Corrida ao governo de MG estreia na TV com alfinetadas e aliados
Propagandas tiveram críticas a adversários, participação de Lula e Nikolas Ferreira, além de apresentação dos candidatos aos eleitores
compartilhe
SIGA
O governador Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, abriu nesta sexta-feira (28/8) o horário eleitoral gratuito na televisão destinado à corrida ao Palácio Tiradentes. Antes dos postulantes ao governo de Minas, já haviam sido exibidos os programas dos candidatos ao Senado e a deputado estadual.
A propaganda eleitoral gratuita segue até 1º de outubro, antevéspera do primeiro turno, marcado para o dia 4. Serão mais de 30 dias de programas no rádio e na televisão, além das inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras. Caso haja segundo turno para presidente e/ou governador, a propaganda eleitoral retorna entre 9 e 23 de outubro.
Para o governo de Minas, os programas serão veiculados às segundas, quartas e sextas-feiras, com nove minutos de duração por bloco. No rádio, a transmissão ocorre das 7h16 às 7h25 e das 12h16 às 12h25. Na televisão, os candidatos aparecem das 13h16 às 13h25 e das 20h46 às 20h55.
Leia Mais
O Estado de Minas reuniu os principais destaques da estreia dos candidatos ao governo de Minas no horário eleitoral. Confira:
Mateus Simões aposta no “sim”
Com o maior tempo de televisão entre os candidatos, 2'46"24 (2 minutos, 46 segundos e 24 centésimos), Mateus Simões iniciou o programa tentando se apresentar ao eleitor que ainda não o conhece. A propaganda lembrou que ele assumiu o governo após a saída de Romeu Zema e adotou como fio condutor o slogan “Agora é Sim para Minas”.
A campanha construiu uma comparação entre o atual governo e administrações anteriores, afirmando que Minas vivia o tempo do “não”, com atraso no pagamento dos servidores e falta de repasses da saúde aos municípios. Em contraponto, Simões destacou salários pagos em dia, R$ 10 bilhões destinados à recuperação de estradas, cinco hospitais regionais e o novo metrô de Belo Horizonte. O programa também afirmou que houve queda de 84% em crimes, sem detalhar, nesse primeiro momento, o recorte usado para o índice.
“Mineiro gosta de trabalhar”, afirmou a propaganda ao defender que Minas teria passado a ser o “estado do sim”. Simões também citou negociações com o governo federal e reconheceu que ainda há problemas a serem solucionados. “Está tudo perfeito? Ainda precisa melhorar, mas o caminho é um só”, disse.
Na reta final, o programa voltou o discurso para a disputa eleitoral e atacou o que chamou de “velha política”, encerrando com o pedido para que o eleitor não troque “Mateus pelo duvidoso”.
A estratégia lembra o slogan “Cidade do Sim”, utilizado na primeira campanha publicitária do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), uma das mudanças de tom adotadas pela administração municipal após ele assumir definitivamente o cargo com a morte de Fuad Noman.
Gabriel Azevedo se apresenta como alternativa à polarização
Gabriel Azevedo (MDB) utilizou a estreia no horário eleitoral principalmente para se apresentar aos mineiros. A propaganda partiu da ideia de que as eleições são disputadas “sempre pelos mesmos candidatos” para colocar o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte como uma alternativa aos grupos políticos tradicionais.
Professor e candidato ao governo, Gabriel reconheceu que ainda pode ser desconhecido de parte do eleitorado. “Talvez você não me conheça”, afirmou. O programa destacou ainda que ele teria se preparado para a disputa e elaborado um plano para Minas Gerais, enquanto criticou tanto a esquerda quanto a direita por, segundo a campanha, buscarem ampliar o próprio poder.
Flávio Roscoe leva Nikolas Ferreira à TV e critica o PT
Flávio Roscoe (PL) abriu espaço para o deputado federal Nikolas Ferreira no primeiro programa eleitoral. Em uma das cenas, Nikolas aparece assistindo à televisão e reagindo ao discurso político com a frase “sempre a mesma coisa”. A propaganda, então, direciona as críticas ao PT e à situação financeira de Minas Gerais.
