"O Brasil não cabe no quintal de ninguém", diz Lula na ONU
O tom escolhido pelo presidente brasileiro coloca a defesa do multilateralismo como contraponto à política externa de Trump
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou o discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22/9), para reforçar a defesa da soberania brasileira e mandar recados ao governo de Donald Trump. Sem precisar direcionar nominalmente todas as críticas ao republicano, o petista afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
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A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasília e Washington e reforça uma linha adotada por Lula nos últimos meses: a de que o país pretende manter relações com os Estados Unidos, mas sem aceitar interferências em assuntos internos. Na véspera do discurso, o presidente já havia afirmado que Trump tem o direito de governar os EUA, mas não de impor sua vontade sobre outras nações.
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Do púlpito da ONU, Lula também voltou suas críticas contra investidas direcionadas ao Tribunal Penal Internacional (TPI). “Perseguir o TPI é o estímulo para que esses crimes fiquem impunes”, disse. A manifestação funciona como outro recado ao governo norte-americano, que mantém uma relação conflituosa com a Corte e tem adotado medidas contra integrantes da instituição.
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O tom escolhido pelo presidente brasileiro coloca a defesa do multilateralismo como contraponto à política externa de Trump. Para o Planalto, organismos internacionais devem continuar como espaços de negociação e responsabilização, sobretudo diante de conflitos armados e violações do direito internacional.
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A soberania brasileira já vinha sendo preparada como um dos principais pilares do pronunciamento. Antes mesmo de chegar à tribuna, Lula havia criticado tentativas de ingerência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e defendido que divergências entre países sejam resolvidas pela negociação, e não pela imposição econômica ou política.