Ana Mendonça
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EM MINAS

A retaguarda mineira de Bolsonaro

Na manhã de segunda-feira (22/7), quatro nomes estiveram na residência de Bolsonaro, antes mesmo de qualquer reação jurídica articulada. Todos de Minas Gerais

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A ofensiva do Supremo Tribunal Federal sobre Jair Bolsonaro (PL) reconfigurou o entorno imediato do ex-presidente. Em meio a medidas cautelares que incluem tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e proibição de aparecer nas redes, inclusive por perfis de terceiros, o que se viu foi a reativação silenciosa, mas coordenada, de sua base mais leal. E ela tem sotaque mineiro.


Na manhã de segunda-feira (22/7), quatro nomes estiveram na residência de Bolsonaro, antes mesmo de qualquer reação jurídica articulada. Todos de Minas Gerais. E todos com funções claras, ainda que não declaradas, dentro da lógica de resistência que move o ex-presidente.


Vile Santos, vereador em Belo Horizonte, foi o primeiro a chegar. É o elo mais antigo do grupo mineiro com Bolsonaro, de quando o ex-presidente ainda ocupava o baixo clero na Câmara. A relação é pessoal, construída muito antes da liturgia do poder. Vile não é apenas aliado: é amigo. E mantém-se fiel, não por cálculo, mas por convicção.


Bruno Engler, deputado estadual, chegou em seguida. Ao contrário do que muitos imaginam, Engler é altamente ativo nas redes. Ex-coordenador do Direita Minas, é dele uma das leituras sobre o impacto das decisões judiciais sobre o bolsonarismo quando o assunto é as redes sociais. Aos interlocutores, avalia que o movimento do STF rompe o equilíbrio entre os Poderes e impõe uma lógica de exceção.


Nikolas Ferreira, deputado federal, foi escalado. Hoje, Nikolas é o ativo digital do bolsonarismo. Tem audiência, engajamento e capacidade de convocação. Sua função é clara: ser a voz que Bolsonaro não pode mais emitir. A publicação de vídeos do ex-presidente por contas associadas a seu grupo político foi interpretada como provocação, mas também como método. A retórica da perseguição segue viva, com Nikolas como porta-voz.


A presença de Junio Amaral, também deputado federal, foi a que mais surpreendeu, não pela contundência, mas justamente pelo ineditismo. Embora aliado, costuma se manter em discreta retaguarda quando o assunto é o STF.


Apesar de diferenças evidentes, de estilo, de estratégia, até de opinião sobre rumos do próprio bolsonarismo, o grupo mineiro se mantém coeso na defesa de Bolsonaro. A fidelidade é o cimento. E o cálculo é simples: se um cai, todos enfraquecem.

 


Decisão de cúpula

O ato contra Alexandre de Moraes que vai acontecer em 3 de agosto, na Praça da Liberdade, foi orquestrado em decisão em reunião na cúpula de Brasília, entre lideranças do núcleo bolsonarista de Minas. Participaram da articulação o deputado estadual Bruno Engler, o vereador Vile e o deputado federal Nikolas Ferreira, que atuaram em conjunto para garantir adesão popular e repercussão nas redes.

 

 

No tabuleiro

João Fernandes (Novo), suplente de vereador em Belo Horizonte, passou a frequentar com mais assiduidade as reuniões de bolsonaristas em Brasília. A movimentação não é casual: João está atualmente lotado no gabinete de Vile e tem se aproximado dos principais nomes da direita mineira, com direito a foto recente ao lado de Jair Renan Bolsonaro, o 04, em Balneário Camboriú. No entorno do PL, já há quem enxergue em João uma aposta de renovação da tropa local, com pedigree, discurso afiado e boa interlocução com os filhos do ex-presidente.

 

 

Linha por linha

A nova visita de Lula a Minas, prevista para esta quinta-feira (25/7), acendeu o alerta em parte da bancada mineira do PL. Com o agravamento das medidas judiciais contra Jair Bolsonaro e a repercussão nacional da tornozeleira eletrônica, aliados do ex-presidente no estado temem que o petista utilize o palanque no Vale do Jequitinhonha para acirrar a retórica contra a oposição, especialmente em Minas, onde a base bolsonarista ainda tem capilaridade. A preocupação, em especial, é que Lula aproveite a vulnerabilidade jurídica de Bolsonaro para fortalecer sua narrativa de reconstrução institucional e associar o bolsonarismo à instabilidade democrática. Nos bastidores, lideranças do PL admitem desconforto com o momento da viagem e avaliam que a fala presidencial será acompanhada “linha por linha”.

 

 

Pacheco no palanque

A coluna confirmou que Rodrigo Pacheco acompanhará Lula nesta quinta, no Vale do Jequitinhonha. A participação acendeu alertas tanto no Planalto quanto em Minas. A presença do ex-presidente do Senado não é fortuita e foi tratada com cautela por aliados próximos. Interlocutores dizem que o gesto pode sinalizar um reencontro de interesses, ainda que não represente, por ora, adesão formal à estratégia petista. Pacheco, segue resistente em assumir o cargo de pré-candidato. Lula, por sua vez, pretende usar o ato como teste de temperatura política. Vai falar para fora. O discurso deve subir o tom contra o bolsonarismo e posicionar o governo no tabuleiro de 2026.

 

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