
Mapa genético revela fatores de risco para saúde feminina
Em uma extensa análise genética, os pesquisadores alavancaram dados de quase 300 mil mulheres no estudo
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Cientistas descobriram, a partir de um extenso mapeamento genético, um roteiro genômico detalhado para a saúde reprodutiva feminina, revelando pontos críticos sobre os fundamentos genéticos de 42 condições que afetam as mulheres. Ao analisar dados do estudo de associação genômica ampla (GWAS) de mais de 12 milhões de variantes genéticas em duas grandes coortes na Estônia e Finlândia, os pesquisadores do Estonian Biobank e da Universidade de Tartu encontraram novas e conhecidas ligações genéticas para condições que variam de cistos ovarianos a endometriose. Esse estudo, publicado na revista médica Nature Medicine, ressalta o poder da pesquisa genética em desvendar mecanismos biológicos complexos, abrindo caminho para terapias direcionadas e cuidados aprimorados.
Revelando o projeto genético da saúde feminina
Apesar da crescente conscientização sobre a lacuna de pesquisa sobre a saúde das mulheres, os fundamentos genéticos de muitas condições reprodutivas femininas permanecem amplamente inexplorados. Descobertas recentes iluminaram as bases genéticas da síndrome dos ovários policísticos (SOP), endometriose, cânceres reprodutivos e complicações obstétricas, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional. Esses estudos, liderados por iniciativas como o consórcio ReproGen, também desvendaram conexões entre o envelhecimento reprodutivo e características de saúde mais amplas, destacando como os fatores cardiometabólicos se cruzam com condições específicas femininas. No entanto, os efeitos genéticos entre distúrbios e o espectro completo de influências que moldam essas condições permanecem subcaracterizados, deixando um potencial inexplorado para novos diagnósticos e terapias.
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Fatores de risco para 42 condições reprodutivas
Em uma extensa análise genética, os pesquisadores alavancaram dados de quase 300 mil mulheres no estudo Estonian Biobank e FinnGen para descobrir a arquitetura genética de 42 condições de saúde femininas. A meta-análise do GWAS identificou 195 loci genéticos significativos em 24 condições, com 83 loci previamente desconhecidos, enfatizando o valor de estudar fenótipos pouco explorados. Vários genes recentemente identificados (NR0B1, ID4 e EDN2) foram ligados a cistos ovarianos, demonstrando papéis na foliculogênese com base em estudos de modelos de camundongos. Correlações genéticas revelaram vias sobrepostas entre condições como SOP, cistos ovarianos e leiomioma, oferecendo pistas para diagnósticos e tratamentos futuros. No entanto, os mecanismos genéticos por trás dos cistos ovarianos e SOP parecem distintos, desafiando suposições de sobreposição anteriores. O estudo também destaca características hereditárias em condições como endometriose e pré-eclâmpsia, questionando como esses fatores genéticos persistem apesar de seu impacto na fertilidade.
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Aproveitando as assinaturas genéticas únicas das populações finlandesa e estoniana, os pesquisadores identificaram variantes enriquecidas pela população, incluindo uma mutação rara em MYH11 associada a miomas uterinos. Essa variante é virtualmente indetectável na maioria das populações globais, enfatizando o valor de estudar origens genéticas diversas. O estudo estimou a herdabilidade para essas características, com condições como colestase intra-hepática da gravidez (ICP) mostrando alta herdabilidade (21%), enquanto outras, como condições inflamatórias, mostraram contribuições genéticas mais baixas. Uma pontuação de risco poligênico (PRS) desenvolvida para ICP, previu a suscetibilidade com precisão notável, mostrando um risco 6,7 vezes maior para indivíduos no decil PRS mais alto. A validação em conjuntos de dados independentes reforçou sua utilidade, destacando potenciais aplicações na medicina personalizada.
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Cuidados personalizados para a saúde reprodutiva feminina
Esse estudo oferece um roteiro para entender e abordar as condições de saúde feminina, abrindo caminho para terapias direcionadas e cuidados personalizados. Com insights genéticos iluminando caminhos compartilhados, o futuro da saúde feminina parece promissor. As descobertas abrem caminho para aplicações clínicas, como PRS para condições como ICP, auxiliando no diagnóstico e tratamento precoces. Embora existam limitações como a dependência de códigos da décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e dados específicos da população, essa pesquisa marca um passo significativo na decodificação da genética da saúde reprodutiva feminina.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.