Roscoe afirmou que cada criança mineira já nasce carregando parte da dívida estadual e defendeu que “Minas tem jeito”. Para sustentar o argumento de que sabe administrar, o candidato relembrou sua passagem pelo sistema Fiemg, Sesi e Senai, afirmando ter encontrado dívidas e deixado as entidades com caixa positivo em R$ 3,5 bilhões.
“Isso não é promessa”, afirmou Roscoe ao dizer que pretende aplicar no governo estadual a experiência administrativa que realizou na instituição. A propaganda terminou novamente com a participação de Nikolas Ferreira e com o slogan “Minas merece mais”.
Kalil promete “menos conversa e mais ação”
Alexandre Kalil (PDT) apostou em uma propaganda mais direta e reconheceu, logo no início, a limitação do tempo de televisão. “Gente, o tempo é curto”, afirmou antes de citar problemas enfrentados pelo estado, entre eles a segurança pública, e dizer que Minas ainda tem “muita coisa para arrumar”.
O ex-prefeito de Belo Horizonte buscou reforçar uma imagem de gestor e adotou a comparação entre discurso e execução como eixo do programa. “É muito melhor fazer do que falar”, afirmou. Depoimentos de apoiadores também foram utilizados durante a propaganda, que foi encerrada com a mensagem “fazer por Minas: menos conversa e mais ação”.
Cleitinho relembra liderança nas pesquisas
Cleitinho Azevedo (Republicanos) utilizou o horário eleitoral para relembrar a trajetória construída até a candidatura ao governo, incluindo as idas e vindas que marcaram sua permanência na disputa. O programa também destacou a liderança do senador nas pesquisas de intenção de voto.
Em tom mais dramático, Cleitinho prometeu governar para todos os mineiros e colocou a redução do custo de vida entre suas prioridades. Seguindo os temas defendidos em debates e vídeos de campanha, o candidato citou gastos que pesam no bolso da população e falta de investimento no estado, como IPVA, condições das estradas e a conta de energia elétrica.
Patrus associa trajetória a Lula e programas sociais
Patrus Ananias (PT) usou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas para reforçar a parceria política entre os dois. Imagens da última visita do petista ao estado apareceram no programa, que colocou o combate à fome como uma das principais marcas da trajetória de ambos.
Patrus relembrou sua atuação na implantação do Bolsa Família e afirmou ter ajudado Lula no objetivo de retirar o Brasil do mapa da fome. A propaganda também resgatou a passagem do candidato pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e atribuiu à gestão dele a criação do Samu na capital.
Na área da Saúde, o programa afirmou que Belo Horizonte está atualmente “abandonada”. Já na Educação, Lula apareceu defendendo igualdade de oportunidades. “Precisou chegar um operário para dizer: eu quero que o filho do pobre tenha a mesma oportunidade do filho do rico”, afirmou o presidente.
A propaganda terminou reforçando a dobradinha eleitoral. Patrus defendeu “estudo bom” e ensino de qualidade para as crianças e afirmou que o país precisa novamente de Lula à frente do Brasil e dele próprio no governo de Minas Gerais.
Inteligência artificial
Ao final do bloco, a Justiça Eleitoral exibiu uma orientação aos eleitores sobre o uso de inteligência artificial durante a campanha. A mensagem também chamou atenção para a importância de verificar informações antes de compartilhá-las e indicou a consulta a sites de checagem para evitar a disseminação de conteúdos falsos ou manipulados.
Neste ano, pela primeira vez, as campanhas para presidente, governador, senador e deputado deverão seguir norma do TSE que regulamenta o uso de IA na propaganda eleitoral. As regras foram estabelecidas nas eleições municipais em 2024 e atualizadas pela corte eleitoral.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
É proibido, por exemplo, o uso de deepfakes (conteúdos fraudulentos produzidos por inteligência artificial de forma hiper-realista, com rostos e vozes manipuladas). E todo material produzido por IA deverá exibir um aviso, entre outras restrições.