ALÉM DA APARÊNCIA

Cirurgia plástica estética x reparadora: quais as diferenças?

Especialista explica que os procedimentos frequentemente unem objetivos funcionais, emocionais e estéticos

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Embora a cirurgia plástica estética e a reparadora sejam tradicionalmente apresentadas como categorias distintas, na prática, os limites entre elas são bastante sutis. Ambas podem impactar diretamente a saúde, o bem-estar e a dignidade dos pacientes, ultrapassando a simples transformação da aparência.

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A cirurgia plástica ainda é, muitas vezes, associada apenas à busca por padrões de beleza. No entanto, essa especialidade médica se estrutura a partir de abordagens que consideram não apenas o resultado visual, mas também aspectos funcionais, físicos e emocionais, refletindo diretamente na qualidade de vida do paciente.

Para o cirurgião plástico Tulio Carneiro, compreender essa diferença e, principalmente, a interseção entre esses conceitos, é fundamental para combater a desinformação e valorizar o papel médico e social da cirurgia plástica.

“A cirurgia plástica não pode ser resumida à vaidade. Mesmo procedimentos classificados como estéticos têm potencial de melhorar a autoestima, o bem-estar emocional e a relação do paciente com o próprio corpo. Já a cirurgia reparadora se destaca por restaurar funções e tratar sequelas, mas ambas frequentemente caminham juntas”, explica o cirurgião plástico.

Estética: bem-estar e impacto na qualidade de vida

A cirurgia plástica estética tem como objetivo promover equilíbrio corporal e corrigir aspectos físicos que geram desconforto ao paciente. Seus benefícios vão além do espelho, podendo influenciar positivamente a saúde emocional e a confiança pessoal.

Entre os procedimentos mais conhecidos estão:

Segundo Tulio, mesmo nesses casos, a indicação é sempre baseada em critérios médicos rigorosos. “Não se trata apenas de desejo estético. Avaliamos condições de saúde, expectativas realistas e possíveis ganhos funcionais e emocionais. Muitas cirurgias consideradas estéticas também aliviam dores, desconfortos físicos e limitações do dia a dia”, ressalta.

Cirurgia plástica reparadora: função como eixo central

A cirurgia plástica reparadora possui caráter terapêutico mais evidente e é indicada para tratar alterações causadas por doenças, traumas, malformações congênitas ou intervenções médicas prévias, como no tratamento do câncer.

Entre os exemplos mais comuns estão:

“Nesses contextos, o foco principal é devolver função, reduzir dor e melhorar a mobilidade. Ainda assim, os ganhos estéticos e emocionais são parte importante do processo de recuperação”, afirma Tulio.

Abordagens que se complementam

Na prática, a maior parte das cirurgias plásticas possui componentes estéticos e reparadores associados. É raro existir um procedimento totalmente estético ou exclusivamente reparador.

Intervenções como mamoplastia redutora, cirurgias pós-bariátricas, reconstruções mamárias e correções faciais, ao mesmo tempo em que restauram função, aliviam dor ou corrigem limitações físicas, também promovem harmonia corporal, autoestima e bem-estar emocional. Essa integração reflete a essência da cirurgia plástica como uma especialidade que trata o paciente de forma global, e não apenas a aparência ou a função isoladamente.

Na realidade clínica, essa sobreposição é comum. Procedimentos que combinam estética e reparação corrigem limitações físicas e sequelas, enquanto promovem equilíbrio corporal e confiança pessoal, evidenciando a abordagem integral da especialidade.

Saúde, ética e informação

No Brasil, a cirurgia plástica reparadora tem papel relevante inclusive no sistema público de saúde, sendo reconhecida como necessidade médica em diversas situações. Já a cirurgia estética, quando bem indicada e realizada com responsabilidade, também pode trazer benefícios significativos à saúde mental e ao bem-estar geral.

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Para Tulio, o principal desafio ainda é a percepção equivocada sobre a especialidade. “Quando reduzimos a cirurgia plástica a um único rótulo, deixamos de reconhecer sua importância na promoção da saúde e na recuperação da dignidade de muitos pacientes. Informação de qualidade é essencial para escolhas conscientes e seguras”, destaca.

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