ALÉM DO PALADAR

Chocolate amargo ou ao leite? Genética responde, diz especialista

Variações no DNA influenciam a forma como percebemos sabores, especialmente o amargo

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A preferência por chocolate pode ir muito além do paladar e estar diretamente ligada à genética. Variações no DNA influenciam a forma como percebemos sabores, especialmente o amargo, o que ajuda a explicar por que algumas pessoas apreciam chocolates mais intensos, enquanto outras preferem versões mais doces.
 

Genes relacionados aos receptores gustativos, como o TAS2R38, estão associados à sensibilidade ao amargor. Indivíduos com maior sensibilidade tendem a rejeitar alimentos com esse perfil, como chocolates com alto teor de cacau, café e alguns vegetais. Já aqueles menos sensíveis costumam ter maior aceitação de sabores intensos.
 

“Não é apenas uma questão de hábito ou preferência pessoal. A forma como percebemos o sabor dos alimentos tem uma base biológica importante, influenciada por variações genéticas que modulam nossa sensibilidade ao amargo”, explica Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética.
 

No caso do chocolate, a composição também impacta a experiência sensorial. Quanto maior a porcentagem de cacau como nos chocolates 70% ou 85% , mais amargo tende a ser o sabor. Já o chocolate ao leite leva açúcar e leite, o que suaviza o gosto e amplia sua aceitação.
 

Além da genética, fatores como cultura, experiências alimentares e hábitos ao longo da vida também influenciam as escolhas. Ainda assim, os avanços da genômica têm ampliado o entendimento sobre como características individuais impactam a relação com a alimentação.
 

“Com o avanço dos testes genéticos, conseguimos compreender melhor essas predisposições e, a partir disso, orientar escolhas mais personalizadas, que respeitem as características de cada indivíduo”, explica Di Lazzaro.
 

Mais do que uma curiosidade, a relação entre genética e paladar reforça uma tendência crescente na saúde: a personalização do cuidado, baseada nas particularidades de cada pessoa. Nesse contexto, iniciativas como o Painel Chocolate, desenvolvido pela Genera, reforçam essa tendência ao traduzir o DNA em informações práticas sobre o consumo do alimento. O relatório analisa predisposições genéticas relacionadas a fatores como preferência por doce, sensibilidade ao amargo, intolerância à lactose e comportamento alimentar, ajudando o indivíduo a entender sua relação com o chocolate e fazer escolhas mais alinhadas ao seu organismo.

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