André Murad
André Murad
Diretor-executivo da Clínica Personal Oncologia de Precisão de BH. Oncologista e oncogeneticista da OncoLavras.
oncosaúde

Mutação genética e predisposição ao câncer de pulmão

Pessoas com a mutação tinham cerca de 25 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão em comparação com as que não a apresentavam

Publicidade

Mais lidas

Cientistas identificaram uma mutação genética hereditária que aumenta significativamente o risco de câncer de pulmão, mesmo em pessoas que nunca fumaram.

Fique por dentro das notícias que importam para você!


A mutação envolve o gene EGFR, que ajuda a controlar o crescimento, a divisão e a sobrevivência das células. Pessoas que nunca fumaram e apresentavam a mutação genética — chamada EGFR T790M — tinham 62 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão do que não fumantes sem a mutação, segundo o novo estudo publicado recentemente na prestigiada revista Science.


Em comparação, pessoas que fumavam, mas não portavam a mutação, tinham quatro vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão do que não fumantes; portanto, a mutação, por si só, representava um risco maior da doença.


Entre os participantes do estudo que fumavam e portavam a mutação, a T790M aumentou em 11 vezes o risco de câncer em comparação com outros fumantes.


A prevalência da variante T790M e seu impacto no risco de câncer de pulmão eram, até então, pouco compreendidos.

O estudo abrangeu mais de 3 milhões de pessoas de ascendência europeia, e a mutação foi identificada em uma a cada 15.850 pessoas. Por ser relativamente rara, é provável que ela não represente uma grande parcela do total de casos de câncer de pulmão.


Para o estudo, pesquisadores analisaram dados de DNA e de saúde de mais de 3,3 milhões de pessoas que utilizaram os kits de teste genético domiciliar da 23andMe e consentiram com o uso de seus dados pessoais em pesquisas.


Dois dos maiores bancos de dados genéticos públicos até o momento — chamados All of Us e UK Biobank — continham, respectivamente, apenas 19 e dois indivíduos com a mutação T790M. No entanto, a coorte da 23andMe incluía 641 indivíduos com a mutação, fornecendo aos pesquisadores dados suficientes para realizar análises estatísticas confiáveis.


Em média, as pessoas que apresentavam a mutação tinham cerca de 25 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão em comparação com aquelas que não a apresentavam. Essa estatística inclui tanto fumantes quanto não fumantes. A mutação T790M não foi associada a nenhum outro tipo de câncer ou condição pulmonar não cancerígena.


Com base em registros históricos, os pesquisadores reconstituíram quando e como a mutação provavelmente se disseminou. Eles acreditam que colonos das Ilhas Britânicas a trouxeram para os EUA no início do século 18. Mais tarde, famílias portadoras da mutação mudaram-se para o sul da região dos Apalaches, onde permaneceram relativamente isoladas; assim, a variante foi transmitida sucessivamente dentro dessa área e tornou-se incomumente comum na região.

A concentração de pessoas com a mutação T790M no Sudeste pode ajudar a explicar por que essa região dos EUA apresenta taxas elevadas de câncer de pulmão. Estatísticas indicam que a população local também apresenta taxas de tabagismo superiores à média dos EUA: cerca de 20% dos adultos na região dos Apalaches relatam fumar, em comparação com 16% dos adultos nas demais partes do país. Portanto, é possível que esses dois fatores interajam entre si.


O estudo constatou que pessoas com a mutação T790M desenvolveram câncer de pulmão, em média, cerca de cinco anos mais cedo do que aquelas sem a mutação. Essa descoberta ressalta a necessidade de iniciar o rastreamento em uma idade mais jovem e independentemente do histórico de tabagismo.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Um estudo clínico está em andamento para avaliar o rastreamento de câncer de pulmão por tomografia computadorizada em pessoas com essa mutação. O estudo também determinará se o risco de câncer de pulmão aumenta com a idade nessa população.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

cancer dados genetica mutacao pesquisas

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay