Ana Mendonça - Estado de Minas
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Pacheco assume noivado com o PT

O discurso foi interpretado dentro e fora do PT como o primeiro movimento real de campanha rumo ao Palácio Tiradentes

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O senador Rodrigo Pacheco (PSD) finalmente entregou o que setores do PT esperavam há meses: um gesto claro, visível e audível de aproximação. Em Minas Novas, durante cerimônia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente do Senado deixou de lado a moderação calculada e afirmou, com todas as letras, que Lula será “ainda mais importante no seu próximo mandato como presidente da República”. A frase soou como música aos ouvidos petistas que, até então, vinham escutando apenas o silêncio desconfortável de quem flertava com o projeto, mas hesitava em assumi-lo.

Ao agradecer publicamente pelos investimentos federais em Minas, como o acordo da dívida, as transferências a Mariana e obras de infraestrutura, Pacheco selou também o afastamento do bolsonarismo. O contraste foi explícito: “Essas soluções não aconteceram por quatro anos”, disse ele, numa crítica direta ao governo anterior. Desde os atos golpistas de 8 de janeiro, quando se posicionou em defesa da democracia, o senador já vinha ensaiando distanciamentos. Mas agora, enfim, pisou no terreno da sucessão mineira.


O discurso foi interpretado dentro e fora do PT como o primeiro movimento real de campanha rumo ao Palácio Tiradentes. Até então resistente à candidatura, Pacheco passou a ser pressionado por aliados, que avaliam que a ambiguidade deixou de render dividendos. Nos bastidores, o gesto foi costurado nos últimos dias, em meio ao avanço de Mateus Simões (Novo), vice de Romeu Zema e pré-candidato já em campo.


O gesto agradou e muito ao comando petista, que há meses busca um nome com competitividade e traços de centro. A fala pública de Pacheco é vista como ponto de inflexão. Ainda não há lançamento formal, mas lideranças do partido já tratam a aproximação como inevitável. O aceno veio, e não foi pequeno.


Mesmo no palanque, porém, Pacheco manteve distância de Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia e desafeto recente. Embora compartilhem partido e trajetórias cruzadas, operam hoje em trilhas paralelas. Dentro do PT, havia a leitura de que Silveira seria um fiador da candidatura de Pacheco. Mas, segundo apurou a coluna, a realidade é mais fraturada: o PSD mineiro atua, na prática, em dois blocos: Silveira, cada vez mais alinhado ao Planalto; e Pacheco, que tenta negociar com autonomia a própria posição.


A resposta do campo adversário veio em bloco. Romeu Zema (Novo) classificou a cerimônia como “palanque da velha política”. Já Mateus Simões subiu o tom: em agenda no Norte de Minas, afirmou que “não permitirá que o povo de Pimentel volte ao poder” e culpou o PT pela falência do estado. Aproveitou também para criticar Lula pela condução da crise diplomática com os Estados Unidos.


MARÍLIA NA MIRA


Com Rodrigo Pacheco (PSD) cada vez mais próximo de aceitar a candidatura ao governo de Minas com apoio de Lula (PT), aumentaram as pressões para que Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, integre a chapa. O entorno do senador já se movimenta para garantir participação mais efetiva da petista no pleito de 2026. Se não como vice, Marília é cotada para assumir a coordenação da campanha em Minas.


EX-COMPANHEIRO


Enquanto isso, Alexandre Kalil reapareceu nos noticiários após ter seu nome ventilado como possível dirigente da SAF do Santa Cruz, em Pernambuco. Negou qualquer interesse em voltar ao futebol, mas confirmou que visitará o clube a convite dos investidores. O gesto foi lido como tentativa de se manter em evidência sem se comprometer com nenhuma pauta local. Kalil segue conversando com empresários e prefeitos da Região Metropolitana e não descartou disputar o governo de Minas. Se Pacheco demorar, pode virar plano B, ou disputar o mesmo espaço.

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EX-VICE DE ENGLER


A coronel da reserva Cláudia Romualdo, que foi candidata a vice-prefeita de Belo Horizonte na chapa de Bruno Engler (PL) em 2020, voltou a circular em grupos bolsonaristas. Em vídeo publicado no TikTok, convocou apoiadores para a manifestação marcada para 3 de agosto, em defesa do impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF). Aos que têm medo de ir, sugeriu que "ao menos orem" pelas autoridades brasileiras e estrangeiras.


COTA EM XEQUE


Mais um caso de possível fraude à cota de gênero avança na Justiça Eleitoral de Minas e pode provocar reviravolta política em cidade do interior. Em Belo Vale, a cerca de 70 km de Belo Horizonte, corre em segunda instância o processo que pede a cassação da chapa do União Brasil por suposta candidatura laranja nas eleições de 2020. O presidente da Câmara Municipal, Tico Corrêa, é o único vereador eleito pela sigla e, se condenado, pode perder o mandato. Nos bastidores, a avaliação é que o desfecho do caso pode abrir precedente para ações semelhantes em outras cidades da Região Central.


FOGO AMIGO


Nem os correligionários perdoaram o tom professoral de Ciro Gomes (PDT) ao comentar a sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) ironizou a fala do ex-ministro e sugeriu que o vídeo seja incorporado ao Sistema Único de Saúde como alternativa à melatonina. “Na boa, se o Ciro fosse GPS, em vez de ‘vire à direita’, ele diria: ‘faça uma inflexão ontológica rumo ao liberalismo geográfico’. Pra quê melatonina se existe o Ciro?”, escreveu no X. O episódio expôs mais uma fissura no PDT, que ainda tenta se reencontrar após o desempenho frustrante de Ciro em 2022.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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