
Encontrei belas surpresas ao remexer minhas gavetas durante o carnaval
Saudade das Amigas da Cultura, associação que fez muito pela arte em Minas Gerais, desde os tempos de Anita Uxa, Lilly Kraft e Maria Schriber
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Feriado prolongado, como o carnaval, é ótimo para remexer gavetas e jogar fora tudo o que não é mais de nosso tempo, como convites, cartas, fotos. Numa dessas limpezas do passado, encontrei um discurso meu para agradecer a homenagem prestada a este jornal pelas Amigas da Cultura, que fizeram muito pela arte mineira e sumiram do mapa. Até onde sei, a entidade não existe mais. Para recordar, vamos ao texto do discurso:
“Esta simpática e calorosa homenagem que as Amigas da Cultura prestam hoje aos 60 anos do jornal Estado de Minas é uma reunião de parceiros do mesmo ideal.
Assim como acontece com a história do Estado de Minas, as Amigas da Cultura formam a linha de frente da defesa dos ideais e valores de nossa terra.
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Desde a primeira hora, o Estado de Minas esteve ao lado desta operosa associação, fazendo com que, através de uma cobertura jornalística ampla e constante, seus projetos se transformassem em realidade.
É por isso que, de certa forma, nós, que trabalhamos no jornal, nos sentimos um pouco sócios das Amigas da Cultura, cuja trajetória acompanhamos desde os tempos de sua fundação, desde os tempos de Anita Uxa, Lilly Kraft, Maria Schriber e tantas outras desbravadoras, que começaram a atrair a dona de casa mineira para uma ideia totalmente nova: incentivar, patrocinar, apoiar e divulgar as mais diversas manifestações culturais.
O jornal sempre compreendeu esse ideal e dele participou. E é também com uma ponta de orgulho, como se fosse coisa nossa, que vemos as Amigas da Cultura serem, hoje, chancela de excelência para os mais variados eventos que envolvem as artes.
Sem modéstia, podemos dizer que o Estado de Minas e as Amigas da Cultura têm outro ideal em comum: apadrinhar as boas causas, revelar talentos, batalhar em defesa de nossa mineiridade, fazendo a parte do rosto sério, autêntico e real de nosso estado.
Por delegação do doutor Pedro Aguinaldo Fulgêncio, nosso diretor-geral, agradeço agora, em nome de toda a diretoria e de meus colegas de redação, esta homenagem que as Amigas da Cultura prestam ao jornal por seu sexagésimo aniversário. Acredito que posso falar em nome de todos eles: as portas do jornal continuarão sempre abertas para as Amigas da Cultura – parceiras do sonho de fazer de Minas um estado cada vez mais mineiro, na cultura consolidada pelas tradições.”
Este ideal continua existindo neste jornal. Quando houve aquela homenagem, eu estava firme no caderno cultural, publicado como avulso, não incorporado ao corpo do EM, como hoje. Vibrava por todos os movimentos artísticos que surgiam na cidade.
Não me esqueço da audição do Grupo Corpo, realizada em uma garagem da Rua Ceará. Estava tão cheia que eu e José Maurício, meu amigo que já se foi, tivemos de ficar em pé, depois do último assento provisório. Eles não acreditavam que fossem tantos espectadores, o mineiro ainda um pouco avesso a espetáculos culturais.
Também me lembro da encenação coreográfica do “Caso do vestido”, poema de Carlos Drummond de Andrade, que depois foi levada ao Municipal do Rio. Onde encontrei pela primeira vez o futuro presidente Itamar Franco, levado ao espetáculo por sua secretária, que era prima do poeta.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.