PREMATUROS

Bronquiolite em crianças pode levar à traqueostomia: saiba como prevenir

Ampliação da vacinação pelo SUS representa avanço na proteção dos bebês mais vulneráveis, destacam especialistas; confira medidas que reduzem internações

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A bronquiolite é uma das principais causas de internação neonatal e pediátrica no Brasil. A recente ampliação do acesso à vacina contra a doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS) reforça o papel da prevenção, especialmente entre bebês prematuros, grupo mais vulnerável a complicações respiratórias graves.

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A vacina, que pode custar cerca de R$ 2.500 na rede particular, passa a estar disponível pelo SUS para bebês prematuros com até 36 semanas e seis dias de gestação, além de crianças de até 23 meses com condições clínicas que aumentam o risco de complicações respiratórias.

“É muito acertada a ampliação do acesso à vacina contra a bronquiolite pelo SUS. Trata-se de uma excelente notícia para a saúde materno-infantil. A bronquiolite permanece como uma das principais causas de internação neonatal e pediátrica, em razão da maior vulnerabilidade respiratória dessa população. Por isso, orientar as famílias, investir em prevenção e garantir o diagnóstico precoce são medidas essenciais para reduzir complicações e salvar vidas”, destaca a neonatologista Tilza Tavares, diretora técnica do Neocenter Maternidade.

Quando a doença evolui para quadros graves?

A bronquiolite é uma infecção respiratória viral que pode evoluir rapidamente em recém-nascidos, principalmente nos prematuros. A inflamação dos bronquíolos compromete a passagem de ar e, nos casos mais graves, pode levar à necessidade de suporte ventilatório intensivo.

Em situações de ventilação prolongada, pode ser indicada a traqueostomia — procedimento que cria uma via aérea alternativa para garantir a respiração adequada.

Um caso real que reforça o alerta

A história da Melissa, nascida em março de 2023 em parto domiciliar, ilustra o quanto a doença pode ser imprevisível. “Estávamos apenas eu e o pai dela, foi a coisa mais maravilhosa, ela nasceu perfeita! Porém, com 15 dias de vida, ela teve uma bronquiolite e precisou ser internada”, relata Charlene L. Mendes, mãe da Melissa.

Com 15 dias, Melissa precisou ser internada; quase três anos depois, ela apresenta desenvolvimento compatível com a idade
Com 15 dias, Melissa precisou ser internada; hoje, ela apresenta desenvolvimento compatível com a idade Arquivo pessoal

O quadro evoluiu rapidamente, exigindo transferência para Belo Horizonte e internação em unidade especializada. “Tudo a princípio foi bem assustador. Fiquei com muito medo, eu nunca tinha ouvido falar em traqueostomia, não conhecia nenhuma criança traqueostomizada.”

A evolução exigiu ventilação mecânica e, posteriormente, traqueostomia. Hoje, quase três anos depois, Melissa apresenta desenvolvimento compatível com a idade, mas a trajetória reforça a importância do diagnóstico precoce e da estrutura hospitalar adequada para quadros respiratórios graves.

A importância da prevenção

Durante os períodos sazonais de maior circulação viral, retorno às aulas, pós-feriados, outono e inverno, as internações por bronquiolite aumentam significativamente, evidenciam o impacto da doença na prática assistencial, reforçam a importância de políticas públicas de prevenção e acesso à imunização.

Especialistas destacam que a ampliação da vacinação pelo SUS representa um avanço importante na proteção dos bebês mais vulneráveis.

Além da imunização, outras medidas são fundamentais para reduzir internações e complicações:

  • Higienização frequente das mãos
  • Evitar exposição a ambientes fechados e aglomerações em períodos de circulação viral
  • Evitar contato com pessoas sintomáticas
  • Procurar atendimento ao primeiro sinal de dificuldade respiratória

Sinais de alerta para as famílias

Os principais sinais que indicam necessidade de avaliação médica imediata são:

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  • Respiração acelerada
  • Esforço respiratório (afundamento das costelas)
  • Gemido ao respirar
  • Dificuldade para mamar
  • Coloração arroxeada dos lábios
  • Sonolência excessiva

Em casos graves, a atuação rápida pode evitar evolução para insuficiência respiratória.

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