O que você come pode interferir na reposição hormonal?
Reposição hormonal e nutrição podem atuar de forma complementar, desde que haja indicação clínica e acompanhamento profissional
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A reposição hormonal tem ganhado espaço nas discussões sobre saúde, especialmente entre mulheres na menopausa e homens com deficiência comprovada de testosterona. Ao mesmo tempo, cresce o interesse pelo papel da alimentação como aliada na prevenção de sintomas, na manutenção da massa muscular, da saúde óssea e da qualidade de vida. Embora sejam estratégias distintas, especialistas destacam que reposição hormonal e nutrição podem atuar de forma complementar, desde que haja indicação clínica e acompanhamento profissional.
A terapia de reposição hormonal (TRH) consiste na administração de hormônios para compensar a redução natural ou patológica da produção pelo organismo. Nas mulheres, é mais frequentemente indicada para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor, alterações de humor, insônia. Em homens, a reposição de testosterona é recomendada quando exames laboratoriais e avaliação clínica confirmam hipogonadismo, condição caracterizada pela produção insuficiente do hormônio.
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Apesar dos benefícios em casos selecionados, a reposição hormonal não substitui hábitos saudáveis. É nesse contexto que a nutrição assume papel estratégico. Uma alimentação equilibrada pode potencializar os efeitos positivos do tratamento, reduzir fatores de risco para doenças crônicas e contribuir para o equilíbrio metabólico.
"Entre os principais desafios enfrentados durante o envelhecimento estão a perda de massa muscular, o aumento da gordura corporal e a redução da densidade mineral óssea. Esses processos são influenciados pelas mudanças hormonais, mas também pela qualidade da dieta e pelo nível de atividade física", garante Izabelle Gindri, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD (University of Texas,Dallas), cientista,farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds Brasil, especializada em reposição hormonal.
A ingestão adequada de proteínas ao longo do dia para preservar a musculatura é primordial. Carnes magras, peixes, ovos, leite e derivados, além de leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, são fontes importantes. Em muitos casos, a combinação entre alimentação rica em proteínas e exercícios de força produz resultados mais significativos do que qualquer intervenção isolada.
Outro ponto de atenção é a saúde óssea. A redução dos níveis de estrogênio após a menopausa acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose e fraturas. Neste caso, cálcio e vitamina D são nutrientes fundamentais. Leites e derivados, vegetais verde-escuros e alimentos fortificados contribuem para a ingestão de cálcio, enquanto a vitamina D depende principalmente da exposição solar e, quando necessário, de suplementação orientada por profissionais de saúde.
Para Izabelle, a qualidade das gorduras consumidas também influencia o estado inflamatório do organismo e a saúde cardiovascular. "O consumo de peixes ricos em ômega-3, azeite de oliva, castanhas, sementes e abacate está associado a melhores indicadores metabólicos. Em contrapartida, alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras saturadas, açúcares e sódio, devem ser consumidos com moderação", lembra a cientista.
As fibras merecem destaque por favorecerem a saúde intestinal e ajudarem no controle da glicemia e do colesterol. Frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas também fornecem vitaminas, minerais e compostos bioativos com ação antioxidante, importantes para reduzir o estresse oxidativo, que tende a aumentar com o envelhecimento.
Outro aspecto frequentemente observado é o ganho de peso durante a menopausa. A diminuição dos níveis hormonais pode favorecer alterações na distribuição da gordura corporal, especialmente na região abdominal. Entretanto, essas mudanças não decorrem apenas da queda hormonal. Fatores como sedentarismo, redução do gasto energético e alimentação inadequada exercem papel igualmente relevante. Embora suplementos alimentares sejam amplamente divulgados como alternativas para melhorar os resultados da reposição hormonal, a evidência científica varia conforme o produto.
Proteínas, cálcio e vitamina D podem ser indicados em situações específicas, mas seu uso deve considerar necessidades individuais e avaliação profissional. Não existem suplementos capazes de substituir uma alimentação equilibrada ou de reproduzir os efeitos da terapia hormonal quando esta é clinicamente indicada.
"É importante destacar que nem toda pessoa é candidata à reposição hormonal. O tratamento requer avaliação individualizada, levando em conta histórico clínico, fatores de risco cardiovasculares e outras condições de saúde", alerta Izabelle.
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Para a especialista em saúde hormonal, a melhor estratégia envolve uma abordagem integrada. "Alimentação balanceada, prática regular de atividade física, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento médico e nutricional formam a base do cuidado. Quando indicada, a reposição hormonal pode fazer parte desse conjunto de medidas, mas seus resultados tendem a ser mais consistentes quando associados a um estilo de vida saudável", diz.