Outubro Rosa: preservar a fertilidade pode ser decisão desde o diagnóstico
Minas Gerais deve registrar 8,4 mil novos casos anuais da doença até 2028; oncologista explica como o planejamento reprodutivo pode fazer parte da to tratamento
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Quando o câncer de mama aparece antes dos planos de maternidade estarem concluídos, o relógio corre em duas frentes. É preciso definir o tratamento oncológico, muitas vezes sem tempo a perder, mas também avaliar como essa jornada pode afetar uma possibilidade que a paciente talvez ainda queira manter: a de ter filhos no futuro. Em Minas Gerais, o tema ganha dimensão diante da estimativa de mais de 8,4 mil novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026-2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
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Para mulheres diagnosticadas em idade reprodutiva, alguns tratamentos podem comprometer temporária ou permanentemente a função ovariana. A fertilidade, nesse cenário, não é uma questão para depois. O desafio é que, diante da urgência imposta pelo diagnóstico, essa conversa pode acabar ficando em segundo plano. Por isso, o planejamento reprodutivo deve ser considerado já no início da jornada oncológica, de acordo com as características da doença, o tratamento indicado e os planos da paciente.
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Segundo Angélica Nogueira, oncologista do Cancer Center Oncoclínicas, em Belo Horizonte, essa avaliação precisa acontecer antes do início de tratamentos com potencial de comprometer a função ovariana. “Se a paciente deseja ter filhos, essa informação precisa fazer parte da conversa com a equipe médica desde o diagnóstico. Alguns tratamentos podem comprometer a função ovariana, mas, dependendo do tipo de câncer, da idade e da estratégia terapêutica, pode haver uma janela para discutir a preservação da fertilidade, com opções como o congelamento de óvulos ou embriões. É uma decisão que precisa ser considerada antes do tratamento começar, mas sempre em equilíbrio com a necessidade de tratar o câncer com segurança”, explica a especialista.
A boa notícia é que essa conversa não precisa significar uma longa espera antes do tratamento. Hoje, óvulos ou embriões podem ser congelados em cerca de duas semanas, em muitos casos sem comprometer o início da quimioterapia ou da cirurgia.
As diretrizes da American Society of Clinical Oncology (Asco), atualizadas em 2025, reconhecem essas estratégias como seguras e eficazes e não apontam aumento do risco de recorrência da doença. A estimulação hormonal de urgência tornou possível fazer esse planejamento mesmo quando o tratamento precisa começar rapidamente. Também há medicamentos que podem ser utilizados durante a quimioterapia para reduzir o impacto sobre a função reprodutiva e ajudar a preservar as chances de uma futura gestação.
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Na prática, isso muda uma pergunta importante. Em vez de “há tempo para pensar na fertilidade?”, a discussão passa a ser: “há uma oportunidade de preservá-la antes de começar o tratamento?”
“Atualmente, temos evidências sólidas que demonstram que realizar a preservação da fertilidade não prejudica o prognóstico oncológico. O grande objetivo do Outubro Rosa
não é apenas focar na cura da doença, mas garantir que essa mulher atravesse o tratamento mantendo seus sonhos e com qualidade de vida para usufruir de sua sobrevida”, destaca Angélica.
Abordagem multidisciplinar e decisão compartilhada
Para que o planejamento ocorra sem impactar o cronograma do tratamento principal, a agilidade no encaminhamento é fundamental. A abordagem multidisciplinar envolve a atuação conjunta de oncologista, mastologista, ginecologista e especialista em reprodução assistida. A escolha da melhor estratégia leva em conta a idade da paciente, a reserva ovariana existente, o subtipo tumoral e o plano terapêutico individualizado.
O planejamento reprodutivo, portanto, deixa de ser visto como uma etapa secundária e passa a integrar a jornada oncológica desde a primeira consulta, permitindo que a
paciente e sua equipe médica tomem decisões conscientes e alinhadas ao seu futuro.
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