Amor e prevenção: a genética no planejamento da gravidez
Exame identifica riscos hereditários antes da gestação e oferece caminhos para cuidar da saúde do bebê, possibilitando o direcionamento para outros exames
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Siga noPlanejar uma gravidez vai muito além de escolher o melhor momento da vida para vivenciar essa fase cheia de emoções. Para casais com histórico familiar de doenças genéticas ou que simplesmente desejam se preparar melhor, o cuidado deve começar antes da gestação. Por isso, no Agosto Dourado, mês dedicado à saúde da gestante e do bebê, especialistas reforçam que o pré-natal começa muito antes de a barriga crescer.
Com o apoio da genética, é possível transformar incertezas em decisões ainda mais seguras e conscientes. Afinal, metade das gravidezes ainda não é planejada, segundo relatório recente do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
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Segundo Fernanda Soardi, assessora em genética e genômica do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, que faz parte da Dasa, um exame genético chamado “painel de portador expandido” analisa, a partir de uma amostra de sangue ou saliva, se a pessoa possui mutações recessivas em uma das cópias do(s) gene(s). Ou seja, o exame identifica alterações genéticas que não causam sintomas, mas podem se manifestar no filho caso o parceiro também tenha a mesma mutação ou outra mutação no mesmo gene. “Entre as condições que podem ser identificadas estão fibrose cística, atrofia muscular espinhal, anemia falciforme e síndrome de Tay-Sachs”, explica.
Quando ambos os parceiros carregam alterações no mesmo gene, existe um risco aumentado de o bebê herdar as mutações do pai e da mãe e apresentar a condição. “Com a informação certa, o casal pode avaliar alternativas, como o aconselhamento genético ou se preparar emocional e clinicamente para uma gestação com mais suporte”, destaca Fernanda.
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Com base neste resultado, o médico geneticista fornece o aconselhamento genético e direcionamento para outros exames e profissionais, se necessário. “Mulheres com histórico pessoal que levante suspeita para condições genéticas ou que apresentem abortos recorrentes, por exemplo, podem complementar a investigação realizando exames para alterações específicas, como genotipagem do gene KIR, entre outros”, ressalta.
Com o avanço das tecnologias de sequenciamento, exames genéticos antes considerados inacessíveis tornaram-se mais viáveis para a população. Hoje, é possível fazer um painel abrangente, com mais de 300 doenças genéticas, com coleta simples e resultados em poucas semanas. Os dados, além de orientar os casais, alimentam painéis populacionais e podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde, pesquisa e prevenção.
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