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André Murad
André Murad
Diretor-executivo da Clínica Personal Oncologia de Precisão de BH. Oncologista e oncogeneticista da OncoLavras.
ONCOSAÚDE

Vacinas personalizadas para câncer de rim

Os investigadores pontuaram que esses promissores resultados abrem uma nova via para o desenvolvimento de vacinas específicas

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Uma vacina personalizada demonstrou o potencial de induzir resposta imune duradoura entre pessoas com câncer renal avançado, de acordo com os resultados de um ensaio de fase 1, publicado recentemente na revista científica Nature. Os nove participantes do estudo — que passaram por cirurgia para carcinoma de células renais de células claras em estágio III ou IV — permaneceram livres do câncer aproximadamente três anos após o tratamento.

Esses resultados foram considerados pela comunidade científica bastante encorajadores, o que autoriza os investigadores a prosseguir com as próximas etapas da pesquisa. Os objetivos de se gerar com a vacina uma resposta imune contra alvos específicos do câncer renal, efetivamente direcionando o sistema imunológico para atacar as células tumorais foram plenamente alcançados. Todos os pacientes obtiveram respostas imunes, as quais foram igualmente duradouras, superando assim a expectativa inicial dos pesquisadores.


A cirurgia é o tratamento padrão para pacientes com câncer renal avançado; no entanto, aqueles com doença em estágios mais avançados permanecem com alto risco de recorrência. Por anos, a observação foi a abordagem padrão após a cirurgia. Em 2021, o FDA aprovou o pembrolizumabe como terapia adjuvante; no entanto, apenas um terço dos pacientes responde a essa estratégia.


As vacinas personalizadas contra o câncer de rim mostraram-se promissoras em outros cânceres. Um estudo de fase 2 mostrou que o uso de uma vacina com pembrolizumabe conferiu uma redução de 44% no risco relativo de recorrência ou morte entre pacientes com melanoma de alto risco, de acordo com o histórico do estudo. Em um estudo de fase 1, 50% dos pacientes com adenocarcinoma pancreático que receberam uma vacina personalizada obtiveram uma resposta imune.

Metodologia da pesquisa

Os investigadores inscreveram nove adultos (idade média, 65,5 anos; 78% homens) com carcinoma de células renais de células claras em estágio III ou IV ressecado. O DNA e o RNA de cada tumor foram analisados para que vacinas personalizadas para cada paciente fossem possíveis. Elas tiveram como alvo uma média de 15 neoantígenos (intervalo, 8-19). O desenvolvimento da vacina levou aproximadamente 12 semanas.


Cinco pacientes receberam a vacina com ipilimumabe subcutâneo, um anticorpo anti-CTLA-4, e quatro receberam apenas a vacina. Segurança e tolerabilidade serviram como desfecho primário do ensaio. Respostas imunes específicas de neoantígeno e a sobrevida livre de doenças serviram como desfechos secundários.


Resultados


O acompanhamento mediano foi de 40,2 meses após a cirurgia e 34,7 meses após a administração da vacina. Todos os pacientes permaneceram livres da doença. Todos obtiveram respostas imunes e sete tinham células T que reagiram contra seus próprios tumores.

A tolerabilidade das vacinas foi considerada excelente. Nenhum participante do ensaio apresentou toxicidades limitantes de dose, e nenhum evento adverso de grau 3 ou superior ocorreu. Todos os pacientes desenvolveram reações no local da injeção (78% grau de toxicidade 1, 22% grau 2). Oito pacientes apresentaram sintomas semelhantes aos da gripe por alguns dias, com seis casos de grau 1 e dois casos de grau 2.

Como conclusão do estudo, os investigadores pontuaram que esses promissores resultados abrem uma nova via para o desenvolvimento de vacinas específicas e personalizadas para tumores para câncer de rim — não apenas no cenário adjuvante, mas potencialmente em outros cenários, como o cenário metastático. Tais vacinas seriam um tratamento coadjuvante juntamente com formas convencionais de terapia imunológica, para não apenas ativar o sistema imunológico, mas também direcioná-lo para os tumores.

Os autores enfatizaram o pequeno tamanho da amostra como limitação do estudo. No entanto, um estudo maior e de fase 2 foi iniciado, o qual deve incluir aproximadamente 270 participantes em um prazo de um ano para a alocação. Nesse ensaio, todos os pacientes receberão pembrolizumabe. Metade receberá uma vacina e a outra metade o placebo. Os resultados dessa nova etapa são ansiosamente aguardados pela comunidade científica mundial.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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