrer à meia-noite.
Na valsa, nossas filhas começam a dançar meninas e terminam moças. Por isso, elas começam pelos braços dos pais, avôs e tios e terminam de mãos dadas com primos e amigos.
Começam a dançar levadas por aqueles que guiaram seus primeiros passos e terminam ao lado daqueles com quem vão caminhar, sozinhas, daqui para a frente.
No começo da valsa, são olhadas por olhos que veem a menina. No final, são observadas por olhos que anteveem a mulher.
Por isso, para elas, a valsa é o momento da excitação e, para nós, da emoção não bem compreendida.
É o momento da chegada do novo e da despedida do antigo. É o momento de saudar o adivinhado e começar a se desvencilhar do conhecido.
Quando minha filha nasceu, há 15 anos, me lembrei de outro conto de fadas, o da Bela Adormecida.
Pensei em quais seriam os três dons que, se pudesse, ofereceria à minha filha. Não tive maiores dificuldades em escolher.
Primeiro, que ela fosse tocada pela bondade. A solidariedade vem do coração, a generosidade da razão, mas a bondade é filha do espírito. Por isso, é mãe de ideias e sentimentos.
Depois, pela sabedoria. Sabedoria é não se perder de si mesma durante a caminhada, não deixar de acreditar em si mesma quando as noites forem longas demais. Mas sabedoria, sobretudo, para não se esquecer nunca do caminho de casa.
E, por fim, que ela pudesse ser visitada pela alegria. Porque alegria é um jeito de acordar. É um jeito de conversar com o mundo. É viver colorido. É o jeito de olhar a vida e não depende do jeito que a vida olha para nós.”
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.