Parar o fluxo sanguíneo para salvar a vida? O método para tratar a HPTEC
Confundida com cansaço comum, a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica atinge até 5 mil brasileiros e pode levar à morte se não for detectada a tempo
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A hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC) é uma forma rara de hipertensão pulmonar causada pela formação de tecido cicatricial nas artérias pulmonares após episódios de embolia pulmonar, quando coágulos sanguíneos passam a bloquear ou estreitar esses vasos. Esse processo eleva a pressão nas artérias pulmonares e pode evoluir para insuficiência cardíaca e morte.
Com base na prevalência registrada no Reino Unido, o Ministério da Saúde estima que haja entre 1.584 e 5.633 pessoas com HPTEC no Brasil.
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Tratamento
Atualmente, não há tratamento específico previsto no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para a HPTEC. A obstrução das artérias pulmonares aumenta a resistência vascular e a pressão nesse território, caracterizando a hipertensão pulmonar. A sobrecarga sobre o ventrículo direito pode levar à insuficiência progressiva e, em estágios avançados, ao óbito.
Diferentemente de outras formas da doença, a HPTEC pode ter tratamento com potencial curativo por meio da tromboendarterectomia pulmonar (remoção dos trombos). Quando o procedimento não é possível, recomenda-se o tratamento medicamentoso. A terapia também é indicada para casos de hipertensão pulmonar persistente ou recorrente após a cirurgia.
Nem todos os pacientes são elegíveis para cirurgia. Nesses casos, podem ser consideradas alternativas como a angioplastia por balão de artérias pulmonares, que permite que o sangue passe mais facilmente, e o tratamento farmacológico.
Tromboendarterectomia pulmonar
A doença compromete gravemente a respiração e a capacidade funcional. Luciene Hatada, de 58 anos, moradora de Varginha, no Sul de Minas Gerais, que há meses convivia com cansaço extremo e falta de ar progressiva, foi diagnosticada inicialmente com embolia pulmonar, ela não apresentava melhora clínica. “A cada três passos, ficava sem ar e com o coração acelerado”, relata.
Luciene precisou ser transferida para Belo Horizonte para investigação clínica. O cirurgião cardiovascular Cláudio Gelape, coordenador do Serviço de Pneumologia da Rede Mater Dei, confirmou o diagnóstico de HPTEC. Indicada como tratamento curativo, a tromboendarterectomia pulmonar foi o tratamento indicado com objetivo de reduzir a pressão pulmonar, melhorar a função cardíaca e restaurar a capacidade respiratória da paciente.
“É uma cirurgia muito delicada, porque retira-se um trombo de dentro da artéria pulmonar. É exatamente ele que provoca o entupimento e impede o paciente de manter atividades simples do dia a dia”, explica Bruno Horta.
“O procedimento exige uma condição cirúrgica extremamente delicada. Para remover manualmente trombos antigos aderidos às artérias pulmonares, é necessário reduzir a temperatura corporal do paciente de 37°C para 20°C e induzir parada circulatória total.”
De acordo com o cirurgião, os pulmões têm circulação dupla, e por isso é necessária a parada circulatória completa para que o profissional consiga acessar os trombos e retirá-los com precisão. "O controle rigoroso da temperatura é decisivo para o sucesso da operação”, detalha.
Com duração de aproximadamente sete horas, Luciene segue em acompanhamento clínico, com redução gradual de medicamentos e evolução favorável. “Depois da cirurgia, comecei a recuperar quase sem incômodos. Ainda faço uso de oxigênio, canso um pouquinho, mas cada dia melhor. Eu estava ansiosa para passar por tudo isso, e passou. A cada dia me sinto mais recuperada”, conta.
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Sintomas
Os principais sintomas da HPTEC incluem:
- Dor ou aperto no peito
- Tosse com sangue, em casos raros
- Cianose - coloração azulada em dedos das mãos e dos pés
- Tontura
- Desmaio
- Fadiga
- Palpitações
- Falta de ar, especialmente durante esforço
- Inchaço nas pernas devido à retenção de líquidos