Scott Pilgrim EX mistura nostalgia e novidade em uma ótima aventura
Nova aventura mantém a essência dos beat 'em ups clássicos, mas amplia a fórmula com exploração, RPG de ação e um mundo mais aberto
compartilhe
Poucos universos conseguiram misturar tão bem cinema, quadrinhos, música e videogames quanto “Scott Pilgrim”. Meu primeiro contato com esse mundo aconteceu com o filme, que foi uma das experiências mais divertidas que já tive assistindo a uma produção desse tipo. Ver Scott, Ramona Flowers e toda aquela loucura acontecendo em Toronto era uma experiência diferente, principalmente pela maneira como o filme transformava referências de videogames, cultura pop e música em parte da própria narrativa.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Essa relação ficou ainda maior quando conheci o primeiro jogo de “Scott Pilgrim”. O título conseguia transportar para os videogames boa parte da identidade do filme, mas também recuperava uma sensação que eu já conhecia de outra época. Apesar de ter crescido nos anos 2000, minha relação com videogames também foi construída jogando títulos dos anos 90, principalmente aqueles que conheci nos consoles e nos fliperamas. “Scott Pilgrim” parecia uma homenagem tardia a essa geração, com uma pancadaria que remetia diretamente a jogos como “Teenage Mutant Ninja Turtles IV: Turtles in Time” e outros clássicos do gênero.
Leia Mais
Das telonas para o joystick: como o cinema influencia os videogames
‘Marvel Cosmic Invasion’ e a prova de que o simples ainda é imbatível
Agora, “Scott Pilgrim EX” parte dessa mesma memória afetiva, mas decide fazer algo diferente.
Uma nova aventura

“Scott Pilgrim EX” é uma nova aventura 2D ambientada no universo criado por Bryan Lee O'Malley. A base continua sendo a pancadaria dos beat 'em ups tradicionais, mas o jogo combina essa fórmula com exploração, elementos de RPG de ação e aventura. Em alguns momentos, a sensação é quase a de jogar um metroidvania misturado com “Streets of Rage”, uma combinação que funciona melhor do que poderia parecer no papel.
A história coloca Scott Pilgrim e Ramona Flowers em uma Toronto fragmentada pelo espaço e pelo tempo. A cidade foi tomada por três gangues, formadas por veganos, robôs e demônios, enquanto os integrantes da Sex Bob-Omb são sequestrados. A partir daí, o jogador precisa atravessar esse cenário caótico enquanto enfrenta inimigos e tenta entender o que aconteceu com aquele universo.
O maior diferencial em relação ao primeiro jogo, porém, está na estrutura. “Scott Pilgrim EX” não se trata simplesmente repetir a sequência tradicional de fases. O jogador pode explorar Toronto, visitar lojas, encontrar personagens, conseguir equipamentos e desenvolver os protagonistas. Essa mudança dá uma sensação maior de aventura e faz com que o cenário deixe de ser apenas um lugar para lutar.
Toronto é parte do jogo

A exploração é, provavelmente, a principal evolução de “Scott Pilgrim EX”. Toronto funciona como um espaço que pode ser descoberto aos poucos, com diferentes caminhos, personagens e atividades espalhados pelo mapa. Isso combina muito bem com a proposta da franquia, que sempre tratou sua cidade como uma versão exagerada e fantasiosa da realidade.
O elenco também ajuda a manter o combate interessante. Scott, Ramona Flowers e os demais personagens jogáveis possuem estilos de luta e habilidades diferentes, fazendo com que a experiência mude dependendo de quem está no controle. Essa variedade é importante porque a quantidade de inimigos diferentes nem sempre acompanha o ritmo da aventura.
Esse é, inclusive, o principal ponto negativo que encontrei durante a experiência. Alguns inimigos acabam ficando repetitivos, especialmente após algumas horas de jogo. Ainda assim, a questão não chega a comprometer a campanha porque a variedade dos personagens, a exploração e a progressão conseguem equilibrar essa repetição.
A mesma energia

Se existe algo que “Scott Pilgrim EX” entende muito bem é a identidade da franquia. O jogo não tenta simplesmente reproduzir aquilo que funcionou no passado. Ele pega referências dos videogames dos anos 90, mistura com a cultura pop dos anos 2000 e transforma tudo em uma experiência que funciona muito bem nos anos 2020.
A trilha sonora é uma das melhores demonstrações disso. A Anamanaguchi, responsável pela música do primeiro jogo, retorna para criar novas faixas. O resultado preserva aquela energia eletrônica e punk que combina tão bem com “Scott Pilgrim”, mas sem transformar “EX” em uma simples repetição do trabalho anterior.
Outro ponto que merece destaque é a participação de Bryan Lee O'Malley. O criador de “Scott Pilgrim” está diretamente envolvido na história de “EX”, o que ajuda a preservar a personalidade daquele universo mesmo diante de uma aventura completamente nova. Para uma franquia tão marcada pelo estilo de seu criador, essa presença faz diferença.
Pontos fortes
Trilha sonora
Jogabilidade
Exploração e variedade de personagens
Ponto negativo
Alguns inimigos podem ficar repetitivos
Mais que nostalgia

A pergunta que fica é simples: “Scott Pilgrim EX” consegue ser mais do que uma viagem nostálgica aos anos 2000? Para mim, sim. Na verdade, o jogo funciona justamente porque entende que “Scott Pilgrim” nunca pertenceu a uma única época. A franquia nasceu de uma mistura de quadrinhos, cinema, música, cultura pop e videogames, e “EX” consegue fazer essa combinação continuar funcionando.
O título pega o melhor dos beat 'em ups clássicos e adiciona exploração, equipamentos, evolução dos personagens e uma narrativa inédita. É uma fórmula mais ampla sem abandonar a simplicidade que torna esse gênero tão divertido. A expansão “Back in the Band” também aumenta o elenco com novos personagens jogáveis, mas como não tive a oportunidade de testar esse conteúdo, prefiro não fazer uma avaliação detalhada dele.
No fim, “Scott Pilgrim EX” é exatamente o tipo de sequência que eu gostaria de ver para uma franquia como essa. Ele respeita o passado, mas não fica preso a ele. É nostálgico sem depender apenas da nostalgia e moderno sem abandonar as referências que fizeram “Scott Pilgrim” funcionar desde o começo. Para quem cresceu entre os videogames dos anos 90 e a cultura pop dos anos 2000, é uma combinação especialmente divertida.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Nota: 8/10.