
O que é a síndrome de Li-Fraumeni
Pessoas com Li-Fraumeni também podem desenvolver mais de um câncer durante a vida
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A síndrome de Li-Fraumeni é hereditária, rara e pode levar ao desenvolvimento de vários tipos de câncer, incluindo sarcoma (como osteossarcoma e sarcomas de tecidos moles), leucemia, câncer de cérebro (sistema nervoso central), câncer do córtex adrenal e câncer de mama. Esses cânceres geralmente se desenvolvem quando as pessoas são relativamente jovens.
Pessoas com Li-Fraumeni também podem desenvolver mais de um câncer durante a vida. Eles também parecem ter um risco maior de contrair câncer com a radioterapia, então os médicos que tratam esses pacientes podem tentar evitar a radiação quando possível.
Essa síndrome é mais frequentemente causada por mutações hereditárias no gene TP53, que é um gene supressor de tumor. Um gene TP53 normal produz uma proteína que ajuda a impedir o crescimento de células anormais. A síndrome de Li-Fraumeni também pode ser causada por mutações em um gene supressor de tumor chamado CHEK2, que também normalmente ajuda a impedir o crescimento de células com danos no DNA.
Se alguém tem síndrome de Li-Fraumeni, seus parentes próximos (especialmente crianças) têm uma chance maior de ter uma mutação também. Eles podem querer fazer o teste, ou mesmo sem fazer o teste, podem querer começar a rastrear certos tipos de câncer precocemente ou tomar outras precauções para ajudar a diminuir os riscos.
Histórico da descoberta
Na década de 1960, Joseph F. Fraumeni, Jr. e Robert W. Miller, no então ramo de Epidemiologia do National Cancer Institute (NCI) americano, iniciaram uma exploração dos padrões epidemiológicos do câncer infantil e familiar sobre os quais pouco se sabia. Sua pesquisa começou com um estudo multicêntrico sistemático de câncer infantil que sugeriu um excesso de certas anomalias congênitas (por exemplo, aniridia - ausência da íris ocular - com tumor de Wilms) e vários cânceres primários no mesmo indivíduo (por exemplo, tumores adrenocorticais e cerebrais). Ao mesmo tempo, Fraumeni começou a investigar uma série de famílias com tendência ao câncer que ele identificou enquanto fazia visitas ao Instituto Nacional de Saúde americano.
Essas famílias se tornaram a base para o registro de câncer familiar DCEG (Division of Cancer Epidemiology and Genetics), que continua até hoje. Como esperado, a maioria das agregações familiares estava confinada a um único tipo de câncer, mas algumas famílias apresentaram uma diversidade incomum de tumores que era difícil de explicar. Logo depois disso, uma notável ocorrência familiar chamou a atenção de Frederick P. Li, um colega de pesquisa do Instituto Nacional do Câncer americano. De maneira quase explosiva, vários membros de uma família desenvolveram uma variedade de tumores, notadamente rabdomiossarcoma infantil e câncer de mama, mas também outras formas de câncer em crianças e adultos jovens na linha de descendência.
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Essa observação levou Li e Fraumeni a voltarem à pesquisa multicêntrica de tumores infantis e acelerarem a conclusão de um estudo em crianças com diagnóstico de rabdomiossarcoma. Em 1969, eles relataram suas descobertas em dois artigos marcantes que apareceram nos Annals of Internal Medicine e no Journal of the National Cancer Institute. A impressionante diversidade de tumores estava em desacordo com a noção prevalecente de que a suscetibilidade familiar ao câncer é geralmente específica do local ou do tecido.
O espectro de cânceres de início precoce foi esclarecido em 1982, quando os drs. Li e Fraumeni publicaram no jornal JAMA um estudo prospectivo de 12 anos de membros das quatro famílias originais. Houve 16 novos casos de câncer, superando em muito as expectativas com base nas taxas da população em geral. A variedade de novos cânceres se assemelhava muito ao padrão familiar relatado inicialmente.
No final da década de 1980, Li e Fraumeni reuniram 24 famílias com manifestações semelhantes e bem documentadas de uma síndrome de câncer múltiplo. Um estudo prospectivo de todas as famílias forneceu evidências epidemiológicas de um risco excessivo de diversos tipos de câncer que afetam os jovens em um padrão predominantemente hereditário. Os cânceres de mama e sarcomas osteogênicos foram especialmente prevalentes, mas os riscos de leucemia aguda, tumores cerebrais e neoplasias adrenocorticais também foram elevados. À medida que aumentou o interesse por esse distúrbio familiar, ele geralmente se tornou conhecido como síndrome de Li-Fraumeni.
Como é feito o rastreamento para detecção precoce de câncer nos portadores da síndrome:
Exame físico abrangente e ultrassom do abdômen e da pelve a cada três a quatro meses do nascimento até os 18 anos; exame físico abrangente a cada seis meses para maiores de 18 anos; ressonância magnética anual de corpo inteiro; mulheres devem fazer um exame clínico das mamas a cada seis a 12 meses a partir dos 20-25 anos, ressonância magnética anual das mamas a partir dos 20-30 anos e mamografia anual alternando com ressonância magnética das mamas dos 30 aos 75 anos; ressonância magnética cerebral anual; endoscopia alta e colonoscopia a cada dois a cinco anos a partir dos 25 anos; exame dermatológico anual a partir dos 18 anos; ultrassom anual do abdômen e da pelve a partir dos 18 anos; considerar triagem adicional para câncer de pulmão, pâncreas, próstata e tireoide, dependendo do histórico familiar e fatores de risco adicionais; avaliar as necessidades de assistência social e aconselhamento genético em cada visita.
Os portadores também devem procurar minimizar a exposição à radiação diagnóstica e terapêutica; evitar agentes cancerígenos conhecidos, incluindo exposição desprotegida ao sol, uso de tabaco, exposições ocupacionais e uso excessivo de álcool.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.