DORES E SINTOMAS

Endometriose: diagnóstico pode levar até 10 anos; médIco explica riscos

Doença afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em fase reprodutiva. No Brasil, são cerca de 7 milhões de pacientes

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A endometriose permanece como uma das doenças ginecológicas mais subdiagnosticadas no mundo. Dados internacionais publicados na revista científica Human Reproduction Update e em estudos europeus multicêntricos indicam que o diagnóstico pode levar, em média, de 7 a 10 anos. Nesse intervalo, muitas mulheres são orientadas a “normalizar” dores e sintomas que não são fisiológicos, atrasando o tratamento adequado e ampliando o risco de complicações.
 
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, o equivalente a aproximadamente 190 milhões de mulheres no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 7 milhões convivam com a condição.
Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a endometriose pode acometer ovários, trompas, intestino, bexiga, ureteres, paramétrio e até nervos pélvicos. Nos casos mais complexos, é classificada como endometriose profunda, quando infiltra estruturas além da superfície peritoneal, exigindo abordagem cirúrgica especializada.
Sintomas 
 “Muitas pacientes percorrem consultórios de ortopedistas, gastroenterologistas e serviços de emergência antes de chegar ao diagnóstico correto. A dor pélvica cíclica associada a alterações intestinais é um sinal de alerta importante”, explica Alexandre Nishimura, cirurgião robótico, coloproctologista e membro do Núcleo de Endometriose da Rede D’Or.
Além do impacto na qualidade de vida, a doença é uma das principais causas de infertilidade feminina e pode gerar complicações funcionais quando compromete o intestino e estruturas nervosas.
 
 
Embora a cólica menstrual intensa seja um dos sinais mais conhecidos da endometriose, há sintomas menos reconhecidos que costumam ser negligenciados ou confundidos com problemas gastrointestinais, urológicos ou até ortopédicos.
Entre eles estão a lombalgia cíclica, a dor para evacuar durante o período menstrual, a dor profunda na relação sexual, a dor pós-orgasmo, pontadas ao redor do ânus, episódios de diarreia ou alterações do hábito intestinal associados à menstruação, além de estufamento abdominal que se intensifica nesse período. Esses sinais, quando recorrentes e relacionados ao ciclo menstrual, merecem investigação especializada.
Em que situação a cirurgia deve ser indicada
O tratamento depende da extensão da doença, da intensidade dos sintomas e do desejo reprodutivo da paciente. Em casos leves, pode-se optar por manejo clínico com medicamentos hormonais e controle da dor. No entanto, quando há comprometimento intestinal, ureteral ou nervoso, dor refratária ao tratamento clínico ou risco de obstrução de órgãos, a cirurgia passa a ser indicada.
“Na endometriose profunda, especialmente quando há acometimento intestinal e de nervos pélvicos, é fundamental uma equipe multidisciplinar altamente capacitada. O objetivo é remover a doença com radicalidade adequada, mas preservando função intestinal, urinária e sexual”, afirma Nishimura.
O médico acompanha casos de endometriose profunda com acometimento intestinal e nervoso, situações que exigem planejamento minucioso e abordagem individualizada. “A precisão da plataforma robótica contribui para uma cirurgia mais segura, com melhor controle de sangramento e maior preservação das estruturas da pelve”, destaca.
A importância do diagnóstico precoce
O principal desafio, no entanto, continua sendo o reconhecimento precoce dos sintomas. Dor incapacitante não é normal. Alterações intestinais cíclicas associadas ao período menstrual também não devem ser banalizadas.
A conscientização é essencial para reduzir o tempo até o diagnóstico e evitar complicações que podem comprometer fertilidade, função orgânica e até a saúde cardiovascular. Identificar sinais precoces e encaminhar a paciente a centros especializados pode mudar significativamente o prognóstico e a qualidade de vida das mulheres que convivem com a doença.

*Sobre o médico Alexandre Nishimura* - Coloproctologista e Cirurgião Robótico. Fellowship em Neuropelveologia pelo Pelosi Center – Zurique, Suíça. Certificado em Cirurgia Robótica pelo IDOR e Intuitive Surgical. Membro do Núcleo de Endometriose da Rede D’Or. Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Vila Nova Star

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